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‘Quem guarda os guardas?’

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Ministério Dilma, parte 1: para contextualizar, é preciso abandonar a inútil idéia do fisiologismo

21 de Dezembro de 2010, às 16:51:36 Postado há 3 anos e 11 meses atrás

        

Charges do Paixão - http://www.gazetadopovo.com.br/charges/index.phtml?ch=Paix%E3o



Nesse momento em que Dilma quase termina de nomear sua equipe de governo, acho que seria interessante aproveitar os dias de férias para posts avaliando sua primeira equipe ministerial. Começo hoje contextualizando a questão: antes de quaisquer elogios ou críticas ao ministério Dilma, é necessário ressalvar os leitores e leitoras de um mito clássico de nossa política. Falo da idéia de que divisão de cargos é fisiologismo e de que nossa política é muito atrasada nesse sentido, uma troca suja de cargos por apoio. Bobagem: uma das principais áreas em que venho concentrando minha carreira tem a ver justamente com as nomeações ministeriais e, do ponto de vista comparativo, não fazemos nada de muito diferente das chamadas democracias desenvolvidas.

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Principais revelações do Wikileaks não estão nos documentos

14 de Dezembro de 2010, às 14:39:49 Postado há 3 anos e 11 meses atrás

        

Charges do Alpino - http://colunistas.yahoo.net/colunistas/28/index.html



O site Wikileaks, criado e encabeçado pelo australiano Julian Assange, dedica-se a organizar, armazenar e divulgar documentos secretos de países e empresas. Funciona assim: eles não roubam, encomendam ou espionam documentos ou repartições públicas ou privadas, mas apenas se limitam a receber o que terceiros porventura lhes enviem. Daí, fazem uma seleção, verificam a autenticidade dos documentos e divulgam. No fim deste ano, o Wikileaks anunciou o vazamento de mais de 251.287 documentos, a grande maioria seriam comunicações diplomáticas americanas com suas embaixadas ao redor do mundo. Desses, divulgou até agora apenas 1.344 (0,6%), mas já foram suficientes para causar a fúria de americanos e de quase todos os países aliados de Washington.


Mas a meu ver, a principal contribuição desse vazamento do Wikileaks até aqui não está em um ou outro dos documentos secretos. A principal contribuição do site foi, através da reação que causou, conseguir desmascarar em questão de dias o verniz moderno e democrata que administração Obama se esforça por ostentar. É claro que não seria de se esperar que o presidente americano ou seus secretários ficassem felizes com a atuação do Wikileaks, muito menos endossassem a publicação de documentos vazados de dentro do governo americano. Seria natural esperar reações duras, críticas severas, a velha política americana de perseguição moral a seus inimigos, a acusação judicial das pessoas que tenham vazado os documentos ao site. Contudo, o que não é natural, nem compreensível, nem aceitável, é assistir o governo Obama, apoiado pelas administrações de quase todos os países do mundo dito desenvolvido, realizar verdadeira caça a Assange e ao Wikileaks em uma postura autoritária que remete aos filmes hollywoodianos mais clichê sobre conspiração governamental.

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O vazamento de informações secretas nos EUA e a imprensa

1 de Dezembro de 2010, às 18:06:25 Postado há 3 anos e 12 meses atrás

            

No último domingo o site Wikileaks começou a publicar os mais de 250 mil documentos secretos do governo americano, em maioria comunicações enviadas por embaixadas dos EUA em outros países nos quais embaixadores passaram a servir como verdadeiros espiões. Mas no lugar de entrar nessa questão hoje, gostaria apenas de deixar duas rápidas observações que esse assunto permite no que se refere ao papel e à atuação da imprensa.

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Dilma não dependeu do Norte e Nordeste, nem do Bolsa Família e não houve Norte x Sul

1 de Novembro de 2010, às 21:27:55 Postado há 4 anos atrás

                    

Pretendia começar este período pós-eleitoral fazendo uma avaliação da vitória de Dilma Rousseff, mas sou obrigado a dar minha pequena contribuição ao combate do mais recente mito que circula na internet e até entre analistas. Mito só não, um verdadeiro preconceito regional que desvirtua a análise de dados simples: refiro-me, claro, à idéia rapidamente difundida de que a vitória de Dilma teria sido garantida pelos nordestinos ou ao menos pelos nortistas somados aos nordestinos. O assunto mal esconde 3 pontos que muitas vezes se retroalimentam: 1) o preconceito puro e simples daqueles sul-sudestinos que, descontentes com o resultado eleitoral, dizem asquerosamente que “foi culpa do Nordeste”; 2) a idéia que vem surgindo desde 2006 de que vem havendo uma divisão política do Brasil em duas partes: uma porção sul mais tucana e outra porção norte mais lulo-petista e 3) a simplificação também preconceituosa de que a vitória de Dilma é coisa do Bolsa Família (ou seja, a preconceituosa frase do “Nordeste votou com o estômago”). Pois bem, vamos ver por que são absurdos?

