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Ciro voltando atrás: a inocência quixotesca de analistas não é nada inocente

29 de Julho de 2010, às 17:48:02 Postado há 10 horas e 39 minutos atrás

                

Depois de breve tempo de reclusão, Ciro Gomes voltou aos noticiários por se encontrar com Dilma Rousseff e, depois de voltar atrás na sua neutralidade na campanha, declarou apoio à campanha do PT. Dizem que Ciro será convidado a participar formalmente da campanha, a pedir votos para Dilma e até a aparecer no programa de TV e rádio da candidata. Em geral, o tom dessas notícias e, especialmente dos comentários como os de Josias de Souza em seu blog no Uol, são de que Ciro não mantém a palavra, pois quando foi preterido por seu próprio partido, o PSB, em prol do apoio a Dilma, ele havia dito que estaria fora da campanha. Ciro seria um homem do “vai e vém”, que dança conforme a música, joga de acordo com as circunstâncias, volátil.


Em que pese as opiniões que cada um de vocês, leitores, tenham a respeito de Ciro Gomes, creio que é preciso cuidado com esse tipo de análise. Não porque esses adjetivos e caracterizações de Ciro sejam falsos. Pelo contrário, é tudo verdade. Mas pelo simples fato de que são a definição de fazer política profissional quando se tem peso eleitoral concreto (eu disse quando se tem densidade eleitoral, então exemplos de políticos com 0% dos votos não desmentem a lógica). O que quero dizer é: políticos são por definição voláteis, moldáveis, dançam conforme a música. Mudam de opinião rapidamente de acordo com as conveniências para suas carreiras. Definir Ciro como sendo assim, como se fosse característica dele e não do sistema político, é ser parcial. É o tipo de meia verdade enganadora, utilizada para direcionar a opinião pública.

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Rapidinha: Índio não é tolo; L.Hippólito muda de idéia; analista acha que representa eleitores

27 de Julho de 2010, às 23:40:03 Postado há 2 dias e 4 horas atrás

    

Passagem rápida em casa requer uma rapidinha aqui no blog. :)


É que eu li antes de ontem na Folha um artiguinho do Elio Gaspari em que ele também acha que os rompantes de Índio da Costa, vice na chapa de Serra, são propositais. Não têm nada de deslize. Esse era meu argumento alguns posts atrás e nesse texto, antes de ontem, Gaspari disse o seguinte (que acho boa interpretação):
“José Serra começou sua campanha dizendo que ‘não aceito o raciocínio do nós contra eles’, e em apenas dois meses viu-se lançado pelo seu colega de chapa numa discussão em torno das ligações do PT com as Farc e o narcotráfico. Caso típico de rabo que abanou o cachorro.

O destempero de Indio da Costa tem método. Se Tupã ajudar Serra a vencer a eleição, o DEM volta ao poder. Se prejudicar, ajudando Dilma Rousseff, o PSDB sairá da campanha com a identidade estilhaçada. Já o DEM, que entrou na disputa com o cocar do seu mensalão, sairá brandindo o tacape do conservadorismo feroz que renasceu em diversos países, sobretudo nos Estados Unidos”.
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Ainda nessa linha de assunto, percebam como sutilmente os analistas vão deixando de endossar a versão de que Índio da Costa fez bobagem. Hoje no fim da tarde a Lúcia Hippólito deu o seguinte comentário (em áudio) para a rádio CBN: “Ataques do PSDB fazem parte do jogo eleitoral“. Isso após ter dito no dia 19 (também apenas em áudio): “Vice de Serra pegou pesado ao ligar PT ao narcotráfico” e principalmente, no dia 20, “Nossos problemas são enormes para termos uma campanha com clima de futrica“. Ouçam os três comentários. E aí, como é que fica? Sempre defendi que isso tudo faz parte da campanha. Mas precisou a campanha tucana achar isso oficialmente para alguns analistas passarem a achar também. Lamentável.
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Aliás, sobre outro assunto, reparem também o seguinte comentário (áudio, outra vez) feito por Hippólito: “Ausência de Serra e Dilma em debate pegou mal“. Independentemente de vocês, leitores, concordarem ou não com ela, ouçam o que ela diz para verificar um clássico exemplar de análise em que o analista confunde o que ele pensa com o que os eleitores pensam. É Lúcia quem acha que pegou mal Dilma e Serra abandonarem o debate online. Ninguém sabe se os eleitores ou mesmo os internautas acharam. Ou se a “opinião pública”, como ela diz (que é, diga-se, um termo curinga muito usado que sempre significa “quem pensa como eu”). Aliás, mesmo achar que o grande público ficou sabendo, é muito otimismo né não? Caso típico: o analista acha que os eleitores pensam algo que no máximo, quem pensa são os analistas.



