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	<title>Politicando</title>
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	<description>Politicando, política, brasil, eleições, partidos, congresso, Fabricio, Vasselai</description>
	<pubDate>Tue, 02 Aug 2011 08:14:56 +0000</pubDate>
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		<title>Quem sai ganhando com a faxina moral de Dilma?</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Aug 2011 08:14:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fabricio Vasselai</dc:creator>
		
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		<title>Globo versus Record</title>
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		<pubDate>Mon, 18 Jul 2011 20:16:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fabricio Vasselai</dc:creator>
		
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.oxentenews.com.br/wp-content/uploads/2010/11/record-x-globo1.jpg" alt="" /><br />
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Depois de um debate esses dias, peguei-me pensando sobre as quedas de audiência da Globo e crescimento da Record. E resolvi compartilhar com vocês, rapidinho, a minha posição sobre o tema. Esse sempre é um assunto que causa aparentes conflitos: de um lado, muitos comemoram o crescimento da emissora proto-evangélica esquecendo que ela depende de dinheiro conseguido à custa de exploração religiosa e a serviço muitas vezes de lideranças religiosas intolerantes (reparem: refiro-me aos líderes, não aos evangélicos em si). Por outro lado, muitos diminuem a importância do fim do monopólio da Globo exatamente por causa disso, mas esquecendo-se de que a própria Globo nasceu e cresceu com dinheiro muito suspeito: primeiro, conseguindo dinheiro e estrutura de um grupo internacional, o Time-Life – o que a despeito das manobras jurídicas, estava ao arrepio do que a regulamentação nacional desejava. Depois, utilizando-se de recursos e do apoio da ditadura militar – à qual retribuiu sendo uma emissora solidária.<br />
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O assunto, portanto, é aparentemente daqueles difíceis de ter lado: é fugir do ruim para abraçar o pior. Só resta escolher quem é o ruim e quem é o pior. Do ponto de vista moral e do ponto de vista da cara que queremos à comunicação de massa do país, quem escolhemos? Preferimos a emissora que passou a vida interferindo na política nacional e sempre ao lado dos poderosos, dos ditadores e dos corruptos que às vezes é obrigada a acusar? Ou preferimos aquela cujas lideranças são frequentemente incentivadoras da intolerância, da homofobia, do conservadorismo deletério e até mesmo da perseguição religiosa? Qual manipulação escolhemos: aquela da Globo nitidamente tucana ou a da Record ainda ligeira mas crescentemente lulista? Isso para não falar da dimensão técnica e de conteúdo: preferimos o padrão Globo de qualidade técnica muito superior, mas eugênica e elitista, ou as produções da Record que já há tempos lembram que a classe C existe mas ainda parecem muitas vezes toscamente produzidas?<br />
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Façam-se as escolhas de preferência. Cada um com sua aposta e carinho. Escolham se a Globo do Bonner e Fátima Bernardes faz melhor ou pior jornalismo que a Record do Paulo Henrique Amorim. Ainda que na Tv a Cabo a diferença de qualidade seja mais difícil de questionar: enquanto a Globo News tem questionáveis Miriam Leitão e William Waack, a Record News agora vai de Heródoto Barbeiro e Ricardo Kotscho – sem comparação portanto. Mas no jornalismo da TV aberta, nas posições editoriais, nas atuações políticas de bastidores, quem é para vocês o maior inimigo da nação? Os Marinho ou a pior turma das lideranças evangélicas? Eu arrisco uma resposta, caros leitores, que para mim simplesmente mostra a falsidade dessa pergunta que tanto se coloca à nossa frente implicitamente na hora de pensar, ler ou analisar a situação de decadência da Globo nos últimos anos. Para mim, essa questão de qual seria menos pior não apenas não existe, como é uma falácia malandra.<br />
