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	<title>Politicando</title>
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	<description>Politicando, política, brasil, eleições, partidos, congresso, Fabricio, Vasselai</description>
	<pubDate>Fri, 03 Sep 2010 17:18:04 +0000</pubDate>
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		<title>Rapidinhas: voltando; tracking e efeito dossiê; Nordeste nas eleições</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Sep 2010 17:18:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fabricio Vasselai</dc:creator>
		
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Hey, caros leitores! Justo em um dos períodos de mais acesso do blog, fui obrigado a ficar mais distante e a fazer atualizações escassas, 1 ou 2 vezes por semana. Quando meu ritmo normal é de ao menos um dia sim outro não.<br />
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Mas tive um motivo justo: uma temporada em São Paulo para apresentar seminários, debater com parlamentares e pesquisadores e, também, começar a encaminhar minha candidatura ao doutorado na USP. Então, espero poder conversar com vocês direto de novos estudos na universidade, ano que vem <img src='http://politicando.blog.br/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' /> . De todo modo, estou tentando voltar para casa no feriadão: finalmente os posts voltarão ao normal, como estavam nas outras semanas! Para isso, estou preparando uma explicação sobre a modalidade de pesquisas eleitorais de tracking, que pela primeira vez o Vox Populi vem disponibilizando. E também, um post explicando nosso sistema eleitoral de lista aberta versus o sistema de lista fechada, que é mais tradicional em outros países. Alem disso, penso em escrever algo sobre o impacto do escândalo das quebras de sigilo da Receita sobre a preferência eleitoral. Que tal? Aguardem que algum desses sai hoje ou amanhã!</p>
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Enquanto isso, vou indicar aqui exatamente os <a href="http://ultimosegundo.ig.com.br/eleicoes/tracking+voxbandig+dilma+tem+51+e+serra+fica+com+25/n1237767534778.html" target="_blank">resultados dos últimos trackings</a> do Vox Populi, para vocês irem se familiarizando com o assunto. Uma das vantagens dessa pesquisa é <a href="http://ultimosegundo.ig.com.br/eleicoes/trackings+permitem+antecipar+tendencias+na+definicao+do+voto/n1237767543456.html" target="_blank">acompanhar alterações  nas preferências eleitorais dia após dia</a>. E nesse sentido, até aqui o  escândalo da quebra de sigilos pela receita não parece ter afetado as  preferências eleitorais. É claro: em breve podemos conversar mais sobre isso para entender o impacto desse tipo de questão sobre as preferências eleitorais.</p>
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Agora, sobre outro assunto, recomendo muitíssimo a leitura de um post de José Roberto de Toledo, no seu blog no Estadão online: <a href="http://blogs.estadao.com.br/vox-publica/2010/08/28/nordeste-dita-a-tendencia-na-eleicao-2010/" target="_blank">&#8220;Nordeste dita tendência do eleitor na sucessão de 2010&#8243;</a>. Não assino embaixo de toda a análise, mas vale a pena o esforço de análise regional mais elaborado do que o padrão de comentaristas da grande imprensa. Especialmente, vale pensar sobre a seguinte afirmação, que acerta em cheio ao corrigir e de modo resumido mais um grande pré-conceito sobre a política recente:<br />
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<p style="padding-left: 30px;">&#8220;Na eleição 2010, quem dita a tendência é o Nordeste. Quando José  Serra (PSDB) ainda liderava sozinho as pesquisas sobre a sucessão  presidencial, os eleitores nordestinos já preferiam Dilma Rousseff (PT).  À época, era comum atribuir esse comportamento ao assistencialismo do  governo Lula na região.</p>
<p style="padding-left: 30px;">O tempo mostrou que essa explicação é reducionista e insuficiente.  Reducionista porque desde sempre a preferência por Dilma incluiu os  nordestino ricos e pobres, escolarizados ou não, com e sem bolsa  federal. E insuficiente porque ela não explica o fato de essa tendência  ter extrapolado as fronteiras do Nordeste&#8221;.</p>
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		<title>Transferência de votos para Dilma vem de Lula ou do governo Lula?</title>
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		<pubDate>Sun, 29 Aug 2010 00:39:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fabricio Vasselai</dc:creator>
		
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Hoje o Ibope divulgou nova pesquisa presidencial que me interessa pelos seus detalhes, não tanto pelo seu resultado geral - pois ao mostrar Dilma com 24 pontos percentuais à frente de Serra apenas reforça os cenários já traçados e discutidos. E me interessa especialmente pela análise de alguns desses detalhes feita por José Roberto de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><a href="http://blogdolute.blogspot.com/2010/08/charge-do-dia_15.html"><img title="Charges do Lute - http://blogdolute.blogspot.com" src="http://2.bp.blogspot.com/_0IeJ0ccSwfs/TGgbHurhCDI/AAAAAAAACvU/niIsihPzNm8/s400/AUTO_lute.jpg" alt="teste" width="400" height="320" /></a><p class="wp-caption-text">Charges do Lute - http://blogdolute.blogspot.com</p></div>
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Hoje o Ibope divulgou nova pesquisa presidencial que me interessa pelos seus detalhes, não tanto pelo seu resultado geral - pois ao mostrar Dilma com 24 pontos percentuais à frente de Serra apenas reforça os cenários já traçados e discutidos. E me interessa especialmente pela análise de alguns desses detalhes <a href="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100828/not_imp601656,0.php" target="_blank">feita por José Roberto de Toledo</a>, no portal Estadão. A abordagem desse texto me permite concentrar atenção em uma questão que venho tocando de leve aqui no blog: a transferência de prestígio para Dilma vem de Lula ou vem do governo Lula? São coisas diferentes e, na verdade, essa diferença é muito importante, central mesmo, para entender as eleições de 2010 e algumas questões de fundo da política do país. Vamos lá?<br />
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Começo concordando com o título da reportagem: “Não são atributos da petista que seduzem os eleitores”. Faz sentido. Dificilmente qualquer dilmista de carteirinha afirmaria que a candidata do PT tem como fonte primeira e principal de seus votos o apreço dos eleitores pelas qualidades dela como gestora, técnica ou mesmo seu histórico político. Mesmo que se admire essas ou outras características de Dilma, é difícil imaginar que a grande maioria de seus votos tenha nisso sua principal causa. Ainda que, é certo, admiração por atributos da candidata seja algo importante para solidificar votos, para não afugentar indecisos: nenhum poste ganha eleição. Tanto que <a href="http://www.istoe.com.br/assuntos/entrevista/detalhe/98312_O+BRASIL+JA+TEM+UMA+PRESIDENTE+" target="_blank">hoje em entrevista à revista IstoÉ</a>, o presidente do Ibope lembrou isso muito bem quando se desculpou formalmente por suas previsões apaixonadas, e não técnicas, feitas tempos atrás acerca da suposta vitória inexorável de Serra que ele enxergava. Ele mesmo afirma, agora, que Dilma provou não ser um poste e que, pelo contrário, mostra-se politicamente preparada – para além de tecnicamente preparada. E que isso também é importante para explicar sua força nas eleições. Mas de fato, é óbvio que se essas características de Dilma foram importantes para sustentar a campanha, ainda assim ninguém duvida que sua força eleitoral venha de outro lugar: Lula.<br />
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Mas será mesmo? Viria de Lula ou do governo Lula? A reportagem de José Roberto de Toledo tinha como chamada na página de política do Estadão online o seguinte trecho do texto: “dois em cada três votos [de Dilma] vêm explicitamente da transferência de prestígio do presidente”. Mas esse é um equívoco que venho criticando há algum tempo. Ao sugerir que o presidente transfere sua aprovação para a candidata, fica a idéia de que transfere sua aprovação pessoal, não a aprovação de seu governo. Ou seja, o fantasma que sempre ronda por trás desse assunto é o do personalismo, do populismo, da mitificação, do toque de Midas, da busca por heróis. O que se diz e se pensa nas entrelinhas é que Lula estaria dizendo ao eleitor em quem votar e os eleitores, parvos, seguem apaixonadamente o Grande Líder. De olhos fechados, como um massa ignorante, seguem a ordem do novo grande “painho” nacional. Não sabem votar, são tutelados.<br />
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Mas esse tipo de avaliação, às vezes aberta, às vezes escondida, às vezes até inconsciente, além de ser preconceituosa com o eleitor, é um equívoco. E pasmem, a própria pesquisa Ibope de hoje prova isso nos dados mais detalhados! Sim, indícios factuais, dados: José Roberto de Toledo não se dá conta na hora de concluir, mas ele mesmo informa isso no texto de sua reportagem! Vejamos. Ele começa dizendo:<br />
“Por que 51% dos eleitores declara voto em Dilma Rousseff (PT)? Principalmente porque, entre todos os candidatos a presidente, ela é vista como ‘a que tem mais condições de dar continuidade ao governo Lula’ ”. E mais importante, ao longo da reportagem nos informa que a pesquisa Ibope apresenta os seguintes resultados: “Nada menos do que 54% dos eleitores de Dilma citam como principal razão desse seu voto a continuidade do governo Lula, e outros 12% falam que votam nela porque é a candidata de Lula. Apenas 8% creditam seu voto ao fato de ela ter ‘mais capacidade para governar o País’. Outros 5%, por sua história de vida, e 4% por ela ser mulher”.<br />