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Entendendo algumas diferenças metodológicas que fazem Vox Populi e Datafolha tão diferentes

26 de Julho de 2010, às 19:26:22 Postado há 3 dias e 9 horas atrás

        

O torcedor, o eleitor e o brasileiro (charge do Amarildo em http://amarildocharge.wordpress.com)


Nesse fim de semana foram divulgadas duas novas pesquisas de opinião eleitoral com resultados bastante diferentes entre si: sexta a do Vox Populi com Dilma 8 pontos à frente e sábado a do Datafolha com ela e Serra empatados. Ainda que os resultados de todos os institutos apontem em geral a mesma tendência de crescimento de Dilma e estagnação de Serra, como demonstrado pelo excelente Günter Zibell no blog do Nassif, essa diferença entre os últimos Datafolha e Vox Populi vem sendo alvo de muitos debates pela internet. Como se diz que seus resultados, a princípio, devem-se a suas diferentes metodologias, que tal ajudar vocês a entender os principais pontos de diferença metodológica entre esses institutos?


Para começar, podemos usar o post de José Roberto de Toledo, do Estadão, que traz um quadro com algumas características que diferenciam as metodologias de Datafolha e Vox Populi. Nele, destacam-se basicamente: 1) método de coleta (entrevista em domicílio, pelo Vox, versus entrevista em pontos de fluxo de pessoas, pelo Datafolha), 2) a pergunta-esquenta feita pelo Vox Populi: antes de perguntar em quem o entrevistado votaria, indagam o grau de conhecimento do entrevistado sobre os candidatos; 3) mais importante de tudo, o Vox Populi informa aos entrevistados a que partido pertence cada candidato, enquanto Datafolha não. E há também outros dois pontos relevantes não citados por Toledo: 4) o Datafolha não escolhe entrevistados guardando proporção com o grau de escolaridade da população brasileira e 5) Nassif levantou uma dúvida técnica diretamente aos diretores desses institutos que ainda espera a resposta do Datafolha: metodologicamente, parece que Datafolha descartaria entrevistados que não possuem telefone (celular ou fixo). Agora, para ser objetivo ao máximo, vamos direto a uma breve explicação de cada um dos pontos, ok?

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Faltar a debates é tática clássica. Não é de hoje, não é da Dilma, não é do Serra

23 de Julho de 2010, às 19:21:21 Postado há 6 dias e 9 horas atrás

                

Dias atrás, a candidata Dilma Rousseff desistiu de participar daquele que seria o primeiro debate online entre candidatos a presidente na história eleitoral do país, promovido por Yahoo, IG, Terra e MSN. Alegou problemas de agenda, tal como José Serra que ontem fez o mesmo e também afirmou que não irá ao debate, que então foi cancelado. Que não se venha com a explicação amiga de que Serra só desistiu do debate porque Dilma o fizera: afinal, nem sua própria campanha deu essa desculpa para ficar bem na fita. Assumiu desistência com o mesmo argumento de Dilma, “problemas de agenda”. Então, ambos abdicando de debate, surge a questão: por que raios candidatos desistem de debates? Medo, covardia, algo a esconder, como a análise política costumeira gosta de simplificar?