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É simples: pouco importa qual das duas emissoras, Globo ou Record, é pior para o Brasil: o que importa é que, nesse assunto, duas péssimas é muito melhor do que uma. Se um dia tivermos o desprazer de ver a Record monopolizar as comunicações nacionais, poderemos discutir se preferimos domínio de uma ou de outra. Mas essa situação nunca aconteceu: a Globo é líder ainda isolada. Aqueles que comemoram a ascensão da Record não o fazem porque sejam tietes dessa emissora, mas sim porque se sentem felizes com o gradual fim de um monopólio de décadas. E fim de monopólio é sempre bom: obriga os concorrentes a inovar, a se posicionar, a se equilibrar, a apoiar políticos diferentes, a repensar estratégias. Por isso acho um tanto falacioso quando pessoas de muita respeitabilidade me dizem que o crescimento da Record não é grande coisa, porque a Record tampouco seria “flor que se cheire”. Ora, ainda que se pense isso, pergunto: é melhor duas emissoras de pouca confiança brigando pela audiência ou uma delas mandando no país? Eu prefiro duas. Aliás, prefiro três, quatro ou cinco. E aliás, prefiro duas ruins a uma boa. Não se trata de uma preferência por quem é melhor ou pior, mas sim de torcer contra monopólios. Simples assim. A pergunta portanto está deslocada: ninguém fica feliz com Globo ou Record dominando o país. Fica feliz sem domínios. E portanto, comemore-se sim, e sem vergonhazinha politicamente correta, cada vez que a Globo perder audiência – independentemente de para quem perca.<br />
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		<title>Você me entrevista!</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Jul 2011 09:24:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fabricio Vasselai</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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Não resisti a fazer esse título do post, que lembra as promoções de revista adolescente do tipo &#8220;seja sorteado e ganhe um jantar com o mais novo galã da novela Malhação&#8221;.  Mas ok, como não sou famoso, muito menos galã, não farei promoções e sim um convite. Que tal abrir um espaço para que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><div class="wp-caption alignnone" style="width: 581px"><img class="     " title="Tirinhas da Mafalda" src="http://politicando.blog.br/imagens/ChargesMafalda001.png" alt="" width="571" height="169" /><p class="wp-caption-text">Tirinhas da Mafalda</p></div></p>
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Não resisti a fazer esse título do post, que lembra as promoções de revista adolescente do tipo &#8220;seja sorteado e ganhe um jantar com o mais novo galã da novela Malhação&#8221;. <img src='http://politicando.blog.br/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' /> Mas ok, como não sou famoso, muito menos galã, não farei promoções e sim um convite. Que tal abrir um espaço para que vocês leitores e leitoras possam me entrevistar, ou seja, fazer perguntas diretas e específicas, tipo perguntas de entrevista mesmo?<br />
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Umas 3 ou 4 vezes já publiquei aqui no blog respostas que dei para jornais locais de alguma cidade. E de repente, na entrevista <a title="Politicando | Quatro comentários sobre Reforma “Política”" href="http://politicando.blog.br/?p=1394" target="_blank">que mostrei aqui semana passada sobre reforma eleitoral</a>, um leitor me fez perceber que de fato responder perguntas específicas é um bom esquema para tirar dúvidas, não é mesmo? Poooois bem, sugiro que façamos o seguinte. Além das sugestões e pedidos de temas de vocês feitos nos comentários ou Twitter, que são sempre bem legais, vou abrir um canal específico para tentar essa nova brincadeira. Quem quiser fazer uma pergunta para que faça um post respondendo, peço para que enviem para contato@politicando.blog.br<br />
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Toda semana farei um post respondendo algo que tenha sido perguntado, tipo uma entrevista mesmo. É claro, podem mandar mais de uma pergunta! Ah sim: não divulgarei o nome de quem pergunta, lógico. E só peço para que respeitemos uma regrinha: evitem perguntas genéricas, tipo &#8220;o que você acha da morte do Itamar?&#8221;, hehehe. Isso é um pedido de post e não uma pergunta! <img src='http://politicando.blog.br/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' /> (a propósito, escreverei sobre Itamar hoje e posto aqui mais tarde). Podem fazer pedidos de temas assim sempre, obviamente! Mas para eu responder como pergunta, tentem ser o mais específicos possível, como por exemplo &#8220;você acha mesmo que Itamar foi um político importante para a redemocratização brasileira? E para a estabilização da economia?&#8221;. Ou ainda mais especificos se quiserem, tipo: &#8220;você acha que o sistema eleitoral distrital misto seria uma boa alternativa para fortalecer o vínculo entre eleitores e candidatos?&#8221;.<br />