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Ora, são apenas 12% os eleitores que dizem votar em Dilma por ser candidata de Lula. Número não tão distante dos 8% que dizem votar nela por julgarem que Dilma tem maior capacidade de governa o país. Aliás, se somarmos esses aos 5% que dizem fazê-lo pela história de vida dela, já são 13% pensando nos atributos de DIlma, mais do que os 12% que votam nela por ser candidata de Lula. Mas mais importante de tudo: 54% dos entrevistados têm como principal motivo de votar em Dilma “a continuidade do governo Lula”. Seriam cerca de 70 milhões de brasileiros dizendo que o querem é a continuidade do governo. Não votam em Dilma porque o senhozinho mandou. Não votam em Dilma porque amam Lula como tolos simplórios, cegos apaixonados pela figura do pai dos pobres. Votam em Dilma pura e simplesmente porque ela é a alternativa de continuidade.<br />
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Se tem diferença? Tem muita. O voto dessa maioria de 54% é um voto racional, do tipo “aprovo, voto”. O que se chama internacionalmente de voto retrospectivo e é sempre apontado como padrão de qualidade na Europa, nos EUA e em todos os países ditos democraticamente desenvolvidos. Não são votos personalistas, seguindo a pessoa de Lula. São votos calculados, racionais, seguindo o caminho que continua o governo que bem avaliam. E voto racional é assim, uai! Quer mudar quando não gosta, quer manter quando gosta. No mundo tudo isso é saudado como voto de qualidade. Mas voltem ao texto de Toledo e reparem como o autor se lamenta de que apenas 8% têm como motivo principal de voto o preparo de Dilma. Ele gostaria que o eleitor elegesse candidatos “competentes”, e não por projeto político. Onde está o personalismo mesmo: no eleitor ou nos analistas? Pois não consta que votar para manter projeto político que agradou (e não porque Lula mandou) seja voto de menos qualidade do que o voto em alguém “porque é bem preparado”. Pelo contrário, aliás.<br />
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Por isso, leitor, gostando ou não do governo Lula ou de Dilma Rousseff, não caia no discurso de que Lula transfere votos a Dilma. Quem transfere é o governo Lula: se o presidente tem aprovação de cerca de 80% de bom e ótimo em diversas pesquisas, seu governo não fica muito atrás e atinge patamares acima dos 70% de bom e ótimo também. O eleitor brasileiro não é tolo. Não vota em quem Lula manda - e por isso o apoio do presidente não basta para eleger candidatos nas outras esferas, como as pesquisas estaduais vêm mostrando. Vota, no nível nacional, em quem é candidato a continuar o trabalho do nível nacional. Simples, não é? Só que os analistas e a imprensa preferem colocar na conta de um populismo e de um personalismo que desqualifica o eleitor. E aliás, os estrategistas do PSDB também. E por isso perdem a eleição: porque como disse no penúltimo post, subestimam o eleitor brasileiro e assim armam suas táticas para poupar a imagem de Lula, mas bater no governo. Erro grave.<br />
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		<title>Rapidinhas: comunicados; detalhes do último Datafolha</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Aug 2010 15:14:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fabricio Vasselai</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Olá pessoal!
Antes de tudo, um pedido de desculpas pelo sumiço. Já faz 5 dias sem posts e até sem respostas para os comentários (e vocês sabem que minha política é de responder todos, um por um). Mas vem sendo uma semana puxada. Estou em São Paulo, onde participei daquele seminário que havia comentado aqui no [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olá pessoal!<br />
Antes de tudo, um pedido de desculpas pelo sumiço. Já faz 5 dias sem posts e até sem respostas para os comentários (e vocês sabem que minha política é de responder todos, um por um). Mas vem sendo uma semana puxada. Estou em São Paulo, onde participei daquele seminário que havia comentado aqui no blog. E fora preparar as apresentações, conversas com pesquisadores e políticos depois dos eventos e tudo mais&#8230;. bem, não sobrou tempo nem pra responder email. <img src='http://politicando.blog.br/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' /><br />
Hoje, começo a ficar mais livre e, então, vou preparar um post pra mais tarde ou no máximo pra amanhã. E também, responderei aos comentários que ficaram sem resposta nesses dias. Combinado?<br />
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Ah sim, falando em eventos, e atendendo aos  que pediram para eu informar datas dos eventos em que estarei, já confirmei mais duas: 9 de setembro em Porto Alegre, creio que na PUC, bate papo em que pretendo comentar aquela questão de que direitos individuais não se decidem em plebiscito, que escrevi no <a title="Politicando | &quot;Ganhando ou perdendo, direitos individuais não se decidem em plebiscito&quot;" href="http://politicando.blog.br/?p=618" target="_blank">post mais acessado do blog até hoje</a> (todo dia entram nele!). Daí no dia 28 de outubro, já sei que estarei em Caxambu-MG no encontro da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Ciências Sociais. Lá, retomo discussões sobre o papel das emendas dos parlamentares ao orçamento. Minhas passagens por BH (setembro), Brasília  e Rio (cancelada por enquanto) ainda precisam esperar mais um pouco. Pô, tá faltando uma oportunidade de ir pro Norte e pro Nordeste né! Humpf! <img src='http://politicando.blog.br/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' /> </p>
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Sobre a pesquisa Datafolha divulgada ontem e que mostra Dilma Rousseff com 20 pontos percentuais de intenção de voto a mais do que José Serra (49% contra 29%), não há muita novidade para comentar que já não tenhamos falado aqui sobre as últimas pesquisas. Mas há alguns detalhes interessantes que sugiro ficarem de olho.<br />
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Primeiro, há nessa pesquisa um novo tipo de dado, noticiado agora pouco pelo Uol: “<a href="http://www1.folha.uol.com.br/poder/789633-um-em-cada-cinco-eleitores-de-serra-prefere-programa-de-dilma-na-tv.shtml" target="_blank">Um em cada cinco eleitores de Serra prefere programa de Dilma na TV</a>”. Ou seja, temos agora um indicativo empírico, factual, uma prova, do que todos já comentavam sobre a má qualidade da propaganda eleitoral de Serra. Mas mais importante do que isso é pensar esse resultado sobre outro ângulo: se por um lado indica que os eleitores de Serra que assistem ao horário eleitoral estão conseguindo separar as coisas e fazer um julgamento crítico, também pode indicar que ao menos parte dessas pessoas representa eleitores menos fechados com Serra. Pois sabidamente os eleitores fechados com seu candidato tendem a pre-avaliar seu candidato e a campanha de seu candidato como melhor em tudo: debates, propaganda, desempenho, propostas, etc. Seria interessante cruzar essa pergunta com uma outra corriqueira nas pesquisas: aquela que pergunta qual a chance do eleitor de ainda mudar o seu voto. Mas sabem como é, parece que às vezes pedir da imprensa o óbvio é pedir demais&#8230;<br />
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Segundo: um dado mais desanimador para Serra do que o resultado geral do Datafolha que estampas as manchetes que nós lemos por aí, foi bem captado pela Renata Lo Prete na Folha, <a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2010/08/27/sem-estimulo-319485.asp" target="_blank">em frase reproduzida no blog do Noblat</a>: “Dilma tem hoje intenção de voto espontânea (35%) maior do que a obtida por Serra na pergunta estimulada (29%)”. Aqui sim há um indício de problema grave na campanha do tucano.<br />
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Esse indicio somado ao terceiro ponto, que é o fato de que Serra aparece abaixo dos 30%, mostra que não havia um piso claro e pré-definido para o apoio a Serra, para a simpatia pelo PSDB ou para o anti-petismo. Assim como não havia um teto para o apoio a uma candidatura petista. Como expliquei <a href="http://politicando.blog.br/?p=738" target="_blank">aqui no blog</a> tempos atrás, a idéia de que o PT teria historicamente, tanto no mínimo quanto no máximo 30 ou 33% dos votos nacionais, é apenas mais um mito, mais uma lenda urbana da política nacional.</p>
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		<title>Serra, o uso da imagem de Lula e a armadilha do efeito recall</title>
		<link>http://politicando.blog.br/?p=883</link>
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		<pubDate>Sun, 22 Aug 2010 20:15:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fabricio Vasselai</dc:creator>
		
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Nas últimas propagandas eleitorais na TV e no rádio, José Serra vem adotando a tática de se aproximar também da figura de Lula, enquanto tenta ainda sugerir que Dilma está se apropriando dos feitos do presidente como se fossem dela. A idéia ousada é, ao mesmo tempo, confundir os cerca de 10% de brasileiros que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><div class="wp-caption aligncenter" style="width: 580px"><a href="http://colunistas.yahoo.net/posts/4332.html"><img title="Charges do Alpino - http://colunistas.yahoo.net/colunistas/28/index.html" src="http://colunistas.yahoo.net/content/uploads/2010/08/Alpino-00000141.jpg" alt="Charges do Alpino" width="570" height="376" /></a><p class="wp-caption-text">Charges do Alpino - http://colunistas.yahoo.net/colunistas/28/index.html</p></div><br />
