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Rapidinhas: voltando; tracking e efeito dossiê; Nordeste nas eleições

3 de Setembro de 2010, às 14:18:04 Postado há 1 dia e 15 horas atrás



Hey, caros leitores! Justo em um dos períodos de mais acesso do blog, fui obrigado a ficar mais distante e a fazer atualizações escassas, 1 ou 2 vezes por semana. Quando meu ritmo normal é de ao menos um dia sim outro não.


Mas tive um motivo justo: uma temporada em São Paulo para apresentar seminários, debater com parlamentares e pesquisadores e, também, começar a encaminhar minha candidatura ao doutorado na USP. Então, espero poder conversar com vocês direto de novos estudos na universidade, ano que vem :) . De todo modo, estou tentando voltar para casa no feriadão: finalmente os posts voltarão ao normal, como estavam nas outras semanas! Para isso, estou preparando uma explicação sobre a modalidade de pesquisas eleitorais de tracking, que pela primeira vez o Vox Populi vem disponibilizando. E também, um post explicando nosso sistema eleitoral de lista aberta versus o sistema de lista fechada, que é mais tradicional em outros países. Alem disso, penso em escrever algo sobre o impacto do escândalo das quebras de sigilo da Receita sobre a preferência eleitoral. Que tal? Aguardem que algum desses sai hoje ou amanhã!

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Enquanto isso, vou indicar aqui exatamente os resultados dos últimos trackings do Vox Populi, para vocês irem se familiarizando com o assunto. Uma das vantagens dessa pesquisa é acompanhar alterações nas preferências eleitorais dia após dia. E nesse sentido, até aqui o escândalo da quebra de sigilos pela receita não parece ter afetado as preferências eleitorais. É claro: em breve podemos conversar mais sobre isso para entender o impacto desse tipo de questão sobre as preferências eleitorais.

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Agora, sobre outro assunto, recomendo muitíssimo a leitura de um post de José Roberto de Toledo, no seu blog no Estadão online: “Nordeste dita tendência do eleitor na sucessão de 2010″. Não assino embaixo de toda a análise, mas vale a pena o esforço de análise regional mais elaborado do que o padrão de comentaristas da grande imprensa. Especialmente, vale pensar sobre a seguinte afirmação, que acerta em cheio ao corrigir e de modo resumido mais um grande pré-conceito sobre a política recente:

“Na eleição 2010, quem dita a tendência é o Nordeste. Quando José Serra (PSDB) ainda liderava sozinho as pesquisas sobre a sucessão presidencial, os eleitores nordestinos já preferiam Dilma Rousseff (PT). À época, era comum atribuir esse comportamento ao assistencialismo do governo Lula na região.

O tempo mostrou que essa explicação é reducionista e insuficiente. Reducionista porque desde sempre a preferência por Dilma incluiu os nordestino ricos e pobres, escolarizados ou não, com e sem bolsa federal. E insuficiente porque ela não explica o fato de essa tendência ter extrapolado as fronteiras do Nordeste”.




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Transferência de votos para Dilma vem de Lula ou do governo Lula?

28 de Agosto de 2010, às 21:39:40 Postado há 1 semana atrás

                

teste

Charges do Lute - http://blogdolute.blogspot.com



Hoje o Ibope divulgou nova pesquisa presidencial que me interessa pelos seus detalhes, não tanto pelo seu resultado geral - pois ao mostrar Dilma com 24 pontos percentuais à frente de Serra apenas reforça os cenários já traçados e discutidos. E me interessa especialmente pela análise de alguns desses detalhes feita por José Roberto de Toledo, no portal Estadão. A abordagem desse texto me permite concentrar atenção em uma questão que venho tocando de leve aqui no blog: a transferência de prestígio para Dilma vem de Lula ou vem do governo Lula? São coisas diferentes e, na verdade, essa diferença é muito importante, central mesmo, para entender as eleições de 2010 e algumas questões de fundo da política do país. Vamos lá?