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Que me dizem? Acho que será legal fazer isso, hein! Estou ansioso para ver sobre o que vocês querem me entrevistar, mesmo eu não sendo galã - aliás, quem sabe no fim do ano eu sorteio um almoço para quem participar <img src='http://politicando.blog.br/wp-includes/images/smilies/icon_razz.gif' alt=':P' class='wp-smiley' /> Grande abraço!</p>
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		<title>Copa do Mundo de 2014: não é preciso guerra santa para ser contra</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Jun 2011 02:40:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fabricio Vasselai</dc:creator>
		
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É possível ser contra a realização da Copa de 2014 no Brasil por vários argumentos respeitáveis. E é possível criticar detalhes de como ela está sendo organizada, também através de vários argumentos respeitáveis. Os principais deles, na minha opinião, sempre ficam de fora: o modo pelo qual a população afetada pelas obras da Copa é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><div class="wp-caption alignnone" style="width: 559px"><img class=" " title="&quot;Charge&quot; do Politicando, =P" src="http://politicando.blog.br/imagens/ChargesFabricioVasselai001.png" alt="" width="549" height="243" /><p class="wp-caption-text">&quot;Charge&quot; do Politicando, =P</p></div></p>
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É possível ser contra a realização da Copa de 2014 no Brasil por vários argumentos respeitáveis. E é possível criticar detalhes de como ela está sendo organizada, também através de vários argumentos respeitáveis. Os principais deles, na minha opinião, sempre ficam de fora: o modo pelo qual a população afetada pelas obras da Copa é destratada e, também, o não acesso que os pobres terão ao evento dados os preços exorbitantes que os ingressos costumam custar. Mas claro, como tudo no Brasil, as críticas sempre se reduzem à corrupção – da qual ou já se tem certeza de antemão que contaminará tudo, todos, sempre. Por definição.<br />
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Sobre essa questão, o jornalismo esportivo brasileiro em geral se divide em duas vertentes. De um lado, os paus mandados, bajuladores, que nada criticam e tentam vender a Copa como sonho de prestígio nacional (a turma da Globo, claro, é o melhor exemplo). De outro lado, há os jornalistas que resolvem fazer jornalismo e têm uma visão crítica e fiscalizadora sobre as obras da Copa no Brasil. Parabéns para esses, obviamente. Mas essa postura crítica, louvável, não é condição suficiente para que façam bom jornalismo, ainda que seja condição necessária. Digo que não é suficiente porque já se instalou entre quase todos esses jornalistas uma verdadeira guerra santa contra a Copa no Brasil - uma guerra santa verdadeiramente emburrecedora. Citarei hoje 4 exemplos de questões toscamente simplificadas para lascar críticas - como se fosse preciso inventar algo, como se a Copa de 2014 e a Fifa já não nos dessem motivos por si mesmas.<br />
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1) Primeiro, na época da escolha do Brasil como sede, passamos por uma profusão de “estudos” que mostrariam como as Copas não trazem lucro para um país. Mas em geral, claro, estudos bem pouco sofisticados, bem pouco técnicos, e feitos por gente que antes de fazer os “estudos” já tem opinião mais do que formada. Para se ter uma idéia, os estudos não incluem investimentos indiretos que um evento desse porte traz, como a movimentação do setor de televisões – só para ficar em um exemplo ridiculamente óbvio. Investimentos em tecnologia da informação então, que há meses são anunciados no Brasil com a explícita citação do interesse pela Copa e pela Olimpíada que sediaremos, esses passam mais longe ainda dos “estudos”. Quando quatro fabricantes de tablets comunicam que passarão a fabricar ou montar seus produtos no Brasil (único país do Ocidente a receber esse tipo de empreendimento), e nesses anúncios citam a Copa e Olimpíada como atrativos, não vira manchete. Quando investimentos privados bilionários em transportes são anunciados com essa mesma lembrança da Copa, o jornalismo engajado nada fala. Verdade que se pode questionar, de uma perspectiva mais socialista, que esses lucros todos não são para o povo brasileiro diretamente, mas para empresários. Ou seja, geram apenas milhões de empregos e milhões ou bilhões de arrecadação pública mas&#8230;. hein? Ah sim, mas não são direto da propriedade do povo&#8230;<br />