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Nas últimas propagandas eleitorais na TV e no rádio, José Serra vem adotando a tática de se aproximar também da figura de Lula, enquanto tenta ainda sugerir que Dilma está se apropriando dos feitos do presidente como se fossem dela. A idéia ousada é, ao mesmo tempo, confundir os cerca de 10% de brasileiros que ainda não sabem que Dilma é a candidata de Lula, tentar neutralizar o caráter de continuidade de Dilma e se colocar como opção que continuaria Lula com mais competência do que a própria escolhida de Lula. Algo como: o Grande Líder é um grande líder, mas não sabe escolher substitutos.<br />
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Serra já teve uma experiência bem sucedida em concorrer contra governo bem avaliado. Seu primeiro cargo executivo, que foi a prefeitura de São Paulo, foi conquistado assim. Naquele ano de 2004, Marta Suplicy (PT) tentava reeleger-se como prefeita e possuía, então, as melhores taxas de aprovação da história da cidade. Serra, contudo, conseguiu vencer as eleições: parte dos eleitores que achavam o governo Marta bom ou ótimo ainda assim votaram nele! Esse resultado, que parece contrariar a lógica geral e mais intuitiva, tinha uma explicação bastante racional, tal como pude propor e identificar em uma pesquisa que conduzi sobre o assunto meses depois: os eleitores que aprovavam Marta mas não votariam na sua reeleição era a parcela de eleitores, entre os que a aprovavam, que achavam Serra melhor preparado para gerir as conquistas conseguidas pela própria Marta! Bilhete Único, CEUs, Renda Mínima, entre outras realizações que tinham impacto: para essa parte do eleitorado (que foi determinante), os programas de Marta eram bem vistos, mas ela como governante, não. Esse fenômeno, embora exceção e não a regra, é conhecido na literatura de Ciência Política: tem a ver com a separação entre as realizações dos  candidatos e os atributos pessoais dos candidatos.<br />
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Ao contrário do que analistas pensam ser uma novidade, Serra tenta apenas repetir a receita que aprendeu em 2004: vender-se como o melhor tocador das conquistas que agradam o eleitorado, independentemente de quem as fez. Por isso Serra não tinha programa de governo em 2004, nem na eleição para governador em 2006 e nem hoje, em 2010. Porque não propõe, ele &#8220;conduz melhor que os outros&#8221;. E aí está seu erro original. A eleição de 2010 tem diferenças muito importantes, que emperram a idéia de Serra. Primeiro, sendo a aprovação do governo Lula altíssima, mesmo que consiga atrair parte importante dos votos dos que acham Lula bom ou ótimo, Serra ainda assim estará em maus lençóis porque sobra muita gente ainda pra completar os 50% para Dilma ganhar a eleição. Em um ou em dois turnos.<br />
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Segundo, Serra não se decide sobre o caminho a seguir. Precisa escolher (se é que ainda há tempo, parece que não) entre ser o pós-Lula ou o anti-PT. Sim, eu sei que é perfeitamente possível ser as duas coisas, e até seria bastante eficaz, como já outras vezes comentei aqui no blog, contando com a ajuda de vocês leitores nos comentários. O problema é que isso exige um cuidado imenso, é tática arriscadíssima: à medida que Serra grita alguns tons acima do que deveria, gera imagens que Dilma, facilmente, poderá explorar afirmando: esse é o cara que se mostra abraçando Lula e depois fala isso do governo? Porque fazer a ponte entre as críticas de Serra ao PT e as de Serra ao governo, convenhamos, será fácil e natural. Fora as críticas pesadas que Serra, para piorar, começou a fazer ao próprio governo nas duas ou três últimas semanas. Ora, há que se decidir: será anti-governo ou pós-governo? A figura pós-Lula foi inventada por Aécio Neves, enquanto tentava ainda ser o candidato dos tucanos no lugar de Serra e, para ele, caía bem (como agora lembra o <a href="http://blogs.estadao.com.br/vox-publica/2010/08/21/identificar-candidato-do-psdb-a-lula-daria-mais-certo-com-aecio-do-que-com-serra/" target="_blank">José Roberto Toledo, do Estadão</a>). Aécio havia proposto um “pós-Lula”, a substituir o anti-lulismo, que não tratava apenas da imagem pessoal do presidente: era um pós-governo Lula. Afinal, não é apenas a figura pessoal de Lula que é bem avaliada, na casa dos 85% de bom e ótimo nas pesquisas, mas também o governo em si, na casa dos 75% de bom e ótimo nas pesquisas. Lustrar os sapatos do presidente e descer o porrete no governo, portanto, não resolve: quem acha isso é quem acha o eleitor um parvo que segue Lula por personalismo, porque virou um mito, e não pelos resultados do governo.<br />
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Em terceiro lugar, como se não bastasse, o outro grande problema de Serra é que o Brasil não é São Paulo. No Brasil, os tucanos não deitam em berço esplêndido já na largada como em São Paulo -  há um quadro de bipolarização nas eleições presidenciais que é óbvio e conhecido: não é tão fácil vender-se como o continuador com preparo melhor. Até porque, a escolha de Dilma como candidata foi nesse sentido: era a gerente do governo que o povo gosta, o que neutraliza boa parte desse discurso tucano clássico do “bom gestor”. E essa dificuldade existe por causa de um fenômeno do qual poucas pessoas se deram conta: se Serra tinha a vantagem de começar forte pelo chamado efeito recall (ou seja, já ter sido candidato em 2002 e por isso ser nacionalmente conhecido), é evidente que o efeito recall também jogaria contra ele no sentido de que, se o eleitor se lembra dele, lembra que foi o adversário de Lula! O conhecimento nacional do nome Serra não paira no ar como um sonho abstrato: tornou-se conhecido exatamente tentando evitar a vitória daquele que os eleitores tanto estimam hoje. Ou imagina-se que o eleitor recorda apenas figurativamente de Serra, como um povo sem memória alguma? Sim, é isso que se imagina. E assim se perde uma eleição. Pergunto-me: nesse sentido era realmente interessante ter um candidato tucano conhecido, se ele ficou conhecido por antagonizar Lula?<br />
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Ao usar a imagem de Lula no horário eleitoral, ao dizer em seu jingle que quando o “da Silva sair é o Zé que eu quero lá”, a campanha de Serra acha que o eleitor é burro. Não creio que seja algo imoral usar Lula, embora fico curioso para saber o que pensam agora os que antes achavam imoral o grande uso de Lula por parte de Dilma (sim, muitos achavam). Tampouco creio sequer que seja ilegal, embora o PT tenha entrado no TSE contra o uso de imagem de Lula: ora, a figura do presidente não é marca registrada, ele é uma instituição pública. E a lei eleitoral proíbe a participação em programa eleitoral de alguém que não seja filiado ao partido dono do programa. Bem, não se pode dizer que Lula participou do programa de Serra, como bem argumenta o blogueiro defensor oficial, <a href="http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/faz-sentido-lula-la-sentido-faz-mas-e-bom-ou-a-politica-agoniza/" target="_blank">Reinaldo Azevedo</a>. A crítica correta à tática de Serra é que se trata de tática atrasada, elitista, que ainda deita sobre os velhos sensos comuns sobre como seria o eleitor brasileiro. Há pesquisas, trabalhos sérios, conhecimento sobre marketing, sobre comportamento, e muito mais, avançando mais rápido do que os comandantes tucanos e seus marketeiros. Se quiserem voltar a ganhar, precisam mudar seu modo de enxergar os eleitores do alto das cátedras da Sorbonne de 50 anos atrás.<br />
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Não é à toa que mostrar Serra e Lula é tática que consegue desagradar a gregos e troianos. A todos: amigos e inimigos. No mundo dos comentaristas então, nem se fale: veja-se a reação de <a href="http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/arch2010-08-01_2010-08-31.html#2010_08-21_06_09_14-10045644-25" target="_blank">Josias de Souza</a>, <a href="http://uolpolitica.blog.uol.com.br/arch2010-08-15_2010-08-21.html#2010_08-21_11_57_24-9961110-0" target="_blank">Fernando Rodrigues</a>, Lúcia Hippólito, o ótimo texto de <a href="http://marcelocoelho.folha.blog.uol.com.br/arch2010-08-01_2010-08-31.html#2010_08-21_17_21_20-10759959-0" target="_blank">Marcelo Coelho</a>, entre outros. E claro, o duríssimo editorial (que mostra a postura oficial da publicação) <a href="http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/biruta-de-serra-desorienta-a-folha" target="_blank">da Folha de São Paulo</a>, jornal aliado de Serra, destratando a campanha do tucano. E se desagrada a todos, mostrando ter custos altos, teria benefícios do ponto de vista eleitoral? Bem, pode ser. Se Serra não passar a impressão de “médico e o monstro”, com duas personalidades, pode ser. Por enquanto, o risco dessa impressão ou de apenas confundir o eleitorado é grande, <a href="http://eleicoes.uol.com.br/2010/ultimas-noticias/2010/08/21/dilma-ataca-serra-por-uso-de-imagem-de-lula-na-tv.jhtm" target="_blank">porque como espertamente disse Dilma</a>, ele ataca o governo de manhã e se mostra próximo de Lula de noite. Vamos combinar: o eleitor é mais elaborado do que isso. E tática com custos certos e benefícios duvidosos, é certamente uma furada.<br />
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		<title>Entenda quando votos brancos e nulos ajudam algum candidato</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Aug 2010 20:00:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fabricio Vasselai</dc:creator>
		