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Rapidinhas: comunicados; detalhes do último Datafolha

27 de Agosto de 2010, às 12:14:30 Postado há 1 semana e 1 dia atrás

            

Olá pessoal!
Antes de tudo, um pedido de desculpas pelo sumiço. Já faz 5 dias sem posts e até sem respostas para os comentários (e vocês sabem que minha política é de responder todos, um por um). Mas vem sendo uma semana puxada. Estou em São Paulo, onde participei daquele seminário que havia comentado aqui no blog. E fora preparar as apresentações, conversas com pesquisadores e políticos depois dos eventos e tudo mais…. bem, não sobrou tempo nem pra responder email. :)
Hoje, começo a ficar mais livre e, então, vou preparar um post pra mais tarde ou no máximo pra amanhã. E também, responderei aos comentários que ficaram sem resposta nesses dias. Combinado?


Ah sim, falando em eventos, e atendendo aos que pediram para eu informar datas dos eventos em que estarei, já confirmei mais duas: 9 de setembro em Porto Alegre, creio que na PUC, bate papo em que pretendo comentar aquela questão de que direitos individuais não se decidem em plebiscito, que escrevi no post mais acessado do blog até hoje (todo dia entram nele!). Daí no dia 28 de outubro, já sei que estarei em Caxambu-MG no encontro da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Ciências Sociais. Lá, retomo discussões sobre o papel das emendas dos parlamentares ao orçamento. Minhas passagens por BH (setembro), Brasília e Rio (cancelada por enquanto) ainda precisam esperar mais um pouco. Pô, tá faltando uma oportunidade de ir pro Norte e pro Nordeste né! Humpf! :)

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Sobre a pesquisa Datafolha divulgada ontem e que mostra Dilma Rousseff com 20 pontos percentuais de intenção de voto a mais do que José Serra (49% contra 29%), não há muita novidade para comentar que já não tenhamos falado aqui sobre as últimas pesquisas. Mas há alguns detalhes interessantes que sugiro ficarem de olho.


Primeiro, há nessa pesquisa um novo tipo de dado, noticiado agora pouco pelo Uol: “Um em cada cinco eleitores de Serra prefere programa de Dilma na TV”. Ou seja, temos agora um indicativo empírico, factual, uma prova, do que todos já comentavam sobre a má qualidade da propaganda eleitoral de Serra. Mas mais importante do que isso é pensar esse resultado sobre outro ângulo: se por um lado indica que os eleitores de Serra que assistem ao horário eleitoral estão conseguindo separar as coisas e fazer um julgamento crítico, também pode indicar que ao menos parte dessas pessoas representa eleitores menos fechados com Serra. Pois sabidamente os eleitores fechados com seu candidato tendem a pre-avaliar seu candidato e a campanha de seu candidato como melhor em tudo: debates, propaganda, desempenho, propostas, etc. Seria interessante cruzar essa pergunta com uma outra corriqueira nas pesquisas: aquela que pergunta qual a chance do eleitor de ainda mudar o seu voto. Mas sabem como é, parece que às vezes pedir da imprensa o óbvio é pedir demais…


Segundo: um dado mais desanimador para Serra do que o resultado geral do Datafolha que estampas as manchetes que nós lemos por aí, foi bem captado pela Renata Lo Prete na Folha, em frase reproduzida no blog do Noblat: “Dilma tem hoje intenção de voto espontânea (35%) maior do que a obtida por Serra na pergunta estimulada (29%)”. Aqui sim há um indício de problema grave na campanha do tucano.


Esse indicio somado ao terceiro ponto, que é o fato de que Serra aparece abaixo dos 30%, mostra que não havia um piso claro e pré-definido para o apoio a Serra, para a simpatia pelo PSDB ou para o anti-petismo. Assim como não havia um teto para o apoio a uma candidatura petista. Como expliquei aqui no blog tempos atrás, a idéia de que o PT teria historicamente, tanto no mínimo quanto no máximo 30 ou 33% dos votos nacionais, é apenas mais um mito, mais uma lenda urbana da política nacional.