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Momento atual das campanhas e o debate do segundo turno na Record

26 de Outubro de 2010, às 14:23:20 Postado há 4 anos e 1 mês atrás

                    

Charges do Paixão - http://www.gazetadopovo.com.br/charges/index.phtml?foffset=14&offset=&ch=Paix%E3o



O debate entre Dilma Rousseff e José Serra ontem, na Record, seguramente não mudará as intenções de voto de ninguém. Primeiro, porque como sempre ressalvo, debates não têm vencedores: cada eleitor tende a achar que seu candidato preferido venceu. Mas podem ter perdedores no caso de um dos candidatos ir muito mal, deslizar feio, cometer gafes. Segundo, porque com respostas de 2 minutos não se avalia conteúdo, mas apenas a forma: o desempenho em um evento ao vivo. Terceiro, porque os debates seguem as audiências de suas emissoras e o de ontem começou no inacreditável horário das 23 horas (veja mais sobre essas ressalvas aqui, aqui e aqui e sobre os debates anteriores: 1ºturno: Band, UOL, RedeTv; 2ºturno: Band, RedeTV). Ou seja, o debate de ontem feito para ninguém assistir e apenas para que Dilma e Serra gerassem imagens para suas propagandas (o que de fato, aliás, aconteceu). Mas um debate que representa muito bem o momento atual das duas campanhas bem como os caminhos que seguirão.

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Algumas observações sobre o ‘fato novo’ das quebras de sigilo

8 de Setembro de 2010, às 18:13:50 Postado há 4 anos e 2 meses atrás

                        

Charges do Paixão - http://www.gazetadopovo.com.br/charges/index.phtml?ch=Paix%E3o



Creio que dez em cada dez analistas e comentaristas de política acompanharam o crescimento de Dilma e queda de Serra nas pesquisas do último mês dando a vitória da petista como favas contadas, a não ser que surgisse o que chamaram de “fato novo”. A idéia era sempre a de que apenas algum fato inesperado e bombástico poderia alterar o rumo das eleições. E convenhamos: “fato novo” é um eufemismo acanhado para “escândalo”. Afinal, um fato desconhecido que surja um mês antes do dia de ir às urnas e abale as intenções de votos só pode ser um escândalo de grandes proporções. Não creio que algum leitor acreditasse que “fato novo” poderia ser uma bela proposta de governo tirada da cartola de última hora. Pois bem, o fato novo surgiu.

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Transferência de votos para Dilma vem de Lula ou do governo Lula?

28 de Agosto de 2010, às 21:39:40 Postado há 4 anos e 3 meses atrás

                

teste

Charges do Lute - http://blogdolute.blogspot.com



Hoje o Ibope divulgou nova pesquisa presidencial que me interessa pelos seus detalhes, não tanto pelo seu resultado geral - pois ao mostrar Dilma com 24 pontos percentuais à frente de Serra apenas reforça os cenários já traçados e discutidos. E me interessa especialmente pela análise de alguns desses detalhes feita por José Roberto de Toledo, no portal Estadão. A abordagem desse texto me permite concentrar atenção em uma questão que venho tocando de leve aqui no blog: a transferência de prestígio para Dilma vem de Lula ou vem do governo Lula? São coisas diferentes e, na verdade, essa diferença é muito importante, central mesmo, para entender as eleições de 2010 e algumas questões de fundo da política do país. Vamos lá?