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Meses atrás, expliquei aquí as diferenças entre votos nulos e brancos, em um post que recomendo a leitura para desfazer alguns mitos tradicionais. Ali, eu comentava também que não é verdade que votos nulos e brancos vão para quem está ganhando: esse é certamente um dos mais difundidos equívocos que volto a ouvir falar em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><a href="http://www.ivancabral.com/2010/07/charge-do-dia-voto-nulo.html"><img title="Charges do Ivan Cabral - http://www.ivancabral.com/" src="http://2.bp.blogspot.com/_8Us7czZwmqg/TEUWNCnS9WI/AAAAAAAADSQ/ctAW0lstwZ8/s400/Charge2010-anular_candidato.jpg" alt="Charges do Ivan Cabral" width="400" height="294" /></a><p class="wp-caption-text">Charges do Ivan Cabral - http://www.ivancabral.com/</p></div>
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Meses atrás, <a title="Politicando | &quot;Existem diferenças entre votar branco e votar nulo?&quot;" href="http://politicando.blog.br/?p=306" target="_blank">expliquei aquí</a> as diferenças entre votos nulos e brancos, em um post que recomendo a leitura para desfazer alguns mitos tradicionais. Ali, eu comentava também que não é verdade que votos nulos e brancos vão para quem está ganhando: esse é certamente um dos mais difundidos equívocos que volto a ouvir falar em toda eleição. Os votos nulos e brancos, que como expliquei no texto anterior passaram ambos a serem considerados inválidos em 1997, simplesmente não são contabilizados. Há apenas 1 tipo de situação em que eles podem ajudar a quem lidera a corrida eleitoral. Vamos entender isso melhor ?<br />
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Primeiro, não é tão difícil perceber que os votos brancos e nulos, ao serem desconsiderados, mudam a votação de todos os candidatos, não aumentam apenas a de quem está à frente. Pelo simples fato de que, eliminados, diminuem o total de votos dos quais se calcula a porcentagem de cada candidato: 1400 votos de um total de 5000 é igual 28%, mas 1400 votos de 4500 (excluindo 500 votos como nulos ou brancos) é igual a 31.1%. Pouco importa se quem teve esses 1400 votos é ou não é quem liderava. Vamos a um exemplo: imagine que temos em nossa eleição o candidato Pedro, a candidata Maria, o candidato Alex e a candidata Sílvia. No dia em que as urnas são abertas, considerando todos os votos inclusive brancos e nulos, Pedro tem 35% dos votos, Maria 25%, Alex 15%, Sílvia 9%, e também 10% dos votos foram em branco e 6% foram nulos. Agora, excluindo os brancos e nulos, o placar passa a ser: Pedro com 41.6%, Maria com 29.7%, Alex com 17.8% e Sílvia com 10.7%. Todos aumentam seus patamares de votação na exata mesma proporção. Em termos relativos, ninguém é beneficiado.<br />
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Mas há, como antecipei, casos em que votar em branco ou nulo pode ser determinante para o resultado das eleições. Um deles, mais óbvio, é quando 2 candidatos estão muito próximos nas intenções de votos no segundo turno: como não se pode saber quem irá vencer com um mínimo de segurança, deixar de escolher um candidato implica em necessariamente ajudar o outro de forma concreta: afinal, em situações de empate a importância de cada voto aumenta muito. Não é à toa que nessas situações, de pesquisas mostrando empates, o número de votos brancos e nulos costuma cair muito em todos os países: porque as pessoas se sentem compelidas a votar em um candidato. O outro caso, que é o que mais nos interessa de fato aqui hoje por ter a ver com a contabilidade concreta dos votos, é quando alguém está próximo de ganhar direto no primeiro turno, como acontece hoje nas eleições presidenciais do Brasil com a candidata Dilma Rousseff.<br />
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Se no conjunto das pesquisas um candidato tem muito acima dos 50% necessários para vencer no primeiro turno, como o candidato Eduardo Campos em Pernambuco, que chega a pontuar com 69%, tampouco os votos brancos e nulos fariam grande diferença. Mas quando as intenções de votos ficam próximas dos 50%, acima ou abaixo, aí o voto e branco e nulo acaba beneficiando esse candidato que está quase vencendo em primeiro turno. Vejamos: eu mostrei agora pouco que os votos brancos e nulos, como no Brasil desde 1997 ambos são simplesmente não contabilizados, aumentam na mesma intensidade a porcentagem final de todos os candidatos. Mas ora, mesmo que todos sejam beneficiados, se um dos concorrentes, ao excluirmos brancos e nulos, passar a atingir 50% dos votos restantes (os chamados válidos), a eleição termina. Enquanto se quem votou branco ou nulo optasse por qualquer outro candidato, a eleição poderia ser levada ao segundo turno.<br />
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E agora podemos usar o exemplo real deste ano, da última pesquisa Ibope. Nela, Dilma tinha 43%, Serra 32%, Marina 8% e votos brancos, nulos e indecisos somavam 16%. Julguemos que esses indecisos são brancos e nulos, só para efeito de cálculo, pois o padrão é que eles se distribuam entre os candidatos também. Nesse caso, vejam o que acontece quando excluímos esses 16%: Dilma fica com 51.2%, Serra com 38,1% e Marina com 9.5%. Ou seja, o aumento é da mesma proporção para cada um, só que é o bastante para fazer Dilma ultrapassar a marca dos 50% e ganhar já no primeiro turno. Segundo o Ibope, é isso que aconteceria se a eleição fosse hoje. Brancos e nulos não iriam “para quem está ganhando”, mas para todos. Só que nesse caso específico de indefinição se haverá ou não vitória no 1º turno, esse pouco a mais para todos pode botar alguém acima dos 50%.<br />
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Por isso, aliás, outro mito clássico é o de quem quer forçar o segundo turno achar que deve desistir de votar nos candidatos menores para escolher pelo segundo colocado (no caso, Serra): ora, para tentar evitar vitória no primeiro turno basta não votar nem em branco, nem nulo e, obviamente, nem no primeiro colocado (no caso Dilma). Para forçar a existência de segundo turno, não importa quantos votos Serra terá, mas que Dilma tenha menos de 50%: o resto não faz diferença como se distribui. Portanto, votar em Serra, Marina, Plínio, Eymael, Rui Costa Pimenta ou Zé Maria tem o mesmo efeito quanto a isso. Nada de cair no falso voto útil, do tipo “queria votar em Marina ou Plínio, mas vou de Serra pra impedir a Dilma de levar no 1º turno”. Ora, vote em quem você prefere que dará na mesma.<br />
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Agora, você leitor que pensa em votar branco ou nulo: no caso de que Dilma chegue no dia da eleição perto de conseguir essa vitória em 1 turno, na prática você terá de escolher entre continuar com branco/nulo para passar o seu recado (<a title="Politicando | &quot;Existem diferenças entre votar branco e votar nulo?&quot;" href="http://politicando.blog.br/?p=306" target="_blank">tal como expliquei no outro post</a>) só que beneficiar Dilma, ou escolher algum entre os outros candidatos. Ou seja, nesse caso não haverá  saída: brancos e nulos acabarão sendo, por questão prática, mais do que votos simbólicos.<br />
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<p style="padding-left: 30px;"><span style="text-decoration: underline;">UPDATE: resolvi ser mais técnico aqui no rodapé, para quem estiver interessado: 1) em como se calcula % de votos que os candidatos têm depois de excluídos brancos e nulos sem ter acesso aos dados absolutos de uma pesquisa, aqui vai um modo aproximado. Você pega os brancos + nulos, que no meu primeiro exemplo do texto são iguais a 16% e subtrai isso de 100%, dando no caso 84%. A partir daí, divide a porcentagem de cada candidato antes de excluir brancos e nulos por 84: Pedro, 35/84 = 41.6, e assim por diante. E 2) para quem for tarado e quiser ver matematicamente que excluindo brancos e nulos todos os candidatos ganham percentualmente o mesmo, é só dividir quanto eles tinham antes da exclusão dos brancos e nulos por quanto eles passam a ter depois da exclusão de brancos e nulos: Pedro  35/41.6 = 0.84, Maria 25/29.7 = 0.84, Alex 17.8/15 = 0.84 e Sílvia 9/10.7 = 0.84</span></p>
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		<title>O primeiro programa eleitoral e o debate UOL</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Aug 2010 23:20:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fabricio Vasselai</dc:creator>
		
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Ontem foi o primeiro dia de propaganda eleitoral na TV e nos rádios. E hoje de manhã foi dia do primeiro debate entre candidatos à presidência feito totalmente via internet no Brasil, o debate UOL. Ambas as ferramentas, propaganda eleitoral e debates, são as armas nas quais a candidatura Serra depositou todas as suas fichas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-caption alignnone" style="width: 573px"><a href="http://www.gazetadopovo.com.br/charges/index.phtml?foffset=9&#038;offset=&#038;ch=Paix%E3o"><img title="Charges do Paixão - http://www.gazetadopovo.com.br/charges/index.phtml?ch=Paix%E3o" src="http://www.gazetadopovo.com.br/midia/tn_625_490_Paixao_07-08.jpg" alt="Charges do Paixão" width="563" height="374" /></a><p class="wp-caption-text">Charges do Paixão - http://www.gazetadopovo.com.br/charges/index.phtml?ch=Paix%E3o</p></div>