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Rapidinhas: aumento dos juros; detalhes sobre queda na desigualdade

22 de Julho de 2010, às 16:40:41 Postado há 1 semana atrás

            

Antes de publicar o novo texto, aqui vão duas rapidinhas, pra testar um modelo que pretendo começar a usar de vez em quando no blog para indicar um ou outro texto ou fazer comentários breves. ;)


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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, aumentou ontem a taxa de juros oficial do país, chamada taxa Selic, de 10,5% ao ano para 10,75% ao ano. Tempos atrás escrevi aqui um post explicando como se usa os juros para combater a inflação e quais as polêmicas em torno dessa política. Para quem não passava por aqui ainda, acho que vale a pena a leitura. Ajudará a entender duas críticas importantes feitas hoje a esse aumento de juros e que eu gostaria de passar aqui pra recomendar a vocês: a crítica de Luis Nassif à política econômica de Lula e a crítica de José Paulo Kupfer às decisões do Banco Central.


Kupfer sugere que o BC brasileiro avaliou mal a necessidade de combate à inflação. Teria super-dimensionado a inflação dos últimos meses e a prevista, e acabou errando a mão nos juros, aumentando-os desnecessariamente. Já Nassif, embora comente rapidamente sobre isso também, centra atenção nas conseqüências desse erro sobre a taxa de câmbio do país. Ou seja, quanto e porque os juros oficiais altos levam à queda na cotação do dólar e como isso destrói as exportações e incentiva as importações. E quem leu meu post, vai entender o que o comentarista citado por Nassif quer dizer com “a redução do crescimento não é uma consequência indesejada da política econômica atual, e sim, o seu objetivo” (a despeito de se você, leitor, apóia ou condena essa idéia).


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A Fundação Getúlio Vargas divulgou um estudo técnico muito interessante sobre a queda na desigualdade no Brasil neste começo de século. O trabalho tenta identificar qual o peso dos programas de transferências de renda, das aposentadorias e dos salários na queda da desigualdade, avalia quanto custa mexer em cada um desses fatores e, por fim, mostra esses dados por região, por estado, por capital. Embora técnico, o estudo não é difícil de ler, pelo contrário. Aos desocupados interessados, está aqui. :P É vinculado a esse estudo o famoso gráfico que rodou a blogosfera, mostrando a queda na porcentagem de pobreza no país:






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Governos devem ou não devem fazer investimentos no fim do mandato?

21 de Julho de 2010, às 15:54:08 Postado há 1 semana e 1 dia atrás

    

(hey pessoal: o penúltimo parágrafo saiu faltando algumas linhas quando postei. Corrigi em seguida, confiram por favor! Sorry) :P


Um debate curioso que anda se desenhando sutilmente neste período de quase-fim de governo Lula, é se um governo deveria ou não tomar decisões de grande monta, fazer grandes investimentos, grandes obras e implantar novas políticas públicas no período final de seu mandato. Neste momento, Lula está definindo o marco jurídico que regulará as centenas de bilhões a serem ganhas com o pré-sal, projeta investimentos para os próximos meses e anos, definirá a compra bilionária dos novos caças da aeronáutica, começou a construir a bilionária usina hidrelétrica de Belo Monte, criou a polêmica estatal dos resseguros que levou Serra a criticar criações de fim de mandato. Contratará em novembro o trem-bala Rio-SP, ao custo de mais de 30 bilhões de reais. Modelou o que será o PAC 2, está reformulando e ampliando as metas do “Minha Casa, Minha Vida”. Ontem mesmo baixou decretos aumentando a autonomia administrativa das universidades federais.


