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‘Serra’

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Rapidinhas: comunicados; detalhes do último Datafolha

27 de Agosto de 2010, às 12:14:30 Postado há 1 semana e 1 dia atrás

            

Olá pessoal!
Antes de tudo, um pedido de desculpas pelo sumiço. Já faz 5 dias sem posts e até sem respostas para os comentários (e vocês sabem que minha política é de responder todos, um por um). Mas vem sendo uma semana puxada. Estou em São Paulo, onde participei daquele seminário que havia comentado aqui no blog. E fora preparar as apresentações, conversas com pesquisadores e políticos depois dos eventos e tudo mais…. bem, não sobrou tempo nem pra responder email. :)
Hoje, começo a ficar mais livre e, então, vou preparar um post pra mais tarde ou no máximo pra amanhã. E também, responderei aos comentários que ficaram sem resposta nesses dias. Combinado?


Ah sim, falando em eventos, e atendendo aos que pediram para eu informar datas dos eventos em que estarei, já confirmei mais duas: 9 de setembro em Porto Alegre, creio que na PUC, bate papo em que pretendo comentar aquela questão de que direitos individuais não se decidem em plebiscito, que escrevi no post mais acessado do blog até hoje (todo dia entram nele!). Daí no dia 28 de outubro, já sei que estarei em Caxambu-MG no encontro da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Ciências Sociais. Lá, retomo discussões sobre o papel das emendas dos parlamentares ao orçamento. Minhas passagens por BH (setembro), Brasília e Rio (cancelada por enquanto) ainda precisam esperar mais um pouco. Pô, tá faltando uma oportunidade de ir pro Norte e pro Nordeste né! Humpf! :)

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Sobre a pesquisa Datafolha divulgada ontem e que mostra Dilma Rousseff com 20 pontos percentuais de intenção de voto a mais do que José Serra (49% contra 29%), não há muita novidade para comentar que já não tenhamos falado aqui sobre as últimas pesquisas. Mas há alguns detalhes interessantes que sugiro ficarem de olho.


Primeiro, há nessa pesquisa um novo tipo de dado, noticiado agora pouco pelo Uol: “Um em cada cinco eleitores de Serra prefere programa de Dilma na TV”. Ou seja, temos agora um indicativo empírico, factual, uma prova, do que todos já comentavam sobre a má qualidade da propaganda eleitoral de Serra. Mas mais importante do que isso é pensar esse resultado sobre outro ângulo: se por um lado indica que os eleitores de Serra que assistem ao horário eleitoral estão conseguindo separar as coisas e fazer um julgamento crítico, também pode indicar que ao menos parte dessas pessoas representa eleitores menos fechados com Serra. Pois sabidamente os eleitores fechados com seu candidato tendem a pre-avaliar seu candidato e a campanha de seu candidato como melhor em tudo: debates, propaganda, desempenho, propostas, etc. Seria interessante cruzar essa pergunta com uma outra corriqueira nas pesquisas: aquela que pergunta qual a chance do eleitor de ainda mudar o seu voto. Mas sabem como é, parece que às vezes pedir da imprensa o óbvio é pedir demais…


Segundo: um dado mais desanimador para Serra do que o resultado geral do Datafolha que estampas as manchetes que nós lemos por aí, foi bem captado pela Renata Lo Prete na Folha, em frase reproduzida no blog do Noblat: “Dilma tem hoje intenção de voto espontânea (35%) maior do que a obtida por Serra na pergunta estimulada (29%)”. Aqui sim há um indício de problema grave na campanha do tucano.


Esse indicio somado ao terceiro ponto, que é o fato de que Serra aparece abaixo dos 30%, mostra que não havia um piso claro e pré-definido para o apoio a Serra, para a simpatia pelo PSDB ou para o anti-petismo. Assim como não havia um teto para o apoio a uma candidatura petista. Como expliquei aqui no blog tempos atrás, a idéia de que o PT teria historicamente, tanto no mínimo quanto no máximo 30 ou 33% dos votos nacionais, é apenas mais um mito, mais uma lenda urbana da política nacional.