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Ontem foi o primeiro dia de propaganda eleitoral na TV e nos rádios. E hoje de manhã foi dia do primeiro debate entre candidatos à presidência feito totalmente via internet no Brasil, o debate UOL. Ambas as ferramentas, propaganda eleitoral e debates, são as armas nas quais a candidatura Serra depositou todas as suas fichas para confrontar a boa aprovação do governo Lula nestas eleições. Hoje, este é um post duplo: darei minhas impressões sobre esses dois eventos, o debate UOL e as primeiras propagandas na TV (links dos vídeos seguem no final). O debate anterior, da Band, avaliei <a title="Politicando ! &quot;Rapidinhas: convite; entrevistas; audiência de eleição na TV&quot;" href="http://politicando.blog.br/?p=777" target="_blank">aqui ó</a>. Vamos lá?<br />
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<span style="text-decoration: underline;"><strong>Debate Uol</strong></span><br />
Comecemos com as minhas impressões sobre o debate UOL, que contou com Dilma, Serra e Marina e durou cerca de 2 horas e foi dividido em 6 blocos. Quanto ao desempenho dos três candidatos, houve melhora muito significativa em relação ao debate na Bandeirantes, dias atrás. Apesar de nunca conseguir se ater ao tempo estipulado para falar, Marina foi quem mais melhorou: de um desempenho horrendo no debate da Band, teve hoje uma participação de nível muitíssimo melhor. Não hesitava, dava respostas e fazia perguntas mais substantivas, não estava tímida e procurou protagonizar, não se contentando com o papel de coadjuvante como fizera da outra vez. Fez algumas dobradinhas com Dilma, do tipo pergunta e respostas doces, em prejuízo de Serra, o que é natural pela ligação de Marina com o governo Lula durante a maior parte dos dois mandatos. Mas não deixou de pressionar também Dilma com perguntas com conteúdo.<br />
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Já Dilma e Serra, que haviam sido medíocres (no sentido literal, de medianos) no primeiro debate, na Band, hoje se saíram muito melhor. Articulados, um pressionando o outro, criticando de verdade, pegando um pouco mais pesado. Serra não parecia uma mosca morta como da outra vez e Dilma, ainda hesitante, não era contudo tão ansiosa como antes e tampouco gaguejou como da primeira vez. Mas se ambos melhoraram muito, Serra, que já havia ido um pouquinho melhor do que Dilma da outra vez, melhorou mais do que ela e certamente teve o melhor desempenho no debate de hoje na parte dos embates diretos (blcoos 1, 2 e 3). Incisivo nas perguntas, ardiloso nas respostas. Dilma não foi mal: ela responde bem, mas escolhe mal as perguntas e não sabe alfinetar. Quando se soltava e era a Dilma mais durona, ia bem e foi nessas vezes em que conseguiu contrapor-se.<br />
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O formato do debate foi ótimo na maior parte do tempo: confronto direto, pau a pau. Esse negócio de pergunta de internautas (blocos 4 e 5) é ruim e evita o confronto, tal qual perguntas de jornalistas nos debates da TV (e no blcoo 6 de hoje). Mas sinceridade? Internauta faz pergunta melhor e vai com mais rigor ao ponto, carca mesmo. <img src='http://politicando.blog.br/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' /> No seu Twitter, o jornalista <a href="http://www.twitter.com/BlogdoNoblat" target="_blank">Ricardo Noblat</a>, que é tudo menos pró Dilma, se espantou porque as perguntas teriam sido muito mais fáceis para Serra, segundo ele. Não achei grande problema. Mas ora, é fácil resolver esse tipo de crítica a seleção que os editores fazem das perguntas: para mim, perguntas dos internautas ou jornalistas têm de ser assim: editores do debate eliminariam as perguntas agressivas, mal educadas ou não sérias, fazem uma peneira. Separam por candidato e, daí, sorteiam. Sem dedo de ninguém na escolha das perguntas. De todo modo, nos momentos de perguntas do internautas, tanto Serra quanto Dilma foram muito bem, com vantagem para ela,  que teve aí grande desempenho.<br />
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No geral, o resultado é o mesmo do debate Band: não houve derrotados. E como se diz, em debates eleitorais quem vai bem não ganha voto – só quem vai muito mal é que talvez perca. E ninguém foi muito mal, pelo contrário. E isso é ruim para Serra, que a cada dia terá menos opções de reverter o crescimento de Dilma, que já se distancia dele nas pesquisas. Tucanos apostavam que Serra daria um baile em Dilma, verdadeiros nocautes, nos debates e na TV. Não vem acontecendo. E se nisso o debate acabaria ruim pro Serra (digo acabaria porque pouca gente assiste e quase ninguém muda voto por causa de debate), mais arriscada mesmo foi a postura do candidato tucano: ele foi realmente oposição. Serra venceu esse debate, mas não leva nada como prêmio e, ainda, se arriscou ao gerar muita imagem dele socando o governo Lula no fígado. Que serão usadas por Dilma, claro. Se isso anima os já simpatizantes de Serra, por outro lado significa abandonar o discurso de pós-Lula. E não parece que dará bons frutos.<br />
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<span style="text-decoration: underline;"><strong>Primeiro dia de propagandas eleitorais na TV</strong></span><br />
Pra tornar mais dramático, no primeiro dia de horário eleitoral ontem, a coisa se inverte: o de Dilma foi muito superior ao de Serra, tanto de tarde como de noite. E isso é avaliação geral dos comentaristas, jornalistas e até mesmo dos políticos próximos de Serra. A razão é uma só: o programa de Dilma foi emotivo. O de Serra, mostrou aquele estilo antigo do suposto povo falando bem dele no microfone. E pior: só falou de saúde, logo no primeiro dia. Foi formato de auditório, contra opção cinematográfica no de Dilma. Sejamos francos: ninguém se informa com programa eleitoral. Não servem para avaliarmos propostas: elas aparecem ali em fração de segundos, quando aparecem. Programas eleitorais têm de mexer com a emoção, não com a razão: e isso é regra básica do marketing eleitoral. A razão o eleitor vai usar sozinho: antes  durante e depois da campanha, avaliando o que acontece no país e os candidatos. Serra foi professoral e racional. Dilma na TV adotou o estilo cinematográfico e foi na linha “fazer chorar”. E deve ter conseguido fazer mesmo! Fora, é claro, o uso intensivo de Lula no programa da noite (no da tarde, ele apareceu pouco). Nesse sentido, Serra está em maus lençóis: tomou de lavada na propaganda eleitoral e venceu sem brilho um debate que nada mudará nas eleições.<br />
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Ah sim: o programa de Marina foi tão amador que até a campanha dela achou ruim: gastou seu minuto e meio mostrando imagens do mundo em destruição ambiental e falando das catástrofes que isso acarreta: sem nem aparecer na tela até poucos segundos do fim (!). Parecia uma chamada do National Geographic. Ou melhor, nem isso. Plínio, também com pouco tempo, fez um programa sem brilho e discreto, esteticamente equivocado porque sombrio, sisudo e falando com cara de mau: deveria deixar esse estereótipo para o PSTU e o PCO ( <img src='http://politicando.blog.br/wp-includes/images/smilies/icon_razz.gif' alt=':P' class='wp-smiley' /> ), pois ele é muito mais carismático do que isso, mesmo para pouco tempo de TV. Ter pouco tempo de TV é uma coisa. Usar esse pouco mal, é outra.<br />
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Um detalhe que não vi ninguém comentar: é preciso entender porque os programas na TV às vezes são diferentes de tarde e de noite. Para candidaturas que têm dinheiro para gravar várias versões, como Dilma e Serra, é preciso ficar atento a qual o perfil de telespectador está com a TV ligada em cada horário. De noite, são os telespectadores em geral, afinal a grande maioria já está em casa às 20:30. Gente de todo perfil: em busca das novelas, dos jornais, dos programas esportivos, gente que prefere a Globo, a Record, a RedeTv, etc. Enquanto de tarde, a maioria dos telespectadores está no trabalho e a programação do horário de almoço das TVs é no estilo programas de culinária, fofoca, água com açúcar. Não é à toa, portanto, que os programas de Serra e Dilma, na faixa das 13h, tenha sido muito mais centrado em suas biografias, do que os da noite. No caso de Serra, o da noite mal citou nada. No caso de Dilma, falou até bastante de sua biografia, mas de tarde só falou disso! Deixou para usar a overdose de Lula no horário eleitoral das 20:30.<br />
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Bem, dito isso, creio que tanto a estréia das campanhas eleitorais quanto o debate de hoje não mudem nada no quadro eleitoral atual. O que, claro, favorece quem está ganhando nas pesquisas. E se algum efeito for sentido no médio prazo, será da onipresença de Lula: afinal, até Serra cita o nome do presidente em seu novo jingle! Dilma tem a faca e o queijo na mão. Serra vai precisar melhorar muito seus programas eleitorais, mas muito. E torcer para Dilma escorregar nos futuros debates. Isso se ela for: embora já tenha confirmado presença, a tática mais eficiente neste momento, <a title="Politicando | &quot;Faltar a debates é tática clássica. Não é de hoje, não é da Dilma, não é do Serra&quot;" href="http://politicando.blog.br/?p=693" target="_blank">como já comentei</a>, será deixar de ir nos próximos.<br />