No geral, o candidato oposicionista, José Serra, criticou essas medidas por serem feitas para impor as preferências deste governo sobre o futuro governo. A imprensa em geral fala em tentativa de amarrar o próximo presidente, de criar projetos e tomar decisões que sejam irrevogáveis no caso de Dilma perder a eleição. Enquanto os governistas e alguns analistas, inclusive da grande imprensa, falam que se trata de propor projetos contínuos. Lula chega a falar em uma “herança bendita”: um amplo leque de projetos que o futuro governo herdará sem ter que construir tudo do zero e poderá, na maioria dos casos, modificar onde achar necessário. Ora, esse é um debate curioso, porque de um lado, sempre se criticou os governos por se acharem únicos, não pensarem no futuro, esquecerem que o Brasil não termina de quatro em quatro anos. Ou seja, fala-se que políticos só pensam em seus mandatos, querem fazer apenas o que pode ser inaugurado durante sua gestão, dando de ombros para o que tenha que ficar para o próximo. Por outro, agora se diz que Lula erra ao tocar o barco pensando além do limite do seu mandato, pois impõe suas decisões e passa a conta para o futuro. E aí, como fica?

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Índio da Costa falou demais, mas sua jogada vem sendo interpretada de menos

19 de Julho de 2010, às 16:55:53 Postado há 1 semana e 3 dias atrás

                

A notícia política que inicia a semana na boca e nas linhas dos comentaristas e blogueiros são as declarações do vice de José Serra, Índio da Costa (DEM-RJ), para o site tucano Mobiliza PSDB. Depois de começar sua entrevista ao site pedindo por perguntas picantes aos internautas tucanos, Índio da Costa acaba por declarar que “todo mundo sabe que o PT é ligado às Farc, ligado ao narcotráfico, ligado ao que há de pior. Não tenho dúvida nenhuma disso”. Além de outras sugestões menos barulhentas sobre Dilma como as de que “Quem nos garante que no dia seguinte à eleição ela não vai fazer o que no Brasil é comum entre criatura e criador? Dá um chute no Lula e vai governar sozinha, com as garras do PT por trás dela (…) Em janeiro, se a Dilma é eleita, o Lula volta para casa. Mas o PT fica com todos aqueles mensaleiros. O Lula tem poder sobre eles, mas eles têm muito poder sobre a Dilma”.


A reação nos bastidores políticos, nos jornais, entre comentaristas e na internet, foi quase unânime em criticar as declarações como um deslize, erro de tática e baixaria. Difícil ver tamanha unanimidade na crítica de uma figura política tal como a que Índio da Costa vem sendo alvo antes e principalmente agora depois dessas declarações. Contudo, tal como Nelson Rodrigues, não confio na unanimidade. :) E portanto, nesse episódio desconfio muito das conclusões apressadas de que: 1) as declarações teatrais e inventivas de Índio da Costa tenham surtido algum efeito negativo sobre a campanha Serra; 2) tenham sido aleatórias, meros rompantes de alguém inexperiente, um erro de tom. Quer ver só?

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Desculpe a demora!

19 de Julho de 2010, às 15:42:02 Postado há 1 semana e 3 dias atrás



Caro leitor, desculpe a demora!


Tive uma semana a mais de sumiço: volta ao Brasil, dias em trânsito em São Paulo, viagem a Minas, e finalmente em casa em Santa Catarina! Aqui, não resisti e tirei meia semana de férias. :) Isso porque no fim do mês tenho uma viagem a trabalho para Buenos Aires (onde pretendo tocar o blog normalmente).


Mas agora chega: dentro de alguns minutos, publico o post novo que reinicia as atividades normais do blog! Esquentemos os motores, as eleições vão deixar as coisas mais intensas na blogosfera e no mundo dos analistas e comentaristas. E vocês, preparem-se pra comentar hein?