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Serra, o uso da imagem de Lula e a armadilha do efeito recall

22 de Agosto de 2010, às 17:15:08 Postado há 1 semana e 6 dias atrás

                

Charges do Alpino

Charges do Alpino - http://colunistas.yahoo.net/colunistas/28/index.html




Nas últimas propagandas eleitorais na TV e no rádio, José Serra vem adotando a tática de se aproximar também da figura de Lula, enquanto tenta ainda sugerir que Dilma está se apropriando dos feitos do presidente como se fossem dela. A idéia ousada é, ao mesmo tempo, confundir os cerca de 10% de brasileiros que ainda não sabem que Dilma é a candidata de Lula, tentar neutralizar o caráter de continuidade de Dilma e se colocar como opção que continuaria Lula com mais competência do que a própria escolhida de Lula. Algo como: o Grande Líder é um grande líder, mas não sabe escolher substitutos.

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Entenda quando votos brancos e nulos ajudam algum candidato

20 de Agosto de 2010, às 17:00:40 Postado há 2 semanas e 1 dia atrás



Charges do Ivan Cabral

Charges do Ivan Cabral - http://www.ivancabral.com/



Meses atrás, expliquei aquí as diferenças entre votos nulos e brancos, em um post que recomendo a leitura para desfazer alguns mitos tradicionais. Ali, eu comentava também que não é verdade que votos nulos e brancos vão para quem está ganhando: esse é certamente um dos mais difundidos equívocos que volto a ouvir falar em toda eleição. Os votos nulos e brancos, que como expliquei no texto anterior passaram ambos a serem considerados inválidos em 1997, simplesmente não são contabilizados. Há apenas 1 tipo de situação em que eles podem ajudar a quem lidera a corrida eleitoral. Vamos entender isso melhor ?

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O primeiro programa eleitoral e o debate UOL

18 de Agosto de 2010, às 20:20:48 Postado há 2 semanas e 3 dias atrás

                

Charges do Paixão

Charges do Paixão - http://www.gazetadopovo.com.br/charges/index.phtml?ch=Paix%E3o



Ontem foi o primeiro dia de propaganda eleitoral na TV e nos rádios. E hoje de manhã foi dia do primeiro debate entre candidatos à presidência feito totalmente via internet no Brasil, o debate UOL. Ambas as ferramentas, propaganda eleitoral e debates, são as armas nas quais a candidatura Serra depositou todas as suas fichas para confrontar a boa aprovação do governo Lula nestas eleições. Hoje, este é um post duplo: darei minhas impressões sobre esses dois eventos, o debate UOL e as primeiras propagandas na TV (links dos vídeos seguem no final). O debate anterior, da Band, avaliei aqui ó. Vamos lá?

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Aviso: problemas resolvidos e respostas dadas! =)

17 de Agosto de 2010, às 14:58:47 Postado há 2 semanas e 4 dias atrás



Pessoal, peço desculpas pela demora em responder. E também pelos problemas técnicos que fizeram alguns comentários e minhas respostas sumirem. O blog deu umas travadas semana passada e no fim de semana, pouco preparado para os acessos que teve. :) Ainda bem que arrumei e preparei, para dar conta do último post, do Paulo, se não já tinha dado pau de novo dado o sucesso de acesso do texto dele! Hehehe.
Mas agora todos os comentários e respostas foram recuperados e também respondi aos que ainda estavam sem resposta nos último 4 posts e nos antigos (de gente que chegou até eles pela internet a fora). Peço desculpas pela demora em responder aos leitores Guimarães, ao Bruno Maia, ao Daniel, ao Filipe, à Camilla, à Ludmila, ao Rafae Nogueira, ao Guilherme e a quem mais eu estiver me esquecendo de mencionar aqui. Obrigado a todos pelo carinho, atenção e confiança. Continuem aqui sempre, lendo, comentando, pedindo assuntos, sugerindo pautas, contribuindo. Como, para minha alegria, vêm fazendo!



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A confusão sobre casamento gay, união civil e união estável

15 de Agosto de 2010, às 18:00:40 Postado há 2 semanas e 6 dias atrás

                            

Por Paulo Simas, para o blog*



Quando a pergunta é sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, os três principais candidatos à presidência dão respostas evasivas e muitas vezes contraditórias. O objetivo é não se comprometer nem com os 45% de brasileiros que são contrários ao tema nem com os 39% que são favoráveis (números de 2008 do Datafolha). No entanto, as declarações de Dilma, Serra e Marina acabam perpetuando mitos sobre o casamento e o papel do Estado. Este texto tenta ajudar a desfazer a confusão.