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Aqui estão os links para os 6 blocos do Debate UOL: <a href="http://eleicoes.uol.com.br/2010/ultimas-noticias/multi/2010/08/18/04029A3072E09913C6.jhtm?debate-folhauol-veja-a-integra-do-1-bloco-04029A3072E09913C6" target="_blank">1º bloco</a>, <a href="http://eleicoes.uol.com.br/2010/ultimas-noticias/multi/2010/08/18/0402193660E49913C6.jhtm?debate-folhauol-veja-a-integra-do-2-bloco-0402193660E49913C6" target="_blank">2º bloco</a>, <a href="http://eleicoes.uol.com.br/2010/ultimas-noticias/multi/2010/08/18/0402183464E49913C6.jhtm?debate-folhauol-veja-a-integra-do-3-bloco-0402183464E49913C6" target="_blank">3º bloco</a>, <a href="http://eleicoes.uol.com.br/2010/ultimas-noticias/multi/2010/08/18/0402193666E49913C6.jhtm?debate-folhauol-veja-a-integra-do-4-bloco-0402193666E49913C6" target="_blank">4º bloco</a>, <a href="http://eleicoes.uol.com.br/2010/ultimas-noticias/multi/2010/08/18/04021B3368E49913C6.jhtm?debate-folhauol-veja-a-integra-do-5-bloco-04021B3368E49913C6" target="_blank">5º bloco</a> e <a href="http://eleicoes.uol.com.br/2010/ultimas-noticias/multi/2010/08/18/040218396AE49913C6.jhtm?debate-folhauol-veja-a-integra-do-6-bloco-040218396AE49913C6" target="_blank">6º bloco</a>.</p>
<p>E esses são os links para as primeiras propagandas eleitoras, que foram exibidas ontem: <a href="http://www.youtube.com/watch?v=q3fJTzfNpgg" target="_blank">Dilma (tarde)</a>, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=ekL2zM58fJI" target="_blank">Dilma (noite)</a>, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=EQG1MjQhIuY" target="_blank">Serra (tarde)</a>, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=4N_423c4LKI&amp;feature=player_embedded" target="_blank">Serra (noite)</a>, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=T43lKJV6gYU" target="_blank">Marina</a>, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=z1gPcd4OF94&amp;feature=player_embedded" target="_blank">Plínio</a>.<br />
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		<item>
		<title>Aviso: problemas resolvidos e respostas dadas!  =)</title>
		<link>http://politicando.blog.br/?p=847</link>
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		<pubDate>Tue, 17 Aug 2010 17:58:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fabricio Vasselai</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Pessoal, peço desculpas pela demora em responder. E também pelos problemas técnicos que fizeram alguns comentários e minhas respostas sumirem. O blog deu umas travadas semana passada e no fim de semana, pouco preparado para os acessos que teve.   Ainda bem que arrumei e preparei, para dar conta do último post, do Paulo, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pessoal, peço desculpas pela demora em responder. E também pelos problemas técnicos que fizeram alguns comentários e minhas respostas sumirem. O blog deu umas travadas semana passada e no fim de semana, pouco preparado para os acessos que teve. <img src='http://politicando.blog.br/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' />  Ainda bem que arrumei e preparei, para dar conta do último post, do Paulo, se não já tinha dado pau de novo dado o sucesso de acesso do texto dele! Hehehe.<br />
Mas agora todos os comentários e respostas foram recuperados e também respondi aos que ainda estavam sem resposta nos último 4 posts e nos antigos (de gente que chegou até eles pela internet a fora). Peço desculpas pela demora em responder aos leitores Guimarães, ao Bruno Maia, ao Daniel, ao Filipe, à Camilla, à Ludmila, ao Rafae Nogueira, ao Guilherme e a quem mais eu estiver me esquecendo de mencionar aqui. Obrigado a todos pelo carinho, atenção e confiança. Continuem aqui sempre, lendo, comentando, pedindo assuntos, sugerindo pautas, contribuindo. Como, para minha alegria, vêm fazendo!</p>
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		<title>A confusão sobre casamento gay, união civil e união estável</title>
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		<pubDate>Sun, 15 Aug 2010 21:00:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fabricio Vasselai</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Por Paulo Simas, para o blog*


Quando a pergunta é sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, os três principais candidatos à presidência dão respostas evasivas e muitas vezes contraditórias. O objetivo é não se comprometer nem com os 45% de brasileiros que são contrários ao tema nem com os 39% que são favoráveis (números [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3>Por <strong>Paulo Simas</strong>, para o blog*</h3>
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Quando a pergunta é sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, os três principais candidatos à presidência dão respostas evasivas e muitas vezes contraditórias. O objetivo é não se comprometer nem com os 45% de brasileiros que são contrários ao tema nem com os 39% que são favoráveis (<a href="http://www2.aids.gov.br/news/uniao-civil-de-pessoas-do-mesmo-sexo-tem-oposicao-de-45-dos-brasileiros-segundo-o-datafolha" target="_blank">números de 2008 do Datafolha</a>). No entanto, as declarações de Dilma, Serra e Marina acabam perpetuando mitos sobre o casamento e o papel do Estado. Este texto tenta ajudar a desfazer a confusão.<br />
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Os discursos são muito parecidos. Dilma diz que <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,dilma-se-diz-favoravel-a-uniao-civil-de-homossexuais,573368,0.htm" target="_blank">“é a favor da união civil”, mas “acha que a questão do casamento é religiosa”</a>. Serra <a href="http://noticias.r7.com/brasil/noticias/serra-defende-uniao-civil-para-gays-mas-rejeita-liberacao-da-maconha-20100729.html" target="_blank">tem opinião semelhante</a>: é a favor da união civil, “com todos os direitos e efeitos práticos de um casamento&#8221;. No entanto, acredita que “a nomeação da união como ‘casamento’ depende de convicções religiosas”. Marina também defende que <a href="http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,marina-se-diz-favoravel-ao-direito-de-gays-a-uniao-civil,581853,0.htm" target="_blank">“é preciso separar as duas coisas (união civil e casamento)&#8221;</a> e diz que apesar de defender os <a href="http://g1.globo.com/especiais/eleicoes-2010/noticia/2010/07/marina-silva-diz-que-nao-muda-de-discurso-conforme-o-publico.html" target="_blank">“direitos civis da comunidade gay” acredita que o casamento seja “um sacramento”</a>.<br />
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Como se vê, de uma maneira geral os candidatos são favoráveis a algum tipo de reconhecimento legal para as uniões gays, desde que não seja o casamento. A esse outro tipo de reconhecimento eles dão o nome genérico de “união civil”. E aí está o grande equívoco! Ocorre que o casamento é uma união civil. Trata-se de um dos dois regimes jurídicos criados para reconhecer e proteger as famílias brasileiras (o outro é a união estável, que será comentada adiante). Assim, ao contrário do que os três candidatos dizem, casamento não é uma “questão religiosa”. Está no parágrafo primeiro do artigo 226 da Constituição Federal: “O casamento é civil e gratuita a celebração”. Se é civil não pode ser religioso, oras. Civil é o “que não é militar nem eclesiástico ou religioso”, ensina o Dicionário Houaiss.<br />
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Tanto é assim que o parágrafo seguinte do artigo mencionado estabelece que “o casamento religioso tem efeito civil, nos termos da lei”. Veja: é o casamento religioso que pode ter efeito civil se for feito de acordo com a lei, e não o contrário. Aquele está submetido a este, portanto. Além do mais, se a lei precisa estabelecer condições para que o casamento religioso tenha efeito civil significa que ele não é, por si só, civil. De fato, enquanto um é um ritual feito num templo por um sacerdote, o outro é um procedimento jurídico conduzido num cartório por um juiz de paz. Coisas bem diferentes, não?<br />
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É certo que o casamento civil originou-se do religioso, e talvez daí decorra a confusão que a maioria das pessoas faz. Mas a partir do momento em que virou lei, que entrou na esfera do Estado, deixou de ter qualquer relação com religiões. É assim que funciona num Estado laico, como o brasileiro. Aliás, é exatamente por essa razão que o casamento civil foi criado: para acabar com a exclusividade religiosa sobre as uniões amorosas, fortalecendo o papel do Estado em detrimento da Igreja.<br />
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No entanto, os presidenciáveis insistem em tratar o assunto como algo sagrado, místico, numa tentativa clara de agradar às lideranças cristãs. E para não se comprometer totalmente com uma visão teocrática de mundo, sacam do bolso a tal da “união civil”. Por isso é importante entender o que eles querem dizer com isso. Se há dois tipos de união civil reconhecidas pelo Estado (casamento e união estável) e os presidenciáveis são contrários a que gays tenham acesso ao primeiro deles, resta o segundo. Afinal, a criação de um terceiro estatuto é improvável. A então deputada Marta Suplicy tentou fazer isso em 1995, ao propor a chamada parceria civil registrada, mas a iniciativa é considerada obsoleta pela própria autora. Além do mais, todas as ações judiciais em análise, inclusive a que o Supremo Tribunal Federal deve julgar até o final do ano, tratam da união estável.<br />
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Esse regime jurídico surgiu na Constituição de 1988 com o objetivo de ser uma alternativa mais rápida e menos burocrática ao casamento. A união estável é igualmente aceita como entidade familiar, além de garantir quase os mesmos direitos do que o casamento. Repito: quase os mesmos direitos. Para começar, esse regime não altera o estado civil: a pessoa continua sendo solteira e não pode utilizar o sobrenome do companheiro. Além disso, em caso de falecimento a divisão da herança pode ser requerida por parentes (irmãos, por exemplo), enquanto que no casamento todos os bens são divididos apenas entre cônjuge e filhos. A diferença também é importante em assuntos de imigração: alguns países só emitem visto conjunto se os solicitantes forem casados; os adeptos da união civil precisam fazer pedidos separados. Sem falar no valor simbólico: você já viu alguém sonhar em “unir-se civilmente” com outra pessoa? O casamento é, portanto, o tipo de união com maior status jurídico e social, além de ser gratuito (o registro de união estável é cobrado pelo cartório e, por ser pouco conhecido, normalmente é feito com o auxílio de um advogado, que recebe honorários).<br />