;)



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Sofremos com o futebol porque ele é muito mais que um jogo

9 de Julho de 2010, às 17:52:36 Postado há 2 semanas e 6 dias atrás



Meus caros leitores, nessa confusão e escasso acesso à internet por conta da minha volta ao Brasil (cheguei na segunda), não só foi difícil escrever posts (pois ainda não fui para casa e nem parei em um lugar só) como, absurdo total, não tive a oportunidade de sequer comentar o significado da eliminação do Brasil na Copa do Mundo. Mas para falar sobre a importância simbólica e cultural do futebol para o Brasil, que é o que está por trás do nosso sofrimento nesse prematuro fim de Copa do Mundo, vou deixar para quem entende. Aproveitei que estou em São Paulo e fui outra vez ao Museu do Futebol, dessa vez apenas para buscar para vocês um texto magnífico de um antropólogo magnífico, o Roberto DaMatta. Como cientista social de formação, que eu sou, não poderia deixar de trazer esse pequeno comentário do grande antropólogo, que está exposto nas paredes desse belo museu de São Paulo. Aqui vai!


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“O amor ao futebol como disputa apaixonada faz com que se perca de vista o seu papel transformador. Mas o fato é que o futebol tem sido uma ponte efetiva (e afetiva) entre a elite que foi buscá-lo no maior império colonial do planeta, a civilizadíssima Inglaterra, e o povo de um Brasil que, naqueles mil oitocentos e tanto, era constituído de ex-escravos. Juntar brancos e negros, elite senhorial e povo humilde foi sua primeira lição. O futebol demonstrou que o desempenho é superior ao nome da família e a cor da pele. Ele foi o primeiro instrumento de comunicação verdadeiramente universal e moderno entre todos os segmentos da sociedade brasileira. Ele tem ensinado a agregar e desagregar o Brasil por meio de múltiplas escolhas e cidadanias.


A segunda lição veio com seu desenho. Ele exprime valores antigos (a idéia de que há sorte em todos os confrontos), mas é dele também o ideal moderno de treino. Como uma atividade aberta, ele não discrimina tipos físicos e classes sociais.


O sujeito pode ser preto ou amarelo, alto ou baixo, culto ou ignorante, mas o que interessa é que saiba jogar. Mais: seu foco não são as nobres mãos que levam para o céu (como acontece no vôlei ou no basquete), mas os humildes pés que nos atrelam ao chão e a terra. No futebol, o pé que carrega o nosso corpo transforma-se num mágico instrumento capaz de enganar o adversário e de controlar e passar a bola. Como a capoeira, o jogo do ‘pé na bola’ trouxe a multidões de brasileiros a possibilidade de, ao menos simbolicamente, inverter o jogo. No Brasil, ele abriu a possibilidade de trocar as mãos pelos pés.


O pé, associado à pata e à brutalidade das bestas de carga, muda de posição no futebol. Nele usa-se o pé, sim, mas com método. Seguindo um regulamento que torna as chuteiras de todos os tamanhos e feitios, iguais. E aí está sua lição mais importante: o futebol civiliza o pé. Ele mostra que a parte mais atrasada e bárbara do corpo pode ser submetida não só às sutilezas do jogo, mas à civilidade do saber ganhar e perder sem ódio, de modo transparente e por esforço próprio. Sem a ‘mãozinha’ dos amigos ou parentes. Foi num campo de futebol, não num parlamento, que o povo brasileiro teve a prova de como é maravilhoso juntar treino com talento; ordem com imprevisibilidade; jogadas espetaculares com uma estrutura fixa; e, finalmente, o vitorioso com o derrotado. No futebol, como na democracia igualitária, o ganhador não pode existir sem o perdedor, que terá o triunfo amanhã, mas que hoje, na derrota, valoriza e legitima a nossa vitória.”


(Roberto DaMatta)


Obs: versão do post em áudio, para testar essa funcionalidade, está disponível no botão acima do título do blog.



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Voltando!