Os discursos são muito parecidos. Dilma diz que “é a favor da união civil”, mas “acha que a questão do casamento é religiosa”. Serra tem opinião semelhante: é a favor da união civil, “com todos os direitos e efeitos práticos de um casamento”. No entanto, acredita que “a nomeação da união como ‘casamento’ depende de convicções religiosas”. Marina também defende que “é preciso separar as duas coisas (união civil e casamento)” e diz que apesar de defender os “direitos civis da comunidade gay” acredita que o casamento seja “um sacramento”.

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Rapidinhas: novidades; Jornal Nacional; Datafolha

14 de Agosto de 2010, às 16:30:33 Postado há 3 semanas atrás

    

(post agendado, estou em trânsito! Por isso também a demora em responder comentários)


Uma novidade no blog: convidei um grande amigo, o Paulo Simas, para escrever um texto para publicar aqui, explicando uma questão legal que eu não conhecia direito: diferenças entre casamento, união civil e união estável. Paulo é um cara de primeira e, além disso, competente e inteligente como poucas pessoas que já conheci. O post com o texto dele chega amanhã. Espero que seja apenas a primeira contribuição dele. E também, espero que isso aos poucos abra espaço para publicar aqui um ou outro texto de vocês, leitores, no futuro.

Aguardem, que amanhã vamos começar com a primeira contribuição de alguém mais para o blog. Ao Paulo, meu sincero agradecimento pelo esforço de pesquisa, pelo tempo e dedicação. Uma honra!

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Ainda sobre as entrevistas ao Jornal Nacional, encontrei um texto muito interessante do Mauricio Stycer, em seu blog, analisando quanto as entrevistas serviram mais para avaliar o JN do que os candidatos. As opiniões dele, vocês podem concordar ou não com elas, mas são interessantes para ler e pensar. Vale a pena, aqui ó.

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Formas e conteúdos das entrevistas dos candidatos no Jornal Nacional

12 de Agosto de 2010, às 17:50:39 Postado há 3 semanas e 2 dias atrás

                    

Nesta semana, o Jornal Nacional entrevistou os 3 candidatos à presidência que têm mais de 1% 3%* dos votos nas pesquisas, um por dia: Dilma na segunda-feira, Marina na terça e Serra ontem. A ordem foi decidida por sorteio e cada entrevista teve 12 minutos, com mais 30 segundos para as considerações finais dos candidatos. As perguntas eram decididas pela redação do próprio jornal, que é chefiada pelo apresentador William Bonner. As entrevistas foram feitas por ele e por Fátima Bernardes. Estou curioso para saber: o que vocês, leitores, acharam do desempenho dos candidatos e dos entrevistadores? Hoje vou dar minhas impressões. Para quem não viu as entrevistas, os vídeos delas seguem logo abaixo do texto.

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Rapidinhas: convite; entrevistas; audiência de eleição na TV

11 de Agosto de 2010, às 15:06:52 Postado há 3 semanas e 3 dias atrás

                

Antes de tudo, gostaria de fazer convite aos leitores que estiverem em São Paulo nos dias 25 e 26 de Agosto. Sou convidado em um seminário sobre o desempenho do “Congresso Nacional no contexto do presidencialismo de coalizão”. Haverá perguntas e comentários de acadêmicos, jornalistas e parlamentares (da oposição e da situação).


Eu apresentarei dois trabalhos. Um mostra que as nomeações ministeriais do Brasil entre 1945-64 e entre 1989-2008 seguiram rigorosamente a força dos partidos aliados na Câmara, no mesmo nível das democracias européias, em padrão considerado normalmente como o ideal lá fora mas criticado aqui dentro. Esse será comentado pela cientista política Fátima Anastasia, irmã do governador de Minas e atual candidato à reeleição, Antonio Anastasia (PSDB). No outro, um colega e eu mostramos que as emendas parlamentares ao orçamento não causam efeito sobre como os deputados votam na Câmara, ao contrário do que a imprensa costuma pressupor. Esse será comentado pelo deputado José Genoíno, ex-presidente do PT. O seminário será organizado pela editora alemã Konrad-Adenauer, pelo Núcleo de Políticas Públicas e pelo Instituto de Estudos Avançados da USP (onde será realizado).