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Apesar de as diferenças entre casamento e união estável <a href="http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI4597158-EI306,00-Serie+de+mudancas+aproxima+uniao+estavel+do+casamento.html" target="_blank">estarem diminuindo</a> , é improvável que um dia se esgotem. Isso porque a Constituição estabelece a superioridade de um sobre o outro ao dizer que “deve ser facilitada a conversão da união estável em casamento” (parágrafo terceiro do artigo 226). Se a lei máxima do País prefere um regime ao outro, conclui-se que o casamento sempre terá alguma vantagem. Cientes disso, muitos países que reconheceram as uniões estáveis gays ainda na década de 90 estão mudando sua legislação para incluir também o casamento. Aconteceu, por exemplo, na Suécia, na Espanha, na Bélgica, na Holanda e na Noruega. O Congresso da Argentina foi mais longe: recusou-se a votar qualquer outro tipo de união civil, aprovando logo de cara o casamento gay.<br />
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Alheios a tudo isso, Serra, Dilma e Marina parecem viver em outra época, em que padres oficializavam as relações amorosas e ainda não se falava em direitos civis. É verdade que, na atual conjuntura brasileira, a união estável gay seria um avanço. Afinal, relações hoje tratadas como sociedades empresarias passariam a ser reconhecidas como o que de fato são: famílias. Entretanto, se casais heterossexuais podem optar entre a segurança do casamento e a simplicidade da união estável, por que não estender o direito de escolha aos casais gays? A resposta a essa pergunta não tem nada a ver com religião, como pressupõem os candidatos à presidência. É uma questão de cidadania e que exige um posicionamento claro: ou se defende a discriminação ou a igualdade absoluta. Não existe meio termo, para desgraça de quem precisa dos votos dos dois lados.<br />
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<p style="text-align: left; padding-left: 30px;"><span style="text-decoration: underline;"> *Convidado pelo blog, Paulo gentilmente preparou essa trabalhosa explicação, detalhada e pesquisada. Muito bom! Como cachê, não posso pagar mais que um obrigado. Portanto, brigadão pelo esforço. É um grande prazer e uma honra compartilhar meu humilde espaço contigo.</span></p>
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		<title>Rapidinhas: novidades; Jornal Nacional; Datafolha</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Aug 2010 19:30:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fabricio Vasselai</dc:creator>
		
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Uma novidade no blog: convidei um grande amigo, o Paulo Simas, para escrever um texto para publicar aqui, explicando uma questão legal que eu não conhecia direito: diferenças entre casamento, união civil e união estável. Paulo é um cara de primeira e, além [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>(post agendado, estou em trânsito! Por isso também a demora em responder comentários)<br />
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Uma novidade no blog: convidei um grande amigo, o Paulo Simas, para escrever um texto para publicar aqui, explicando uma questão legal que eu não conhecia direito: diferenças entre casamento, união civil e união estável. Paulo é um cara de primeira e, além disso, competente e inteligente como poucas pessoas que já conheci. O post com o texto dele chega amanhã. Espero que seja apenas a primeira contribuição dele. E também, espero que isso aos poucos abra espaço para publicar aqui um ou outro texto de vocês, leitores, no futuro.</p>
<p>Aguardem, que amanhã vamos começar com a primeira contribuição de alguém mais para o blog. Ao Paulo, meu sincero agradecimento pelo esforço de pesquisa, pelo tempo e dedicação. Uma honra!</p>
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Ainda sobre as entrevistas ao Jornal Nacional, encontrei um texto muito interessante do Mauricio Stycer, em seu blog, analisando quanto as entrevistas serviram mais para avaliar o JN do que os candidatos. As opiniões dele, vocês podem concordar ou não com elas, mas são interessantes para ler e pensar. Vale a pena, <a href="http://mauriciostycer.blog.uol.com.br/arch2010-08-08_2010-08-14.html#2010_08-12_11_55_55-143380757-0" target="_blank">aqui ó</a>.</p>
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Sobre essa pesquisa Datafolha divulgada ontem de noite, em que agora sim os resultados desse instituto se alinham com os dos outros 3, um breve comentário. De fato, desta vez algo estranho chama a atenção: o que levou o cenário a se alterar de Serra 37% x Dilma 36% para Dilma 41% x Serra 33% em apenas 15 dias? Porque o último Datafolha era de apenas duas semanas atrás e a metodologia, parece, foi a mesma. Falar que o debate na Band teve efeito seria de dar risada, como já comentei <a title="Politicando | &quot;Debate eleitoral e o mito do eleitor sem interesse: debate é só forma, não conteúdo&quot;" href="http://politicando.blog.br/?p=786" target="_blank">aqui</a> e <a title="Politicando | &quot;Rapidinhas: convite; entrevistas; audiência de eleição na TV&quot;" href="http://politicando.blog.br/?p=796" target="_blank">aqui</a>. Dizer que foram as entrevistas do JN, é um absurdo - <a href="http://noticias.terra.com.br/eleicoes/2010/noticias/0,,OI4622727-EI15314,00-Tucanos%20responsabilizam%20JN%20por%20queda%20de%20Serra%20na%20Datafolha.html" target="_blank">e é isso que tucanos estão fazendo</a>. Para eles, como pequisa do Datafolha foi de 2ª a 5ª, a maioria dos eleitores entrevistados fora pós-Dilma no JN, na segunda-feira, mas a maioria fora pré-Serra no JN, na quarta-feira.<br />
Ok, tolice do Datafolha. Mas julgar que isso seria capaz de alterar em dois ou três dias o voto de 12 milhões de brasileiros&#8230; por favor! Sabe-se há anos que essas entrevistas e debates mal alteram as intenções de voto! E mais: vi o próprio Fernando Rodrigues, da Folha, comentando que mesmo se divididos os eleitores entrevistados em cada dia, ou seja em 4 grupos, o resultado da pesquisa era o mesmo para cada grupo.</p>
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Por fim, sobre a possibilidade de Dilma vencer no primeiro turno: é de fato cada vez mais real a chance de isso acontecer. Afinal, Dilma até aqui herdou apenas uma parte razoável dos eleitores que acham o governo Lula bom ou ótimo. Tem muito espaço para crescer e, além de o maior tempo de TV e rádio no horário eleitoral, terá pela primeira vez Lula todo dia na TV pedindo voto com todas as letras. Mesmo assim, sugiro menos euforia aos dilmistas, políticos e analistas e blogueiros. Sobre isso o jornalista da Veja, Ricardo Azevedo, pró-tucano fiel, <a href="http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/o-resultado-do-datafolha-e-por-que-o-jogo-ainda-nao-esta-jogado/" target="_blank">disse algo muito interessante em seu blog, no seguinte trecho</a>:<br />
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<p style="padding-left: 30px;">&#8220;Relembro a última pesquisa Datafolha antes de começar o horário eleitoral gratuito de 2006, correspondente a esta de hoje, portanto. No dia 7 de agosto, Lula aparecia com 47% das intenções de voto. Três semanas antes, tinha 43%. O então candidato tucano, Geraldo Alckmin, havia caído de 28% para 24%. Heloísa Helena, do PSOL, havia oscilado de 10% para 12%. A diferença de 23 pontos garantia a vitória de Lula no primeiro turno, com 55% dos votos válidos.<br />
A campanha na TV começou, os debates aconteceram etc. Bem, o resultado das urnas em outubro, no primeiro turno, foi este:<br />
- Lula: 48,61% - bem perto mesmo da pesquisa de agosto;<br />
- Alckmin: 41,64% - quase 19 pontos acima de agosto. Alguém poderia dizer: “Ah, mas ele estava em ascensão; Serra, em queda”. Não! Alckmin havia caído 4 pontos em três semanas;<br />
- Heloisa Helena ficou com 6,85%m, quase a metade da pontuação de agosto.&#8221;</p>
<p style="padding-left: 30px;">
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Mais devagar com o andor, portanto. Dilma é favoritíssima. Mas cautela não mata ninguém.<br />
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		<title>Formas e conteúdos das entrevistas dos candidatos no Jornal Nacional</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Aug 2010 20:50:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fabricio Vasselai</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Nesta semana, o Jornal Nacional entrevistou os 3 candidatos à presidência que têm mais de 1% 3%* dos votos nas pesquisas, um por dia: Dilma na segunda-feira, Marina na terça e Serra ontem. A ordem foi decidida por sorteio e cada entrevista teve 12 minutos, com mais 30 segundos para as considerações finais dos candidatos. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nesta semana, o Jornal Nacional entrevistou os 3 candidatos à presidência que têm mais de <del datetime="2010-08-13T00:28:06+00:00">1%</del> 3%* dos votos nas pesquisas, um por dia: Dilma na segunda-feira, Marina na terça e Serra ontem. A ordem foi decidida por sorteio e cada entrevista teve 12 minutos, com mais 30 segundos para as considerações finais dos candidatos. As perguntas eram decididas pela redação do próprio jornal, que é chefiada pelo apresentador William Bonner. As entrevistas foram feitas por ele e por Fátima Bernardes. Estou curioso para saber: o que vocês, leitores, acharam do desempenho dos candidatos e dos entrevistadores? Hoje vou dar minhas impressões. Para quem não viu as entrevistas, os vídeos delas seguem logo abaixo do texto.<br />