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Formas e conteúdos das entrevistas dos candidatos no Jornal Nacional

12 de Agosto de 2010, às 17:50:39 Postado há 4 anos e 3 meses atrás

                    

Nesta semana, o Jornal Nacional entrevistou os 3 candidatos à presidência que têm mais de 1% 3%* dos votos nas pesquisas, um por dia: Dilma na segunda-feira, Marina na terça e Serra ontem. A ordem foi decidida por sorteio e cada entrevista teve 12 minutos, com mais 30 segundos para as considerações finais dos candidatos. As perguntas eram decididas pela redação do próprio jornal, que é chefiada pelo apresentador William Bonner. As entrevistas foram feitas por ele e por Fátima Bernardes. Estou curioso para saber: o que vocês, leitores, acharam do desempenho dos candidatos e dos entrevistadores? Hoje vou dar minhas impressões. Para quem não viu as entrevistas, os vídeos delas seguem logo abaixo do texto.

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Debate eleitoral e o mito do eleitor sem interesse: debate é só forma, não conteúdo

9 de Agosto de 2010, às 14:56:49 Postado há 4 anos e 3 meses atrás

        

Ainda sobre o debate entre os candidatos à presidência na Band, na quinta passada, creio que seja interessante tocar na discussão sobre o quanto a audiência do debate foi baixa (5,5 pontos no Ibope) quando comparada com a audiência da semifinal da Copa Libertadores de futebol (34 pontos), que a Globo transmitia ao mesmo tempo. Seria essa mais uma evidência de como o brasileiro seria especialmente alienado ou desinteressado por política em prol do futebol, como muitas pessoas pensam e como até comentaristas de política sugeriram?


Não necessariamente. Se o eleitor é ou não assim é questão que não pretendo discutir hoje, embora venha sempre falando aqui que todos os indícios indicam o contrário: em termos de política, somos um povo similar aos demais, vejam só! Mas hoje, quero apenas sugerir que esse confronto entre debate eleitoral e futebol, em particular, nada mostra sobre o desinteresse dos eleitores-telespectadores pelos assuntos eleitorais. Vejam o que estou querendo dizer.

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Rapidinhas: Vox Populi faz pesquisa para PSDB também; mais gente entrevistada não torna pesquisa mais confiável

30 de Julho de 2010, às 17:44:39 Postado há 4 anos e 3 meses atrás

    

Antes que saiam os resultados do Ibope para as eleições presidenciais (previstos para hoje), vale acrescentar duas rapidinhas sobre as pesquisas Datafolha e Sensus que andei vendo hoje.


Primeiro, para os que gostam das teorias conspiratórias contra os institutos, é bom ver o Lauro Jardim, no seu blog na Veja, dando breve nota sobre o fato de que o Vox Populi (acusado de ser dilmista) faz pesquisa para os tucanos também: “Apesar de o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, desqualificar o Vox Populi, vários de seus carreligionários não o seguem. Na terça-feira, o diretório do PSDB no Tocantins registrou na Justiça Eleitoral um pesquisa estadual encomendada ao instituto. Há meses, o diretório mineiro também faz o mesmo”.

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Segundo, dentro das diferenças metodológicas entre esses institutos, que andei explicando esses dias, certamente não se inclui como relevante o ponto toscamente levantado pelo Reinaldo Azevedo também no seu blog na Veja. Não quero nem entrar na bobagem que ele levanta de o Vox Populi ter menos credibilidade que o Datafolha por fazer pesquisa também para partidos. Primeiro, porque isso é comum no mundo todo. Segundo, porque o Vox Populi, como acabo de mencionar acima, também faz pesquisa para o PSDB. Terceiro, porque o Datafolha faz pesquisa para grupos ligados e simpatizantes de PSDB também. Isso é bobagem, jogo, torcida. Então, deixado o frufru, vamos ao que interessa! :)


O que me interessa realmente é corrigir uma tolice que não é só mencionada por Azevedo não, mas por muita gente que devia informar você, leitor, e não perpetuar mitos. Trata-se da idéia de que quanto mais gente entrevistada, mais confiável uma pesquisa seria. Qualquer comentarista sério sjá se informou e sabe que, a partir de determinado patamar, o número de entrevistados não importa. Isso mesmo: ao contrário do que imaginamos, não faz diferença uma pesquisa entrevistar 20 mil ou 2 mil pessoas. Seu grau de acerto e de erro é igual! Vários estudos já foram feitos no mundo todo demonstrando isso a mais de meio século e pretendo explicar isso melhor, em breve, aqui no blog. O que importa é se os entrevistados são divididos obedecendo o mesmo percentual de tipos sociais do país: homens e mulheres, negros e brancos, pobres e ricos, pouco e muito educados, que vivem em cada estado, etc. Acreditem: ainda que difícil de visualizar ou entender que o número maior de entrevistados não afeta nada, isso é de conhecimento banal a qualquer pessoa envolvida com pesquisa ou estatística. E tem explicação matemática simples. Então, é grave comentarista não saber disso. Daí, há muitas diferenças metodológicas entre Vox Populi e Datafolha, que fazem um e outro melhor ou pior dependendo do que se considera, como venho apontando. Mas citar o número de entrevistados, sinceramente, é dose viu.