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Serra, o uso da imagem de Lula e a armadilha do efeito recall

22 de Agosto de 2010, às 17:15:08 Postado há 1 semana e 6 dias atrás

                

Charges do Alpino

Charges do Alpino - http://colunistas.yahoo.net/colunistas/28/index.html




Nas últimas propagandas eleitorais na TV e no rádio, José Serra vem adotando a tática de se aproximar também da figura de Lula, enquanto tenta ainda sugerir que Dilma está se apropriando dos feitos do presidente como se fossem dela. A idéia ousada é, ao mesmo tempo, confundir os cerca de 10% de brasileiros que ainda não sabem que Dilma é a candidata de Lula, tentar neutralizar o caráter de continuidade de Dilma e se colocar como opção que continuaria Lula com mais competência do que a própria escolhida de Lula. Algo como: o Grande Líder é um grande líder, mas não sabe escolher substitutos.

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O primeiro programa eleitoral e o debate UOL

18 de Agosto de 2010, às 20:20:48 Postado há 2 semanas e 3 dias atrás

                

Charges do Paixão

Charges do Paixão - http://www.gazetadopovo.com.br/charges/index.phtml?ch=Paix%E3o



Ontem foi o primeiro dia de propaganda eleitoral na TV e nos rádios. E hoje de manhã foi dia do primeiro debate entre candidatos à presidência feito totalmente via internet no Brasil, o debate UOL. Ambas as ferramentas, propaganda eleitoral e debates, são as armas nas quais a candidatura Serra depositou todas as suas fichas para confrontar a boa aprovação do governo Lula nestas eleições. Hoje, este é um post duplo: darei minhas impressões sobre esses dois eventos, o debate UOL e as primeiras propagandas na TV (links dos vídeos seguem no final). O debate anterior, da Band, avaliei aqui ó. Vamos lá?

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A confusão sobre casamento gay, união civil e união estável

15 de Agosto de 2010, às 18:00:40 Postado há 2 semanas e 6 dias atrás

                            

Por Paulo Simas, para o blog*



Quando a pergunta é sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, os três principais candidatos à presidência dão respostas evasivas e muitas vezes contraditórias. O objetivo é não se comprometer nem com os 45% de brasileiros que são contrários ao tema nem com os 39% que são favoráveis (números de 2008 do Datafolha). No entanto, as declarações de Dilma, Serra e Marina acabam perpetuando mitos sobre o casamento e o papel do Estado. Este texto tenta ajudar a desfazer a confusão.


Os discursos são muito parecidos. Dilma diz que “é a favor da união civil”, mas “acha que a questão do casamento é religiosa”. Serra tem opinião semelhante: é a favor da união civil, “com todos os direitos e efeitos práticos de um casamento”. No entanto, acredita que “a nomeação da união como ‘casamento’ depende de convicções religiosas”. Marina também defende que “é preciso separar as duas coisas (união civil e casamento)” e diz que apesar de defender os “direitos civis da comunidade gay” acredita que o casamento seja “um sacramento”.

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Formas e conteúdos das entrevistas dos candidatos no Jornal Nacional

12 de Agosto de 2010, às 17:50:39 Postado há 3 semanas e 2 dias atrás

                    

Nesta semana, o Jornal Nacional entrevistou os 3 candidatos à presidência que têm mais de 1% 3%* dos votos nas pesquisas, um por dia: Dilma na segunda-feira, Marina na terça e Serra ontem. A ordem foi decidida por sorteio e cada entrevista teve 12 minutos, com mais 30 segundos para as considerações finais dos candidatos. As perguntas eram decididas pela redação do próprio jornal, que é chefiada pelo apresentador William Bonner. As entrevistas foram feitas por ele e por Fátima Bernardes. Estou curioso para saber: o que vocês, leitores, acharam do desempenho dos candidatos e dos entrevistadores? Hoje vou dar minhas impressões. Para quem não viu as entrevistas, os vídeos delas seguem logo abaixo do texto.

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Rapidinhas: convite; entrevistas; audiência de eleição na TV

11 de Agosto de 2010, às 15:06:52 Postado há 3 semanas e 3 dias atrás

                

Antes de tudo, gostaria de fazer convite aos leitores que estiverem em São Paulo nos dias 25 e 26 de Agosto. Sou convidado em um seminário sobre o desempenho do “Congresso Nacional no contexto do presidencialismo de coalizão”. Haverá perguntas e comentários de acadêmicos, jornalistas e parlamentares (da oposição e da situação).