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Acho interessante começarmos retomando a diferença entre forma e conteúdo, mas agora também no que se refere tanto às respostas dos candidatos como às perguntas dos entrevistadores. Do ponto de vista da forma, o JN começou muito bem na segunda-feira: apertando Dilma, pressionando, colocando contra a parede, tocando nas feridas e nos pontos polêmicos. Pode ter havido um ou outro exagero de tom por parte Bonner, mas especialmente exageros de interrupção da fala de Dilma – o entrevistador chegou a ser delicadamente interrompido por Fátima para que deixasse Dilma falar. Mas no geral, foi um exemplo do que uma entrevista deve ser quanto à sua forma: tirar ao máximo dos entrevistados, pressionar, insistir. No entanto, essa forma não foi repetida em pé de igualdade: foi ficando mais suave ao passar dos dias, chegando na vez de Serra ontem sendo, sem dúvida alguma, mais calma, menos estridente, sem interrupções ao candidato – a não ser no final, obviamente, quando ele estourou o tempo para suas declarações finais. Durante os 12 minutos, só foi interrompido 1 vez e, ainda assim, com a solicitação de Bonner para que aproveitassem melhor o tempo da entrevista.<br />
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Seria isso coisa de imprensa golpista, manipuladora? Seria apenas reflexo incontido, e natural, das preferências políticas da emissora ou de seus entrevistadores? Ou seria, ainda, mera mudança de tom de quem viu que havia exagerado na segunda-feira e precisava corrigir o rumo da abordagem? Não sei dizer, pode ser de tudo um pouco. Vocês decidem. Não estou aqui para afirmar o que não posso provar. As preferências existem, influenciam e são óbvias: só quem vive no mundo do faz de conta não assume isso. Mas falar em manipulação e outros quetais, quanto à forma da entrevista, parece exagero. Para mim, está mais para as outras duas possibilidades: por um lado, talvez Bonner se deixou levar por preferência política incontida. O mesmo que vemos todo dia na internet e nos jornais. Ou por outro, que acho até mais visível, Bonner reconhecendo implicitamente que interrompeu Dilma em exagero. E sendo, pois, obrigado a se conter nas interrupções dos dias seguintes.<br />
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Já os candidatos, quanto ao seu desempenho, estiveram bastante bem. Assim como no debate, não creio que tenha havido grande distância na qualidade de Dilma para Serra, com a diferença de que dessa vez ambos se igualam no bom desempenho, não na mediocridade. E novamente, creio que Serra foi melhor. Mas a grande melhora, sem dúvida, foi a de Marina, que teve desenvoltura, articulação de idéias e escolha das palavras,em qualidade muito superior ao que apresentou no debate da Band na semana passada. E, aliás, conseguiu fugir das interrupções de Bonner melhor do que Dilma, pois não parava de falar quando interrompida.<br />
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Mas e quanto aos conteúdos das perguntas e respostas? Afinal, aqui sim dava para falar um pouco mais de conteúdo do que no debate – em que as perguntas são rasas e as respostas sem tempo. Bem, aí é que houve grande diferença entre as 3 entrevistas. Com Dilma, o tempo todo foi gasto perguntando sobre seu modo de governar: 1) se seria um poste de Lula, 2) se seria durona em excesso, 3) sobre as alianças para governar que antes o PT criticava. Nenhuma pergunta sobre programa, sobre projeto, sobre substância de governo. Ela se esforçou para introduzir algumas respostas sobre isso no meio do todo. Mas viu-se muito pouco de conteúdo programático e zero  nas perguntas do JN.<br />
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Com Marina, algo similar, mas com o absurdo de perguntar para ela sobre o mensalão do PT em 2006. Ora, não era Dilma que estava sendo entrevistada (ou seja, para dar direito de defesa ao PT) e nem alguém ligado ao mensalão! Não me venham dizer que Marina era do PT até ontem e não abandonou o governo naquela época: sei que isso é verdade e portanto concordo que o assunto importa sim. Mas em apenas 12 minutos de entrevista, há de se eleger prioridades. E isso era prioridade, digo prioridade, para perguntar para Marina, digo, para Marina? É óbvio que não. Pergunta absurda, que serviu para construir imagem do PT sem que alguém dele pudesse tomar defesa, já que o assunto, citado até com Serra (!) não foi citado com Dilma! Além disso, Marina foi questionada sobre a formação de maiorias, onde mais uma vez deixou claro que não se importa com como irá formá-la e, pior, sequer acha isso relevante. Um absurdo sem tamanho, uma irresponsabilidade gigantesca: pretende governar sem maioria? Ou, se pretende formar maioria caso a caso, ao invés de uma grande aliança inicial, acha que fará isso de modo mais ético no &#8220;caso a caso&#8221;, no varejo? Dividir cargos em troca de apoios é a praxe em todas as democracias do mundo. Não é fisiologismo brasileiro.<br />
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Já com Serra, e aí sim acho que ele foi substancialmente beneficiado, o conteúdo das perguntas foi programático: perguntaram sobre pedágios, sobre ligação com FHC, e outras questões menores em que pôde falar um pouco do que pensa para o possível governo. Não que Serra tenha ficado sem uma espetada pelo casal do JN: tomou uma pergunta sobre sua aliança com o PTB de Roberto Jefferson, mergulhado no episódio que o PSDB tanto criticou, justamente o&#8230; mensalão do PT! Pergunta interessante, mas vamos lá: Serra não possui pontos polêmicos próprios? Haveria o mensalão do DEM em Brasília, o do PSDB, feito pelo ex-presidente do partido, o fato de que Serra chegou a defender Arruda como vice pouco tempo antes do novo escândalo em Brasília, acusações de que Serra é autoritário com movimentos sociais em São Paulo, ligações em esquemas de corrupção das ambulâncias e de Dantas. Afinal, seja ele autoritário ou não, esteja ele envolvido ou não nesses esquemas,  se o critério era pegar o que os adversário criticam no entrevistado na área da moral e dos bons costumes, e questioná-lo, como se fez com Dilma e Marina, seria justo repetir o mesmo com Serra. Não digo que Serra tenha ficado sem dificuldades: explicar seu vínculo com FHC, seus elogios a Lula e sua aliança com PTB foi pedra no sapato. Mas convenhamos: foram questões de substância, não apenas “jeito de governar” e “questões de moralidade” (importantes, mas que debatem forma, não conteúdo de governo) como para Dilma. E pedrinhas, porque traziam a tira colo outra vez o mensalão&#8230; do PT.<br />
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Bem, no fim das contas, tenho impressão muito boa do formato das entrevistas e acho que o JN entregou um produto bastante melhor dos que são os debates, por exemplo. Mais interessante, menos teatro brega ( <img src='http://politicando.blog.br/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' /> ) e menos artificial. E quem puder ver as entrevistas que os 3 candidatos deram em seguida ao canal Globonews, melhor ainda (seus links seguem ao final também). São muito boas. As assimetrias entre o que se falou com Dilma, Marina e Serra não são monumentais do tipo conspiração, ou da estirpe da famosa edição do debate de 1989 entre Collor e Lula. Menos, blogosfera, menos. Mas houve erros sim. Vocês sabem: sou sempre o primeiro a combater as teorias da conspiração sobre a imprensa ou os institutos de pesquisa. <img src='http://politicando.blog.br/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' /> Mas também, achar que foi tudo igualzinho e não apontar as diferenças é coisa de torcedor e seria viver no mundo mágico da Poliana: aquele em que nada está errado, é tudo bonitinho. As entrevistas do JN foram muito boas, apontam um caminho importante para o jornalismo eleitoral. Mas precisam de correções de rumo. Nem tudo no mundo é conspiração, só que também nem tudo é perfeito.<br />
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*Eu havia dito 1%, onde na verdade o critério era de 3%.<br />
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Entrevistas no Jornal Nacional:<br />
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<object width="480" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/l8Sq-yC0EuQ?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;color1=0xe1600f&amp;color2=0xfebd01"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/l8Sq-yC0EuQ?fs=1&amp;hl=pt_BR&amp;color1=0xe1600f&amp;color2=0xfebd01" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"></embed></object><br />
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Entrevistas na Globonews:</p>
<p>Dilma (<a href="http://www.youtube.com/watch?v=rFPr4oGKhnM" target="_blank">parte 1</a> e <a href="http://www.youtube.com/watch?v=9OorKaSJYoE" target="_blank">parte 2</a>) - Marina (<a href="http://www.youtube.com/watch?v=z57KDlDZw0o" target="_blank">parte 1</a> e <a href="http://www.youtube.com/watch?v=xSi-cf6QGNQ" target="_blank">parte 2</a>) - Serra (<a href="http://www.youtube.com/watch?v=6b7Ch5G4WG8" target="_blank">arquivo único</a>)<br />
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