É um evento preparatório: em outubro reapresentaremos esse seminário no Congresso, em Brasília, em uma discussão com deputados e senadores. Estarei também em Minas (BH e Caxambu) e no Rio nos próximos meses. Mais pra frente aviso pra quem quiser ir assistir e trocar uma idéia, já que estarei nos estados de alguns de vocês. :)
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Em segundo lugar, gostaria de informar a quem tem me perguntado que, sobre as entrevistas de Dilma, Marina e Serra ao Jornal Nacional, estava esperando ver as 3 para analisar. E a última é hoje. Então, amanhã haverá um post. ;)
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No post anterior eu citava o Erich Beting argumentando que a audiência dos debates segue apenas a audiência normal da emissora naquela faixa de horário: ficou em média de 5,5 pontos no Ibope tal como a TV Bandeirantes costuma mesmo ter. Ou seja, é um programa como qualquer outro, não mostra maior ou menor interesse dos eleitores. Vamos ver se isso continua assim com os outros debates. Mas só a título de curiosidade, o padrão se repetiu com as entrevistas no JN nos últimos dois dias: audiência seguiu o padrão da Globo no horário, como mostra Lauro Jardim sobre a entrevista com Dilma e com Marina. Tudo bem que duram só 12 minutos e isso torna impossível comparar com os debates. Mas de todo modo, vale a curiosidade.



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Debate eleitoral e o mito do eleitor sem interesse: debate é só forma, não conteúdo

9 de Agosto de 2010, às 14:56:49 Postado há 3 semanas e 5 dias atrás

        

Ainda sobre o debate entre os candidatos à presidência na Band, na quinta passada, creio que seja interessante tocar na discussão sobre o quanto a audiência do debate foi baixa (5,5 pontos no Ibope) quando comparada com a audiência da semifinal da Copa Libertadores de futebol (34 pontos), que a Globo transmitia ao mesmo tempo. Seria essa mais uma evidência de como o brasileiro seria especialmente alienado ou desinteressado por política em prol do futebol, como muitas pessoas pensam e como até comentaristas de política sugeriram?


Não necessariamente. Se o eleitor é ou não assim é questão que não pretendo discutir hoje, embora venha sempre falando aqui que todos os indícios indicam o contrário: em termos de política, somos um povo similar aos demais, vejam só! Mas hoje, quero apenas sugerir que esse confronto entre debate eleitoral e futebol, em particular, nada mostra sobre o desinteresse dos eleitores-telespectadores pelos assuntos eleitorais. Vejam o que estou querendo dizer.

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Rapidinha sobre o 1º debate entre os candidatos à presidência, na Band

6 de Agosto de 2010, às 1:45:15 Postado há 1 mês atrás

                        

Bem, não pude ver o debate com a exclusividade e a atenção que gostaria, e por isso não pude comentá-lo ao vivo no blog - o que era minha intenção original. Mas desde já, anuncio que pretendo fazer isso nos próximos debates e também nos dias de apuração das urnas: comentários ao vivo aqui! Que tal? :) Dito isso, vamos a rápidas impressões sobre o debate desta quinta.

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Patamar histórico do PT em cerca de 30% é mais um dos mitos da política nacional

4 de Agosto de 2010, às 18:32:11 Postado há 1 mês atrás

            

Como prometido algumas vezes aqui no blog, hoje falarei de um mito muito interessante da política nacional que é praticamente consensual. Trata-se da idéia recorrente de que o PT tende a possuir sempre, no nível nacional, de 30% a 33% dos votos do país. Essa suposição é feita por analistas de todos os tipos e qualidades, ligados a todos os lados políticos. Por jornalistas de todas as colorações políticas. E por políticos de todos os partidos, inclusive da oposição, como fez esses dias o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, ao afirmar que Dilma apenas atingira o patamar histórico do PT, o que era previsível.