4 de Julho de 2010, às 18:36:24 Postado há 3 semanas e 4 dias atrás



Caros leitores,


Desde que criei o blog, a exatos 82 dias, venho blogando direto da Espanha, onde estive trabalhando em um centro de pesquisas em Ciência Política por três meses. Mas amanhã, segunda, é o dia tão aguardado por mim nesse tempo todo: o dia de voltar para o Brasil!
:D


Chego no fim da tarde e exausto. Mas prometo que se não amanhã, no máximo na terça trago o próximo post. O primeiro feito direto do Brasil, aliás!


Grande abraço a todos vocês e, de verdade, obrigado por me fazerem feliz ao acompanhar este blog e por contribuirem para que todos nós aprendamos um pouquinho a cada dia.



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Como se calcula o tempo de propaganda eleitoral na TV e no rádio?

2 de Julho de 2010, às 17:51:54 Postado há 3 semanas e 6 dias atrás



Nessa semana, Folha fez as contas e noticiou que nas eleições deste ano, Dilma terá 39,9% do horário eleitoral gratuito na TV e no rádio, Serra terá 25,5%, Marina terá 4,7%. Muito se fala que esse tempo de propaganda é calculado de acordo com as bancadas dos partidos. Daí a importância de somar partidos formalmente às alianças de cada candidato. Mas há alguns detalhes nesse assunto que nunca são lembrados e sem eles, não se permite a você, leitor, entender direito como se calcula o tempo dos candidatos na propaganda eleitoral do país. Vamos lá?

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Contribuição de Índio da Costa como vice, por enquanto, é poupar a Serra a imagem de que cedeu

30 de Junho de 2010, às 22:41:36 Postado há 4 semanas e 1 dia atrás

        

No último post, eu havia tratado sobre alguns mitos e algumas verdades sobre o papel dos candidatos a vice-presidente do ponto de vista eleitoral. E comentei também sobre a novela que virou a indicação de quem seria o candidato a vice na chapa de José Serra, do PSDB. Pois hoje, a novela terminou (era legalmente o último dia para decidir quem seria), e terminou revirando tudo de cabeça para baixo de novo. Depois de protestos fortes do aliado DEM, que ameaçou romper a aliança eleitoral, Serra e seu partido, o PSDB, desindicaram o vice Álvaro Dias (PSDB-PR) e aceitaram um nome imposto pelo DEM: o deputado federal Índio da Costa, do Rio de Janeiro.


Dado que acaba de acontecer, o episódio ainda é muito recente para permitir análises mais profundas e definitivas. Mas dada a importância do assunto, acho que vale a pena pensarmos juntos sobre um ou outro ponto por trás dessa nova escolha de quem acompanhará Serra em sua candidatura. Que tal?

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Mitos e verdades sobre candidatos a vice e as consequências da novela sobre o vice de Serra

28 de Junho de 2010, às 13:44:43 Postado há 1 mês atrás

            

Depois de meses de demora e mais de uma dezena de nomes especulados, na última sexta-feira a campanha de Serra chegou a definir internamente quem seria seu candidato a vice-presidente: o paranaense Álvaro Dias, também do PSDB. Mas ao contrário do que seria de se esperar, a definição terminou piorando a já confusa situação da campanha tucana, no melhor estilo da emenda que sai pior do que o soneto.


Desde então, muita confusão foi feita sobre o assunto e, por isso, creio que vale a pena gastar algumas palavras sobre isso. Primeiro: uma coisa é o discurso dos políticos, que dizem que fulano e cicrano são importantes por trazerem votos, enquanto beltrano não é importante porque não traz. Mas quem faz análise, não pode comprar cegamente o discurso daqueles que são analisados. Sabe-se há muito tempo que o nome que é candidato a vice não traz voto significativo a uma candidatura. Daí é que as análises em torno da novela sobre o vice de Serra são mal colocadas: a indefinição de Serra sobre seu vice não atrapalha em nada seu desempenho eleitoral. Atrapalha em outro sentido.