Continue passando por aqui que você logo encontrará a explicação para esse fato inusitado: de que mais gente entrevistada não muda nada. Será um prazer explicar. ;)

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Ciro voltando atrás: a inocência quixotesca de analistas não é nada inocente

29 de Julho de 2010, às 17:48:02 Postado há 4 anos e 4 meses atrás

                

Depois de breve tempo de reclusão, Ciro Gomes voltou aos noticiários por se encontrar com Dilma Rousseff e, depois de voltar atrás na sua neutralidade na campanha, declarou apoio à campanha do PT. Dizem que Ciro será convidado a participar formalmente da campanha, a pedir votos para Dilma e até a aparecer no programa de TV e rádio da candidata. Em geral, o tom dessas notícias e, especialmente dos comentários como os de Josias de Souza em seu blog no Uol, são de que Ciro não mantém a palavra, pois quando foi preterido por seu próprio partido, o PSB, em prol do apoio a Dilma, ele havia dito que estaria fora da campanha. Ciro seria um homem do “vai e vém”, que dança conforme a música, joga de acordo com as circunstâncias, volátil.


Em que pese as opiniões que cada um de vocês, leitores, tenham a respeito de Ciro Gomes, creio que é preciso cuidado com esse tipo de análise. Não porque esses adjetivos e caracterizações de Ciro sejam falsos. Pelo contrário, é tudo verdade. Mas pelo simples fato de que são a definição de fazer política profissional quando se tem peso eleitoral concreto (eu disse quando se tem densidade eleitoral, então exemplos de políticos com 0% dos votos não desmentem a lógica). O que quero dizer é: políticos são por definição voláteis, moldáveis, dançam conforme a música. Mudam de opinião rapidamente de acordo com as conveniências para suas carreiras. Definir Ciro como sendo assim, como se fosse característica dele e não do sistema político, é ser parcial. É o tipo de meia verdade enganadora, utilizada para direcionar a opinião pública.

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Rapidinha: Índio não é tolo; L.Hippólito muda de idéia; analista acha que representa eleitores

27 de Julho de 2010, às 23:40:03 Postado há 4 anos e 4 meses atrás

    

Passagem rápida em casa requer uma rapidinha aqui no blog. :)


É que eu li antes de ontem na Folha um artiguinho do Elio Gaspari em que ele também acha que os rompantes de Índio da Costa, vice na chapa de Serra, são propositais. Não têm nada de deslize. Esse era meu argumento alguns posts atrás e nesse texto, antes de ontem, Gaspari disse o seguinte (que acho boa interpretação):
“José Serra começou sua campanha dizendo que ‘não aceito o raciocínio do nós contra eles’, e em apenas dois meses viu-se lançado pelo seu colega de chapa numa discussão em torno das ligações do PT com as Farc e o narcotráfico. Caso típico de rabo que abanou o cachorro.

O destempero de Indio da Costa tem método. Se Tupã ajudar Serra a vencer a eleição, o DEM volta ao poder. Se prejudicar, ajudando Dilma Rousseff, o PSDB sairá da campanha com a identidade estilhaçada. Já o DEM, que entrou na disputa com o cocar do seu mensalão, sairá brandindo o tacape do conservadorismo feroz que renasceu em diversos países, sobretudo nos Estados Unidos”.
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Ainda nessa linha de assunto, percebam como sutilmente os analistas vão deixando de endossar a versão de que Índio da Costa fez bobagem. Hoje no fim da tarde a Lúcia Hippólito deu o seguinte comentário (em áudio) para a rádio CBN: “Ataques do PSDB fazem parte do jogo eleitoral“. Isso após ter dito no dia 19 (também apenas em áudio): “Vice de Serra pegou pesado ao ligar PT ao narcotráfico” e principalmente, no dia 20, “Nossos problemas são enormes para termos uma campanha com clima de futrica“. Ouçam os três comentários. E aí, como é que fica? Sempre defendi que isso tudo faz parte da campanha. Mas precisou a campanha tucana achar isso oficialmente para alguns analistas passarem a achar também. Lamentável.
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Aliás, sobre outro assunto, reparem também o seguinte comentário (áudio, outra vez) feito por Hippólito: “Ausência de Serra e Dilma em debate pegou mal“. Independentemente de vocês, leitores, concordarem ou não com ela, ouçam o que ela diz para verificar um clássico exemplar de análise em que o analista confunde o que ele pensa com o que os eleitores pensam. É Lúcia quem acha que pegou mal Dilma e Serra abandonarem o debate online. Ninguém sabe se os eleitores ou mesmo os internautas acharam. Ou se a “opinião pública”, como ela diz (que é, diga-se, um termo curinga muito usado que sempre significa “quem pensa como eu”). Aliás, mesmo achar que o grande público ficou sabendo, é muito otimismo né não? Caso típico: o analista acha que os eleitores pensam algo que no máximo, quem pensa são os analistas.