Ou seja, essa suposição é usada ao mesmo tempo pelos pró-PT quando argumentam que seus candidatos serão competitivos pelo menos atingindo a marca histórica, e também pelos anti-PT quando argumentam que os candidatos petistas não fizeram mais do que atingir a marca histórica. É claro que se trata do famoso dilema entre enxergar, num copo preenchido à metade, ou que está meio cheio ou que está meio vazio – neste caso, claro, de acordo com as conveniências. Mas mais importante do que isso é perceber que de todo modo, em ambas as leituras sobre os 30 a 33% de votos do PT, não há base sólida para sustentar a suposição. Vamos ver? ;)

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Iraniana condenada mostra que Irã vai além de seu presidente e que Brasil tem difícil escolha

2 de Agosto de 2010, às 17:53:31 Postado há 1 mês atrás

    

Recentemente, no Irã, mais uma mulher foi sentenciada à morte por apedrejamento, acusada de infidelidade no casamento. O caso, desta vez, gerou um movimento feito por seus filhos para que a comunidade internacional se mobilizasse para salvá-la. No Brasil, surgiu uma campanha no Twitter chamada “Liga Lula”, em que se pedia para que nosso presidente interviesse junto ao Irã. Essa campanha foi traduzida para outros idiomas e ganhou o mundo de tal modo que Lula acabou mesmo entrando em contato diplomático com os iranianos e até ofereceu asilo à mulher condenada. Hoje, o jornal britânico “The Guardian” informa que haveria indícios de que o Irã poderia de fato estar prestes a alterar o destino da mulher a pedido do Brasil. E os próprios filhos dela comentam que nosso país tem posição única para ajudar sua mãe. Seria desnecessário fazer um post para fazer o óbvio: lamentar a pena de morte iraniana contra liberdades individuais. Então, que tal aproveitarmos o tema para pensar juntos algumas questões espinhosas por trás desse episódio?

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Rapidinhas: Vox Populi faz pesquisa para PSDB também; mais gente entrevistada não torna pesquisa mais confiável

30 de Julho de 2010, às 17:44:39 Postado há 1 mês atrás

    

Antes que saiam os resultados do Ibope para as eleições presidenciais (previstos para hoje), vale acrescentar duas rapidinhas sobre as pesquisas Datafolha e Sensus que andei vendo hoje.


Primeiro, para os que gostam das teorias conspiratórias contra os institutos, é bom ver o Lauro Jardim, no seu blog na Veja, dando breve nota sobre o fato de que o Vox Populi (acusado de ser dilmista) faz pesquisa para os tucanos também: “Apesar de o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, desqualificar o Vox Populi, vários de seus carreligionários não o seguem. Na terça-feira, o diretório do PSDB no Tocantins registrou na Justiça Eleitoral um pesquisa estadual encomendada ao instituto. Há meses, o diretório mineiro também faz o mesmo”.

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Segundo, dentro das diferenças metodológicas entre esses institutos, que andei explicando esses dias, certamente não se inclui como relevante o ponto toscamente levantado pelo Reinaldo Azevedo também no seu blog na Veja. Não quero nem entrar na bobagem que ele levanta de o Vox Populi ter menos credibilidade que o Datafolha por fazer pesquisa também para partidos. Primeiro, porque isso é comum no mundo todo. Segundo, porque o Vox Populi, como acabo de mencionar acima, também faz pesquisa para o PSDB. Terceiro, porque o Datafolha faz pesquisa para grupos ligados e simpatizantes de PSDB também. Isso é bobagem, jogo, torcida. Então, deixado o frufru, vamos ao que interessa! :)


O que me interessa realmente é corrigir uma tolice que não é só mencionada por Azevedo não, mas por muita gente que devia informar você, leitor, e não perpetuar mitos. Trata-se da idéia de que quanto mais gente entrevistada, mais confiável uma pesquisa seria. Qualquer comentarista sério sjá se informou e sabe que, a partir de determinado patamar, o número de entrevistados não importa. Isso mesmo: ao contrário do que imaginamos, não faz diferença uma pesquisa entrevistar 20 mil ou 2 mil pessoas. Seu grau de acerto e de erro é igual! Vários estudos já foram feitos no mundo todo demonstrando isso a mais de meio século e pretendo explicar isso melhor, em breve, aqui no blog. O que importa é se os entrevistados são divididos obedecendo o mesmo percentual de tipos sociais do país: homens e mulheres, negros e brancos, pobres e ricos, pouco e muito educados, que vivem em cada estado, etc. Acreditem: ainda que difícil de visualizar ou entender que o número maior de entrevistados não afeta nada, isso é de conhecimento banal a qualquer pessoa envolvida com pesquisa ou estatística. E tem explicação matemática simples. Então, é grave comentarista não saber disso. Daí, há muitas diferenças metodológicas entre Vox Populi e Datafolha, que fazem um e outro melhor ou pior dependendo do que se considera, como venho apontando. Mas citar o número de entrevistados, sinceramente, é dose viu.