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Minha Pausa

26 de Junho de 2010, às 11:38:04 Postado há 1 mês atrás



Fazia tempo que não mandava uma pausa aqui, não é mesmo?
:)


Enquanto espero novas notícias para tentar escrever ainda hoje sobre a busca de Serra por um vice, hoje estou com saudades de maltratar meu violão e ando com esse pessoalzinho na cabeça, ó:





Para ver a letra dessa música:

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Nova pesquisa Ibope: 5 questões que você não encontrará por aí

24 de Junho de 2010, às 10:50:47 Postado há 1 mês atrás

                        

Ontem de noite, foi publicada uma nova pesquisa de opinião eleitoral do Ibope, cujo resultado surpreendeu a campanha Serra: o tucano apareceu atrás de Dilma, tal como diziam Sensus e Vox Populi, mas ainda mais atrás. E isso, mesmo depois de Serra ter grande exposição de mídia nos horários partidários na TV e rádio do PSDB, do DEM e do PPS. Como a avaliação era de que Dilma havia tido rápido crescimento, um mês atrás, por causa do horário político do PT, esperava-se que essa exposição ainda maior fizesse Serra subir ou ao menos congelasse o patamar das intenções de voto para que a campanha para valer fosse inaugurada mantendo ao menos empate com Dilma.


Mas nada disso aconteceu. No primeiro cenário, apenas com os nomes de Dilma, Serra e Marina, os resultados do Ibope de ontem foram respectivamente 40%, 35% e 8% das intenções de voto. E no cenário em que aparecem também os nomes dos outros dez candidatos pouco conhecidos, Dilma fica com 38%, Serra com 32% e Marina com 9%. Já tratei do crescimento de Dilma aqui no blog e, na verdade, muito se falou e falará disso na imprensa e na internet. Portanto, reservo para hoje lembrar você, leitor, de 5 pontos que certamente a maioria das análises irá esquecer de tratar. Vamos lá?

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Ganhando ou perdendo, direitos individuais não se decidem em plebiscito

22 de Junho de 2010, às 11:36:09 Postado há 1 mês e 1 semana atrás

            

Recentemente, a candidata Marina Silva defendeu a convocação de plebiscito nacional para decidir sobre questões polêmicas como a legalização do aborto e do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, mesmo sendo ela publicamente contra ambas as propostas. Não me interessa, aqui, tratar dessas causas em si. Mas sim discutir um pouco a idéia de plebiscito, lembrando uma discussão clássica sobre os conceitos de democracia. É que essa postura, de defender plebiscito para algo que não se apóia, parece profundamente democrática - mas plebiscito não é sempre democrático não. Não necessariamente. Vamos lá?

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Jingles ou marchinhas dos candidatos à presidente de 1989 a 2006

21 de Junho de 2010, às 12:30:03 Postado há 1 mês e 1 semana atrás



Em dois posts anteriores eu disponibilizei os pré-jingles de Dilma e de Serra e depois de Marina para as eleições 2010. Aproveitando meu vício em política e em jingles, hoje mando para vocês o áudio dos jingles, marchinhas ou afins de quase todos os candidatos à presidência desde 1989. ;)


Quais seriam os melhores, hein?

2006
Lula - PT |
Geraldo Alckmin - PSDB |
Heloisa Helena - PSOL |
Cristovam Buarque - PDT |
José Maria Eymael - PSDC |


2002
Lula - PT |
José Serra - PSDB |
Ciro Gomes - PPS |


1998
Fernando Henrique - PSDB |
Lula - PT |

1994
Fernando Henrique - PSDB |
Lula - PT |
Esperidião Amin - PPR |


1989
Fernando Collor - PRN |
Lula - PT |
Leonel Brizola - PDT |
Mario Covas - PSDB |
Guilherme Afif Domingos - PL |
Ulysses Guimarães - PMDB |
Aureliano Chaves - PFL |
Affonso Camargo - PTB |




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A intervenção no PT do Maranhão, do ponto de vista das táticas do PT nacional