Eu apresentarei dois trabalhos. Um mostra que as nomeações ministeriais do Brasil entre 1945-64 e entre 1989-2008 seguiram rigorosamente a força dos partidos aliados na Câmara, no mesmo nível das democracias européias, em padrão considerado normalmente como o ideal lá fora mas criticado aqui dentro. Esse será comentado pela cientista política Fátima Anastasia, irmã do governador de Minas e atual candidato à reeleição, Antonio Anastasia (PSDB). No outro, um colega e eu mostramos que as emendas parlamentares ao orçamento não causam efeito sobre como os deputados votam na Câmara, ao contrário do que a imprensa costuma pressupor. Esse será comentado pelo deputado José Genoíno, ex-presidente do PT. O seminário será organizado pela editora alemã Konrad-Adenauer, pelo Núcleo de Políticas Públicas e pelo Instituto de Estudos Avançados da USP (onde será realizado).


É um evento preparatório: em outubro reapresentaremos esse seminário no Congresso, em Brasília, em uma discussão com deputados e senadores. Estarei também em Minas (BH e Caxambu) e no Rio nos próximos meses. Mais pra frente aviso pra quem quiser ir assistir e trocar uma idéia, já que estarei nos estados de alguns de vocês. :)
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Em segundo lugar, gostaria de informar a quem tem me perguntado que, sobre as entrevistas de Dilma, Marina e Serra ao Jornal Nacional, estava esperando ver as 3 para analisar. E a última é hoje. Então, amanhã haverá um post. ;)
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No post anterior eu citava o Erich Beting argumentando que a audiência dos debates segue apenas a audiência normal da emissora naquela faixa de horário: ficou em média de 5,5 pontos no Ibope tal como a TV Bandeirantes costuma mesmo ter. Ou seja, é um programa como qualquer outro, não mostra maior ou menor interesse dos eleitores. Vamos ver se isso continua assim com os outros debates. Mas só a título de curiosidade, o padrão se repetiu com as entrevistas no JN nos últimos dois dias: audiência seguiu o padrão da Globo no horário, como mostra Lauro Jardim sobre a entrevista com Dilma e com Marina. Tudo bem que duram só 12 minutos e isso torna impossível comparar com os debates. Mas de todo modo, vale a curiosidade.

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Rapidinha sobre o 1º debate entre os candidatos à presidência, na Band

6 de Agosto de 2010, às 1:45:15 Postado há 1 mês atrás

                        

Bem, não pude ver o debate com a exclusividade e a atenção que gostaria, e por isso não pude comentá-lo ao vivo no blog - o que era minha intenção original. Mas desde já, anuncio que pretendo fazer isso nos próximos debates e também nos dias de apuração das urnas: comentários ao vivo aqui! Que tal? :) Dito isso, vamos a rápidas impressões sobre o debate desta quinta.

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Faltar a debates é tática clássica. Não é de hoje, não é da Dilma, não é do Serra

23 de Julho de 2010, às 19:21:21 Postado há 1 mês e 1 semana atrás

                

Dias atrás, a candidata Dilma Rousseff desistiu de participar daquele que seria o primeiro debate online entre candidatos a presidente na história eleitoral do país, promovido por Yahoo, IG, Terra e MSN. Alegou problemas de agenda, tal como José Serra que ontem fez o mesmo e também afirmou que não irá ao debate, que então foi cancelado. Que não se venha com a explicação amiga de que Serra só desistiu do debate porque Dilma o fizera: afinal, nem sua própria campanha deu essa desculpa para ficar bem na fita. Assumiu desistência com o mesmo argumento de Dilma, “problemas de agenda”. Então, ambos abdicando de debate, surge a questão: por que raios candidatos desistem de debates? Medo, covardia, algo a esconder, como a análise política costumeira gosta de simplificar?

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Índio da Costa falou demais, mas sua jogada vem sendo interpretada de menos

19 de Julho de 2010, às 16:55:53 Postado há 1 mês e 2 semanas atrás

                

A notícia política que inicia a semana na boca e nas linhas dos comentaristas e blogueiros são as declarações do vice de José Serra, Índio da Costa (DEM-RJ), para o site tucano Mobiliza PSDB. Depois de começar sua entrevista ao site pedindo por perguntas picantes aos internautas tucanos, Índio da Costa acaba por declarar que “todo mundo sabe que o PT é ligado às Farc, ligado ao narcotráfico, ligado ao que há de pior. Não tenho dúvida nenhuma disso”. Além de outras sugestões menos barulhentas sobre Dilma como as de que “Quem nos garante que no dia seguinte à eleição ela não vai fazer o que no Brasil é comum entre criatura e criador? Dá um chute no Lula e vai governar sozinha, com as garras do PT por trás dela (…) Em janeiro, se a Dilma é eleita, o Lula volta para casa. Mas o PT fica com todos aqueles mensaleiros. O Lula tem poder sobre eles, mas eles têm muito poder sobre a Dilma”.