Continue passando por aqui que você logo encontrará a explicação para esse fato inusitado: de que mais gente entrevistada não muda nada. Será um prazer explicar. ;)



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Ciro voltando atrás: a inocência quixotesca de analistas não é nada inocente

29 de Julho de 2010, às 17:48:02 Postado há 1 mês e 1 semana atrás

                

Depois de breve tempo de reclusão, Ciro Gomes voltou aos noticiários por se encontrar com Dilma Rousseff e, depois de voltar atrás na sua neutralidade na campanha, declarou apoio à campanha do PT. Dizem que Ciro será convidado a participar formalmente da campanha, a pedir votos para Dilma e até a aparecer no programa de TV e rádio da candidata. Em geral, o tom dessas notícias e, especialmente dos comentários como os de Josias de Souza em seu blog no Uol, são de que Ciro não mantém a palavra, pois quando foi preterido por seu próprio partido, o PSB, em prol do apoio a Dilma, ele havia dito que estaria fora da campanha. Ciro seria um homem do “vai e vém”, que dança conforme a música, joga de acordo com as circunstâncias, volátil.


Em que pese as opiniões que cada um de vocês, leitores, tenham a respeito de Ciro Gomes, creio que é preciso cuidado com esse tipo de análise. Não porque esses adjetivos e caracterizações de Ciro sejam falsos. Pelo contrário, é tudo verdade. Mas pelo simples fato de que são a definição de fazer política profissional quando se tem peso eleitoral concreto (eu disse quando se tem densidade eleitoral, então exemplos de políticos com 0% dos votos não desmentem a lógica). O que quero dizer é: políticos são por definição voláteis, moldáveis, dançam conforme a música. Mudam de opinião rapidamente de acordo com as conveniências para suas carreiras. Definir Ciro como sendo assim, como se fosse característica dele e não do sistema político, é ser parcial. É o tipo de meia verdade enganadora, utilizada para direcionar a opinião pública.

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Rapidinha: Índio não é tolo; L.Hippólito muda de idéia; analista acha que representa eleitores

27 de Julho de 2010, às 23:40:03 Postado há 1 mês e 1 semana atrás

    

Passagem rápida em casa requer uma rapidinha aqui no blog. :)


É que eu li antes de ontem na Folha um artiguinho do Elio Gaspari em que ele também acha que os rompantes de Índio da Costa, vice na chapa de Serra, são propositais. Não têm nada de deslize. Esse era meu argumento alguns posts atrás e nesse texto, antes de ontem, Gaspari disse o seguinte (que acho boa interpretação):
“José Serra começou sua campanha dizendo que ‘não aceito o raciocínio do nós contra eles’, e em apenas dois meses viu-se lançado pelo seu colega de chapa numa discussão em torno das ligações do PT com as Farc e o narcotráfico. Caso típico de rabo que abanou o cachorro.