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Entendendo algumas diferenças metodológicas que fazem Vox Populi e Datafolha tão diferentes

26 de Julho de 2010, às 19:26:22 Postado há 4 anos e 4 meses atrás

        

O torcedor, o eleitor e o brasileiro (charge do Amarildo em http://amarildocharge.wordpress.com)


Nesse fim de semana foram divulgadas duas novas pesquisas de opinião eleitoral com resultados bastante diferentes entre si: sexta a do Vox Populi com Dilma 8 pontos à frente e sábado a do Datafolha com ela e Serra empatados. Ainda que os resultados de todos os institutos apontem em geral a mesma tendência de crescimento de Dilma e estagnação de Serra, como demonstrado pelo excelente Günter Zibell no blog do Nassif, essa diferença entre os últimos Datafolha e Vox Populi vem sendo alvo de muitos debates pela internet. Como se diz que seus resultados, a princípio, devem-se a suas diferentes metodologias, que tal ajudar vocês a entender os principais pontos de diferença metodológica entre esses institutos?


Para começar, podemos usar o post de José Roberto de Toledo, do Estadão, que traz um quadro com algumas características que diferenciam as metodologias de Datafolha e Vox Populi. Nele, destacam-se basicamente: 1) método de coleta (entrevista em domicílio, pelo Vox, versus entrevista em pontos de fluxo de pessoas, pelo Datafolha), 2) a pergunta-esquenta feita pelo Vox Populi: antes de perguntar em quem o entrevistado votaria, indagam o grau de conhecimento do entrevistado sobre os candidatos; 3) mais importante de tudo, o Vox Populi informa aos entrevistados a que partido pertence cada candidato, enquanto Datafolha não. E há também outros dois pontos relevantes não citados por Toledo: 4) o Datafolha não escolhe entrevistados guardando proporção com o grau de escolaridade da população brasileira e 5) Nassif levantou uma dúvida técnica diretamente aos diretores desses institutos que ainda espera a resposta do Datafolha: metodologicamente, parece que Datafolha descartaria entrevistados que não possuem telefone (celular ou fixo). Agora, para ser objetivo ao máximo, vamos direto a uma breve explicação de cada um dos pontos, ok?

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Faltar a debates é tática clássica. Não é de hoje, não é da Dilma, não é do Serra

23 de Julho de 2010, às 19:21:21 Postado há 4 anos e 4 meses atrás

                

Dias atrás, a candidata Dilma Rousseff desistiu de participar daquele que seria o primeiro debate online entre candidatos a presidente na história eleitoral do país, promovido por Yahoo, IG, Terra e MSN. Alegou problemas de agenda, tal como José Serra que ontem fez o mesmo e também afirmou que não irá ao debate, que então foi cancelado. Que não se venha com a explicação amiga de que Serra só desistiu do debate porque Dilma o fizera: afinal, nem sua própria campanha deu essa desculpa para ficar bem na fita. Assumiu desistência com o mesmo argumento de Dilma, “problemas de agenda”. Então, ambos abdicando de debate, surge a questão: por que raios candidatos desistem de debates? Medo, covardia, algo a esconder, como a análise política costumeira gosta de simplificar?