A reação nos bastidores políticos, nos jornais, entre comentaristas e na internet, foi quase unânime em criticar as declarações como um deslize, erro de tática e baixaria. Difícil ver tamanha unanimidade na crítica de uma figura política tal como a que Índio da Costa vem sendo alvo antes e principalmente agora depois dessas declarações. Contudo, tal como Nelson Rodrigues, não confio na unanimidade. :) E portanto, nesse episódio desconfio muito das conclusões apressadas de que: 1) as declarações teatrais e inventivas de Índio da Costa tenham surtido algum efeito negativo sobre a campanha Serra; 2) tenham sido aleatórias, meros rompantes de alguém inexperiente, um erro de tom. Quer ver só?

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Mitos e verdades sobre candidatos a vice e as consequências da novela sobre o vice de Serra

28 de Junho de 2010, às 13:44:43 Postado há 2 meses e 1 semana atrás

            

Depois de meses de demora e mais de uma dezena de nomes especulados, na última sexta-feira a campanha de Serra chegou a definir internamente quem seria seu candidato a vice-presidente: o paranaense Álvaro Dias, também do PSDB. Mas ao contrário do que seria de se esperar, a definição terminou piorando a já confusa situação da campanha tucana, no melhor estilo da emenda que sai pior do que o soneto.


Desde então, muita confusão foi feita sobre o assunto e, por isso, creio que vale a pena gastar algumas palavras sobre isso. Primeiro: uma coisa é o discurso dos políticos, que dizem que fulano e cicrano são importantes por trazerem votos, enquanto beltrano não é importante porque não traz. Mas quem faz análise, não pode comprar cegamente o discurso daqueles que são analisados. Sabe-se há muito tempo que o nome que é candidato a vice não traz voto significativo a uma candidatura. Daí é que as análises em torno da novela sobre o vice de Serra são mal colocadas: a indefinição de Serra sobre seu vice não atrapalha em nada seu desempenho eleitoral. Atrapalha em outro sentido.

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Nova pesquisa Ibope: 5 questões que você não encontrará por aí

24 de Junho de 2010, às 10:50:47 Postado há 2 meses e 1 semana atrás

                        

Ontem de noite, foi publicada uma nova pesquisa de opinião eleitoral do Ibope, cujo resultado surpreendeu a campanha Serra: o tucano apareceu atrás de Dilma, tal como diziam Sensus e Vox Populi, mas ainda mais atrás. E isso, mesmo depois de Serra ter grande exposição de mídia nos horários partidários na TV e rádio do PSDB, do DEM e do PPS. Como a avaliação era de que Dilma havia tido rápido crescimento, um mês atrás, por causa do horário político do PT, esperava-se que essa exposição ainda maior fizesse Serra subir ou ao menos congelasse o patamar das intenções de voto para que a campanha para valer fosse inaugurada mantendo ao menos empate com Dilma.


Mas nada disso aconteceu. No primeiro cenário, apenas com os nomes de Dilma, Serra e Marina, os resultados do Ibope de ontem foram respectivamente 40%, 35% e 8% das intenções de voto. E no cenário em que aparecem também os nomes dos outros dez candidatos pouco conhecidos, Dilma fica com 38%, Serra com 32% e Marina com 9%. Já tratei do crescimento de Dilma aqui no blog e, na verdade, muito se falou e falará disso na imprensa e na internet. Portanto, reservo para hoje lembrar você, leitor, de 5 pontos que certamente a maioria das análises irá esquecer de tratar. Vamos lá?