O destempero de Indio da Costa tem método. Se Tupã ajudar Serra a vencer a eleição, o DEM volta ao poder. Se prejudicar, ajudando Dilma Rousseff, o PSDB sairá da campanha com a identidade estilhaçada. Já o DEM, que entrou na disputa com o cocar do seu mensalão, sairá brandindo o tacape do conservadorismo feroz que renasceu em diversos países, sobretudo nos Estados Unidos”.
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Ainda nessa linha de assunto, percebam como sutilmente os analistas vão deixando de endossar a versão de que Índio da Costa fez bobagem. Hoje no fim da tarde a Lúcia Hippólito deu o seguinte comentário (em áudio) para a rádio CBN: “Ataques do PSDB fazem parte do jogo eleitoral“. Isso após ter dito no dia 19 (também apenas em áudio): “Vice de Serra pegou pesado ao ligar PT ao narcotráfico” e principalmente, no dia 20, “Nossos problemas são enormes para termos uma campanha com clima de futrica“. Ouçam os três comentários. E aí, como é que fica? Sempre defendi que isso tudo faz parte da campanha. Mas precisou a campanha tucana achar isso oficialmente para alguns analistas passarem a achar também. Lamentável.
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Aliás, sobre outro assunto, reparem também o seguinte comentário (áudio, outra vez) feito por Hippólito: “Ausência de Serra e Dilma em debate pegou mal“. Independentemente de vocês, leitores, concordarem ou não com ela, ouçam o que ela diz para verificar um clássico exemplar de análise em que o analista confunde o que ele pensa com o que os eleitores pensam. É Lúcia quem acha que pegou mal Dilma e Serra abandonarem o debate online. Ninguém sabe se os eleitores ou mesmo os internautas acharam. Ou se a “opinião pública”, como ela diz (que é, diga-se, um termo curinga muito usado que sempre significa “quem pensa como eu”). Aliás, mesmo achar que o grande público ficou sabendo, é muito otimismo né não? Caso típico: o analista acha que os eleitores pensam algo que no máximo, quem pensa são os analistas.



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Entendendo algumas diferenças metodológicas que fazem Vox Populi e Datafolha tão diferentes

26 de Julho de 2010, às 19:26:22 Postado há 1 mês e 1 semana atrás

        

O torcedor, o eleitor e o brasileiro (charge do Amarildo em http://amarildocharge.wordpress.com)


Nesse fim de semana foram divulgadas duas novas pesquisas de opinião eleitoral com resultados bastante diferentes entre si: sexta a do Vox Populi com Dilma 8 pontos à frente e sábado a do Datafolha com ela e Serra empatados. Ainda que os resultados de todos os institutos apontem em geral a mesma tendência de crescimento de Dilma e estagnação de Serra, como demonstrado pelo excelente Günter Zibell no blog do Nassif, essa diferença entre os últimos Datafolha e Vox Populi vem sendo alvo de muitos debates pela internet. Como se diz que seus resultados, a princípio, devem-se a suas diferentes metodologias, que tal ajudar vocês a entender os principais pontos de diferença metodológica entre esses institutos?


Para começar, podemos usar o post de José Roberto de Toledo, do Estadão, que traz um quadro com algumas características que diferenciam as metodologias de Datafolha e Vox Populi. Nele, destacam-se basicamente: 1) método de coleta (entrevista em domicílio, pelo Vox, versus entrevista em pontos de fluxo de pessoas, pelo Datafolha), 2) a pergunta-esquenta feita pelo Vox Populi: antes de perguntar em quem o entrevistado votaria, indagam o grau de conhecimento do entrevistado sobre os candidatos; 3) mais importante de tudo, o Vox Populi informa aos entrevistados a que partido pertence cada candidato, enquanto Datafolha não. E há também outros dois pontos relevantes não citados por Toledo: 4) o Datafolha não escolhe entrevistados guardando proporção com o grau de escolaridade da população brasileira e 5) Nassif levantou uma dúvida técnica diretamente aos diretores desses institutos que ainda espera a resposta do Datafolha: metodologicamente, parece que Datafolha descartaria entrevistados que não possuem telefone (celular ou fixo). Agora, para ser objetivo ao máximo, vamos direto a uma breve explicação de cada um dos pontos, ok?

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Faltar a debates é tática clássica. Não é de hoje, não é da Dilma, não é do Serra

23 de Julho de 2010, às 19:21:21 Postado há 1 mês e 1 semana atrás

                

Dias atrás, a candidata Dilma Rousseff desistiu de participar daquele que seria o primeiro debate online entre candidatos a presidente na história eleitoral do país, promovido por Yahoo, IG, Terra e MSN. Alegou problemas de agenda, tal como José Serra que ontem fez o mesmo e também afirmou que não irá ao debate, que então foi cancelado. Que não se venha com a explicação amiga de que Serra só desistiu do debate porque Dilma o fizera: afinal, nem sua própria campanha deu essa desculpa para ficar bem na fita. Assumiu desistência com o mesmo argumento de Dilma, “problemas de agenda”. Então, ambos abdicando de debate, surge a questão: por que raios candidatos desistem de debates? Medo, covardia, algo a esconder, como a análise política costumeira gosta de simplificar?

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