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Rapidinhas: aumento dos juros; detalhes sobre queda na desigualdade

22 de Julho de 2010, às 16:40:41 Postado há 4 anos e 4 meses atrás

            

Antes de publicar o novo texto, aqui vão duas rapidinhas, pra testar um modelo que pretendo começar a usar de vez em quando no blog para indicar um ou outro texto ou fazer comentários breves. ;)


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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, aumentou ontem a taxa de juros oficial do país, chamada taxa Selic, de 10,5% ao ano para 10,75% ao ano. Tempos atrás escrevi aqui um post explicando como se usa os juros para combater a inflação e quais as polêmicas em torno dessa política. Para quem não passava por aqui ainda, acho que vale a pena a leitura. Ajudará a entender duas críticas importantes feitas hoje a esse aumento de juros e que eu gostaria de passar aqui pra recomendar a vocês: a crítica de Luis Nassif à política econômica de Lula e a crítica de José Paulo Kupfer às decisões do Banco Central.


Kupfer sugere que o BC brasileiro avaliou mal a necessidade de combate à inflação. Teria super-dimensionado a inflação dos últimos meses e a prevista, e acabou errando a mão nos juros, aumentando-os desnecessariamente. Já Nassif, embora comente rapidamente sobre isso também, centra atenção nas conseqüências desse erro sobre a taxa de câmbio do país. Ou seja, quanto e porque os juros oficiais altos levam à queda na cotação do dólar e como isso destrói as exportações e incentiva as importações. E quem leu meu post, vai entender o que o comentarista citado por Nassif quer dizer com “a redução do crescimento não é uma consequência indesejada da política econômica atual, e sim, o seu objetivo” (a despeito de se você, leitor, apóia ou condena essa idéia).


___________________


A Fundação Getúlio Vargas divulgou um estudo técnico muito interessante sobre a queda na desigualdade no Brasil neste começo de século. O trabalho tenta identificar qual o peso dos programas de transferências de renda, das aposentadorias e dos salários na queda da desigualdade, avalia quanto custa mexer em cada um desses fatores e, por fim, mostra esses dados por região, por estado, por capital. Embora técnico, o estudo não é difícil de ler, pelo contrário. Aos desocupados interessados, está aqui. :P É vinculado a esse estudo o famoso gráfico que rodou a blogosfera, mostrando a queda na porcentagem de pobreza no país:




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Índio da Costa falou demais, mas sua jogada vem sendo interpretada de menos

19 de Julho de 2010, às 16:55:53 Postado há 4 anos e 4 meses atrás

                

A notícia política que inicia a semana na boca e nas linhas dos comentaristas e blogueiros são as declarações do vice de José Serra, Índio da Costa (DEM-RJ), para o site tucano Mobiliza PSDB. Depois de começar sua entrevista ao site pedindo por perguntas picantes aos internautas tucanos, Índio da Costa acaba por declarar que “todo mundo sabe que o PT é ligado às Farc, ligado ao narcotráfico, ligado ao que há de pior. Não tenho dúvida nenhuma disso”. Além de outras sugestões menos barulhentas sobre Dilma como as de que “Quem nos garante que no dia seguinte à eleição ela não vai fazer o que no Brasil é comum entre criatura e criador? Dá um chute no Lula e vai governar sozinha, com as garras do PT por trás dela (…) Em janeiro, se a Dilma é eleita, o Lula volta para casa. Mas o PT fica com todos aqueles mensaleiros. O Lula tem poder sobre eles, mas eles têm muito poder sobre a Dilma”.


A reação nos bastidores políticos, nos jornais, entre comentaristas e na internet, foi quase unânime em criticar as declarações como um deslize, erro de tática e baixaria. Difícil ver tamanha unanimidade na crítica de uma figura política tal como a que Índio da Costa vem sendo alvo antes e principalmente agora depois dessas declarações. Contudo, tal como Nelson Rodrigues, não confio na unanimidade. :) E portanto, nesse episódio desconfio muito das conclusões apressadas de que: 1) as declarações teatrais e inventivas de Índio da Costa tenham surtido algum efeito negativo sobre a campanha Serra; 2) tenham sido aleatórias, meros rompantes de alguém inexperiente, um erro de tom. Quer ver só?

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Nova pesquisa Ibope: 5 questões que você não encontrará por aí

24 de Junho de 2010, às 10:50:47 Postado há 4 anos e 5 meses atrás

                        

Ontem de noite, foi publicada uma nova pesquisa de opinião eleitoral do Ibope, cujo resultado surpreendeu a campanha Serra: o tucano apareceu atrás de Dilma, tal como diziam Sensus e Vox Populi, mas ainda mais atrás. E isso, mesmo depois de Serra ter grande exposição de mídia nos horários partidários na TV e rádio do PSDB, do DEM e do PPS. Como a avaliação era de que Dilma havia tido rápido crescimento, um mês atrás, por causa do horário político do PT, esperava-se que essa exposição ainda maior fizesse Serra subir ou ao menos congelasse o patamar das intenções de voto para que a campanha para valer fosse inaugurada mantendo ao menos empate com Dilma.