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Jingles nas convenções de oficialização de candidaturas

14 de Junho de 2010, às 11:03:19 Postado há 2 meses e 3 semanas atrás

            

Nas convenções que oficializaram suas candidaturas, Dilma Roussef e José Serra apresentaram seus primeiros jingles de campanha, que costumam ser utilizados ou ao menos influenciar futuros jingles definitivos. O furo coube ao blog de Fernando Rodrigues. Mas como o post dele está bagunçado e os áudios têm que ser acessados em outras páginas, resolvi organizar um post só para terem acesso aos jingles. Não custa disponibilizar aqui material de campanha dos candidatos de vez em quando, né? :)

Dilma Roussef José Serra
Ouvir: Ouvir:


Se quiser acompanhar a letra de cada um:

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José Serra, Bolívia e a tática eleitoral sobre a segurança pública

31 de Maio de 2010, às 10:44:49 Postado há 3 meses atrás

            

O candidato José Serra comentou, no fim da semana passada, que o governo da Bolívia é cúmplice do envio de drogas que vem daquele país. Segundo ele, não seria possível vir tanta cocaína do país vizinho sem a cumplicidade do governo: “você acha que poderia entrar toda esta cocaína no Brasil sem que o governo boliviano fizesse pelo menos corpo mole? Acho que não”.


É evidente que a declaração é indelicada do ponto de vista diplomático. Negar isso é torcida, não análise: afinal o que seria dito se essa frase tivesse sido pronunciada por Ciro Gomes? E também, há sérias dúvidas sobre a veracidade das acusações: relatório 2009 da UNODC – United Nations Officer on Drugs and Crime indica que o potencial de produção da cocaína exportada está concentrado é na Colômbia (50.88%)e Peru (35,73%), sendo bem menor na Bolívia do que nesses países (13,37%). Mas o que realmente importa para mim hoje, não é analisar a veracidade ou o impacto internacional dessas declarações de Serra, mas sim mostrar para você como esse discurso se encaixa na estratégia geral de campanha do candidato. Que tal?

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A sombra de Aécio Neves ronda José Serra (e Aécio faz sombra a ele)

24 de Maio de 2010, às 13:19:19 Postado há 3 meses e 1 semana atrás

                

A grande notícia que está correndo as manchetes nesta segunda, já estava na boca dos analistas desde a divulgação de que Dilma teria empatado com Serra segundo a pesquisa Datafolha, ou até ligeiramente o ultrapassado, segundo Sensus ou Vox Populi. Trata-se da volta ao noticiário da grande novela: tucanos fazendo pressão para Aécio ser vice de Serra.


Mas se Aécio vem sendo notícia recorrente na pré-campanha há meses, poucas têm sido as análises sobre seu papel na candidatura do PSDB. Afinal, das três, uma: ou bem a sobre-força de Aécio em Minas poderia ser salvadora pelo fato de que mineiros são segundo colégio eleitoral do país, ou bem Aécio teria impacto ao longo do Brasil, ou bem Aécio ajudaria com a imagem de candidatura que não abandona o governo Lula e sim o continua melhorando. Para que tucanos e a imprensa façam tanto alarde com a questão Aécio, alguma dessas alternativas tem de ser verdadeira. Que tal pensarmos um pouquinho sobre isso?

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Polêmica dos 10 minutos do PT na TV: todos erram, porque a lei está errada

14 de Maio de 2010, às 13:47:18 Postado há 3 meses e 3 semanas atrás

                        

Ontem o PT exibiu na TV os 10 minutos semestrais de programa partidário a que tem direito. Havia uma polêmica na imprensa, sobre se o partido conseguiria exibir realmente esse programa, porque também ontem, o Tribunal Superior Eleitoral julgava denúncia feita pelo PSDB de que o PT teria usado os 10 minutos do semestre passado para trabalhar a imagem de Dilma antes da hora, quando a lei permite apenas que os partidos trabalhem as imagens dos partidos. E em caso de punição, o PT perderia direito aos seus 10 minutos seguintes.


De fato, ainda ontem o TSE decidiu pela punição do PT, mas não em tempo hábil para impedir a propaganda que foi ao ar ontem de noite. E o partido perderá os 10 minutos do primeiro semestre de 2011. Ou seja: o TSE puniu, se punir. Ou não puniu, punindo. Você é quem escolhe a interpretação. Mas que tal pensarmos melhor nas questões que foram levantadas sobre o assunto na imprensa?