19 de Junho de 2010, às 11:34:04 Postado há 1 mês e 1 semana atrás

                

Na última semana, ganhou espaço no noticiário a decisão do PT nacional de intervir na seção maranhense do partido. Ela revogou o apoio que os petistas do estado haviam decidido em prol de Flávio Dino (PCdoB) como candidato ao governo do estado, para forçar o apoio à candidatura de Roseana Sarney (PMDB). O drama levou dois petistas ilustres do Maranhão a fazerem greve de fome contra a intervenção federal – greve encerrada ontem após acordo feito em negociação entre o PT nacional e o PT maranhense. Bem, criticar a atuação do PT nacional nesse caso não é difícil nem de fazer, nem de achar quem faça na internet - e então para isso não precisaria do meu blog, certo? :) Então, hoje vou tentar algo diferente do fácil e apresentar especificamente as táticas e informações por trás da decisão do PT nacional para ajudar você, leitor, a pensar a questão.


A primeira coisa a se fazer é começar deixando os julgamentos na geladeira. Vamos primeiro tentar pensar como os dirigentes nacionais do partido. Para isso, começo tentando desfazer o maniqueísmo do bem contra o mal, recordando que a decisão sobre quem seria apoiado no Maranhão vem sendo uma disputa acirrada desde o início. A própria decisão da seção maranhense de não apoiar Roseana Sarney e sim ao candidato comunista, foi muito apertada: passou por apenas 2 votos (o que indica que número quase igual de petistas da seção do Maranhão votou por Roseana, tal como a direção nacional). Em segundo lugar, como já expliquei aqui, um partido intervir nas decisões sub-nacionais de seus diretórios é algo normal em qualquer país do mundo e, na verdade, muito bem visto como sinônimo de consolidação partidária nas principais democracias. Creio que o ponto de compreensão, e daí sim de críticas, tem que se deslocar dessa avaliação moral da decisão do PT nacional para a análise das táticas envolvidas nesse processo. Que tal?

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Justiça eleitoral é hipócrita até quando acerta

17 de Junho de 2010, às 13:56:19 Postado há 1 mês e 1 semana atrás

    

Ontem, o TSE confirmou a interpretação da lei eleitoral aprovada ano passado e concedeu diversas liberdades à cobertura eleitoral feita na internet. Como noticia Fernando Rodrigues em seu blog, uma das questões principais era dar liberdade de que portais de internet criem as próprias regras dos debates que venham a realizar, não sendo obrigados a convidar e dar tempo similar a todos os candidatos registrados. Ao contrário das redes de televisão e rádio. E o TSE liberou não apenas isso, mas afirma também que na internet estão liberados os debates, entrevistas e tudo mais mesmo antes da oficialização das candidaturas.


Quero me ater hoje a esse último ponto.

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Entendendo o reajuste de Lula à previdência e o jogo de ganhos mútuos

16 de Junho de 2010, às 13:28:43 Postado há 1 mês e 1 semana atrás

        

O presidente Lula decidiu ontem aceitar o reajuste de 7,7% para os aposentados, alteração feita pelo Congresso enviada pelo presidente e que havia sido motivo de críticas por parte do próprio governo. As críticas derivavam do argumento de que o governo já havia enviado ao Congresso proposta de reajuste bem acima do previsto inicialmente (6,14% contra 3,5%), ou seja, bastante acima da inflação e até do crescimento do PIB. E também, de que quanto maior o aumento, mais ampliaria o chamado rombo da Previdência.


Mas se o Congresso alterou o reajuste para cima e Lula não vetou, teria o presidente, então, feito demagogia como acusam diversos comentaristas como Lucia Hippólito, Kennedy Alencar e a GloboNews em peso? Teria Lula permitido um aumento no rombo da previdência para não fazer feio aos aposentados em ano eleitoral, por ficar refém dos parlamentares (capitaneados pela oposição)?

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