Mas nada disso aconteceu. No primeiro cenário, apenas com os nomes de Dilma, Serra e Marina, os resultados do Ibope de ontem foram respectivamente 40%, 35% e 8% das intenções de voto. E no cenário em que aparecem também os nomes dos outros dez candidatos pouco conhecidos, Dilma fica com 38%, Serra com 32% e Marina com 9%. Já tratei do crescimento de Dilma aqui no blog e, na verdade, muito se falou e falará disso na imprensa e na internet. Portanto, reservo para hoje lembrar você, leitor, de 5 pontos que certamente a maioria das análises irá esquecer de tratar. Vamos lá?

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Entendendo o reajuste de Lula à previdência e o jogo de ganhos mútuos

16 de Junho de 2010, às 13:28:43 Postado há 4 anos e 5 meses atrás

        

O presidente Lula decidiu ontem aceitar o reajuste de 7,7% para os aposentados, alteração feita pelo Congresso enviada pelo presidente e que havia sido motivo de críticas por parte do próprio governo. As críticas derivavam do argumento de que o governo já havia enviado ao Congresso proposta de reajuste bem acima do previsto inicialmente (6,14% contra 3,5%), ou seja, bastante acima da inflação e até do crescimento do PIB. E também, de que quanto maior o aumento, mais ampliaria o chamado rombo da Previdência.


Mas se o Congresso alterou o reajuste para cima e Lula não vetou, teria o presidente, então, feito demagogia como acusam diversos comentaristas como Lucia Hippólito, Kennedy Alencar e a GloboNews em peso? Teria Lula permitido um aumento no rombo da previdência para não fazer feio aos aposentados em ano eleitoral, por ficar refém dos parlamentares (capitaneados pela oposição)?

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Indignação seletiva aceita o “Eixo do mal” de Bush

5 de Junho de 2010, às 10:00:24 Postado há 4 anos e 5 meses atrás

        

(post agendado - estarei em trânsito)


Deve ser impossível achar no mundo alguém que defenda Robert Mugabe, o violento ditador do Zimbábue. Nesse sentido, é claro que deu certo asco assistir a CBF levando a seleção brasileira para apertar a mão de um governante desse nível ao realizar um amistoso pré-Copa naquele país. Do mesmo modo, é verdade óbvia que o Brasil se relaciona bem com países abaixo da crítica: o Irã e sua falta de liberdade civil e religiosa, a Venezuela do Chávez nada democrático, entre outros.


Mas o que me causa espanto, é justamente a falta de espanto, a falta de indignação, quando o Brasil se relaciona com outros tantos países reprováveis mas que apenas não fazem parte da lista de desafetos americanos. Ora, se a seleção brasileira jogar contra o Zimbábue é um absurdo, então temos de ser coerentes: resta nos indignarmos também quando a seleção for jogar contra China ou Arábia Saudita (país que não só é ditadura repressora, como pertence a uma família). Ou poderíamos também ter tido a mesma indignação com a própria realização das Olimpíadas de Pequim. E aliás, e se o Brasil fosse fazer um amistoso contra Israel nesta segunda e não contra mais um país africano desconhecido? Logo depois do massacre dos ativistas humanitários dessa última semana?

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Entendendo o que é superávit primário e o mito do corte de gastos para atingi-lo

3 de Junho de 2010, às 15:42:22 Postado há 4 anos e 5 meses atrás

        

Reportagem de hoje no jornal Estadão permite começar a entrar um pouco na questão dos gastos públicos, que eu já havia abordado muito inicialmente em post antigo. Segundo a chamada da reportagem, “números mostram que superávit primário obtido nos últimos anos foi garantido pelo aumento da arrecadação e não pelo corte das despesas”.


Há muitos mitos nessa discussão. O primeiro, é achar que todo aumento de arrecadação acontece por aumento de impostos. O segundo, é pressupor que a economia feita para pagar dívida pública (que é para o que serve, na prática, o superávit primário) deva ser feita por corte de despesas e não por aumento de arrecadação. Que tal entender isso melhor?

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