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Dilma e Serra têm razão: eleição é tanto Lula x FHC como análise de biografias

11 de Maio de 2010, às 10:51:41 Postado há 3 meses e 3 semanas atrás

            

Fala-se muito que a principal estratégia de campanha de Lula para este ano seria o que a imprensa chamou de “estratégia plebiscitária”, ou seja, transformar a eleição em uma comparação entre os governos Lula e FHC, em um grande referendo sobre seu mandato: se aprova Lula, vote Dilma. O antídoto planejado por José Serra seria, por outro lado, o que poderíamos chamar de “estratégia biográfica”, em que está batendo na tecla de que sua carreira política é muito superior à de Dilma, sendo melhor preparado para conduzir os frutos do bem avaliado governo Lula.


No entanto, essa é briga em que todos gritam e todos têm razão. Afinal, o eleitor leva em conta múltiplos fatores na hora de decidir o voto. É evidente que levará em conta a comparação entre Lula e FHC e isso é muito saudável, afinal não é isso que sempre se pinta como sendo o ideal, ou seja, um eleitor capaz de avaliar projetos políticos mais amplos? Por outro lado, é certo que os eleitores irão, também, avaliar as biografias dos candidatos. E também com razão: precisam sentir que o candidato tem condições de conduzir o país e, depois de apoiarem um grande projeto político, também precisam sentir que seu candidato está com condições de tocar esse projeto.

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Convite de Serra ao PT para futuro governo é só jogada de marketing. Mas de craque

7 de Maio de 2010, às 11:19:53 Postado há 4 meses atrás

            

Ontem, em evento que reuniu Dilma, Marina e Serra em um mesmo palco, no que vem sendo chamado de primeiro pré-debate, o candidato tucano disse: “pode parecer uma heresia o que eu vou falar: se eleito, vou querer PT e PV no governo em função de objetivos comuns, com base em programas. O Brasil vai precisar estar junto nos próximos anos. Hoje e ontem a oposição sempre teve um comportamento que empurra o governo para um lado que não devia”.


Fora o ato-falho de assumir que a oposição tem, mesmo agora que seu partido é oposição, um comportamento que empurraria o governo para o lado errado (o que é estranhíssimo e poderia facilmente ser considerado uma gafe grandiosa de Serra), seu rascunho de convite ao PT é jogada de mestre. Pura jogada de marketing sim, é óbvio. Mas e daí? É das mais bem elaboradas. Vejamos.

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Entenda a crítica de Serra ao Mercosul e algumas diferenças nos projetos de política externa

30 de Abril de 2010, às 9:20:43 Postado há 4 meses e 1 semana atrás

                

Dias atrás, o candidato José Serra desceu críticas bem pesadas ao Mercosul. Daquelas que, sendo justas ou injustas, foram tão pesadas que seriam perfeitamente taxadas como grande deslize ou gafe se o ex-governador fosse iniciante em campanhas como sua adversária Dilma Rousseff ou caso falasse linguagem popular como Lula. Logo de cara, causou reações de chanceler argentino e até de jornal dos vizinhos. E obrigou Serra ao constrangimento das explicações sem fim e sem sucesso.


Mas fora o deslize tático, é importante entender as críticas feitas por Serra. A grande crítica do candidato é um fato. Para ele, o grande problema do Mercosul é que inviabiliza que o Brasil assine acordos de abertura de mercado individualmente com outros países. Os chamados acordos bilaterais, entre duas nações, ficam impedidos e o Brasil hoje é obrigado a negociar não sozinho e em seu nome. Tem que procurar acordos com outros países sempre na dependência de que os outros membros do Mercosul também concordem com o acordo. Por óbvio, isso dificulta que qualquer acordo aconteça, por uma questão que chamamos na Ciência Política de “dilema da ação coletiva”. Quanto mais gente senta à mesa, maior a chance de não haver consenso. Simples assim.


E o Mercosul também tem uma série de outros problemas. Serra já criticou tempos atrás que o Brasil faz concessões demais aos países vizinhos e não ganha nada em troca. Mas é óbvio que o Mercosul também tem suas vantagens. E disso Serra não falou e não fala. Mas a questão não é analisar aqui os prós e contras do Mercosul (o que aliás daria um belo post no futuro! ;) ). O ponto onde estou querendo chegar é que a crítica de Serra deixa à mostra uma divergência enorme para com o governo Lula, que ele não queria transparecer para não comprar briga: a política externa que se desenha por trás do comentário de Serra é completamente diversa da de Lula. E portanto da de Dilma, que segue Lula.

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Tempo no horário eleitoral precisa ser grande. Mas não é quanto maior melhor

27 de Abril de 2010, às 10:35:42 Postado há 4 meses e 1 semana atrás

            

É verdade que um dos grandes interesses de um candidato na hora de somar partidos na sua candidatura é conseguir mais tempo de rádio e TV. É que um terço do horário eleitoral gratuito é dividido igualmente entre todas as candidaturas e dois terços são divididos de acordo com o tamanho dos partidos de cada candidatura na Câmara Federal eleita 4 anos atrás.


Sabendo disso, hoje a Folha divulgou notícia dando conta de que Dilma terá entre 48 e 55% de tempo a mais do que Serra. E o comentarista do jornal e do portal UOL , Fernando Rodrigues aproveitou e tratou do assunto em seu blog, mas trabalhando com números um pouco menos favoráveis a Dilma.


Mas o tom com que se analisa esse tema está freqüentemente errado. Sempre dá-se a entender que quanto maior o tempo de horário eleitoral, maiores as chances de vitória de um candidato. De forma linear. E as pesquisas sobre o assunto na Ciência Política indicam que isso é no máximo uma meia verdade. E olhe lá.


Primeiro, há diversos fatores que anulam ou potencializam o papel do horário eleitoral. Fatores ocorrendo ao mesmo tempo. As pesquisas indicam que o efeito do tempo de TV e rádio não é tao forte quanto se supõe. E em segundo lugar e mais importante: para ter mais chances de vencer, esse tempo de exposição precisa ser grande, claro. Mas a partir de um determinado patamar, não faz mais diferença somar minutos a mais. Ou seja, tempo de TV e rádio de um candidato não pode ser pequeno, mas não é proporcional às chances de vitória no sentido “quanto mais, mais chances”.


Basta lembrar que a aliança do PSDB teve maioria do tempo tanto nas vitórias de FHC em 1994 e 1998, quanto nas derrotas de Serra em 2002 e Alckmin em 2006. Respectivamente 27%, 47%, 41% e 41%. E mais: quando Lula ganhou de Serra, esse tinha 95% a mais de tempo do que Lula. E em 2006, Alckmin tinha 41% a mais.


Ou seja, Dilma e Serra conseguiram tempo de TV e rádio bastante grande para as eleições de 2010. Patamares que eram necessários para candidaturas de alta competitividade. A partir daí, não vai ser a diferença nessa quantidade que fará diferença no resultado eleitoral. Se a campanha de Dilma aposta nisso, hora de cair na real.

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Briga de bar entre institutos de pesquisa é tola, porque faltam 33%

15 de Abril de 2010, às 10:39:48 Postado há 4 meses e 3 semanas atrás

                    

Ok, Dilma alcançou José Serra segundo a pesquisa Sensus.

Mas não entendo porque a Folha, do Datafolha, atacou o instituto Sensus e antes já havia atacado o Vox Populi quando esse apontava resultados muito diferentes do Datafolha (que trazia, solitário, uma súbita e intensa escalada de 9 pontos de José Serra). Fora o ataque jurídico feito ontem pela campanha Serra ao Sensus.

Não entendo essa guerra tão cedo, porque sobre os resultados atuais de Dilma e Serra eu me pergunto: e daí? Ambos estão com cerca de 33%, ou seja um terço das intenções de voto. Só que, em primeiro lugar, esse último terço que falta corresponde a quase uma Argentina inteira.

E em segundo, para piorar: por um lado Dilma está apenas atingindo a marca histórica do PT em pleitos federais. E por outro, Serra também nunca passou muito disso. Ele teve 29% no primeiro turno de 2002. E apenas 38% no segundo turno. E sua média nas pesquisas para 2010, desde que Dilma passou a ser mais conhecida, nunca extrapolou os 35, 36%.

Ou seja: esse empate de Dilma não só era esperado como anunciadíssimo. Então, por favor, sem gritarias. Que tal parar de atacar institutos de pesquisa sem evidências relevantes de motivo para isso - o que por tabela denigre à toa o processo democrático?

Os 33% históricos atingidos pelo PT chegaram a Dilma. Serra está na sua marca média, igualzinha a essa. Isso significa apenas que a campanha começa agora. E tem mais 33% para serem conquistados. São 40 milhões de eleitores que não estão nem aí para essa briga burra entre jornais e institutos de pesquisa.

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