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2) Um segundo exemplo da guerra santa cega contra a Copa de 2014 no Brasil por parte dos jornalistas esportivos, é o tal sigilo que o governo Dilma está tentando impor às licitações de obras da Copa. Quando o governo introduziu a novidade em uma medida provisória semanas atrás, houve uma chuva de críticas do jornalismo esportivo  do país. Verdadeira crucificação ao governo, sem sequer lerem o projeto: dias depois, à medida em que gente muito séria e não governista passou a defender o novo regime de licitação proposto por Dilma, os jornalistas esportivos baixaram o tom e acordaram para um debate mais sério. Claro, aí era tarde para voltar atrás, quando foram descobrir que o regime de “sigilo” que o governo está tentando aprovar no Congresso é na verdade uma das alternativas de modelo de licitação mundo a fora. E que é utilizada nos EUA, França, entre outros países incivilizados e do mal. Trata-se de não divulgar na licitação o quanto o governo imagina gastar em uma obra: afinal, quando se sabe o quanto o governo pode gastar, as empresas concorrentes tendem a aumentar os preços dos projetos com os quais vão concorrer. E desde o começo, os órgãos fiscalizadores têm acesso a esse orçamento do governo para acompanhar, sendo que ao final da compra tudo fica público. Diz-se que compras feitas assim pelo estado de São Paulo reduziram o preço médio dos produtos comprados em 30%. Mas verdade, esse novo modelo também tem suas deficiências sérias – sobre as quais deixo para falar outro dia, para não fugir muito do assunto. Ou seja: é perfeitamente possível criticá-lo e dizer que Dilma teve uma má idéia. Ou seja é debate técnico e dos bons. Só não se pode reduzir essa escolha por modelos de política pública a uma simples crítica de que “tá vendo que palhaçada, sigilo pra Copa! Essa Copa é uma piada”. Piada, e de mal gosto, é a grande maioria do jornalismo brasileiro.<br />
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3) O terceiro e mais irritante exemplo de guerra santa burra do jornalismo esportivo contra a Copa de 2014 foi gerada hoje. Um consultor técnico do Senado fez um “estudo”, desses nada isentos obviamente, afirmando que <a href="http://esportes.r7.com/futebol/noticias/-copa-de-2014-sera-a-mais-cara-da-historia-diz-consultor-do-senado-20110629.html" target="_blank">“A Copa de 2014 será a mais cara da história”</a>: custará cerca de R$ 63 bilhões (US$ 40 bilhões). Ok. Agora lendo as “reportagens” fica-se sabendo que no “estudo”, o autor incluiu nessa conta os R$ 20 bilhões que o BNDES dará como empréstimo (!) para o trem-bala (!), bem como os R$ 33 bilhões que Dilma anunciou como obras de infraestrutura, saúde e segurança. Falemos sério, esse “estudo” e essas “reportagens” são um escárnio, quando não uma ofensa ao leitor, de tão apaixonadamente cegas em prol de uma causa – no caso, criticar a Copa 2014 e alimentar a idéia de que no Brasil é assim mesmo, uma zorra. Pois bem: trem-bala e infraestrutura são obras da Copa? Saúde e segurança também? É óbvio que muitos gastos públicos importantes que deveriam ser feitos de qualquer modo são adiantados por causa de uma Copa ou de uma Olimpíada (o que, convenhamos, deveria ser um argumento a favor dos eventos, aliás). Mas daí a dizer que isso é gasto com a Copa, é revoltante. No “estudo”, o que é gasto inegavelmente com a Copa, são R$ 7 bilhões de dinheiro público – a maior parte, aliás, via empréstimos que, imagina-se, são para ser pagos por quem pegar o dinheiro. Mas ok, que se critique, que se diga então que empréstimo de dinheiro público também é crime lesa-pátria: ainda assim, então a Copa custará 7, não 63, meus caros.<br />
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O argumento chegou a gerar no UOL a manchete <a href="http://esporte.uol.com.br/futebol/copa-2014/ultimas-noticias/2011/06/29/copa-no-brasil-podera-ser-mais-cara-do-que-todas-as-outras-juntas.htm" target="_blank">“Copa no Brasil custa mais caro que as três últimas edições somadas”</a>. A “reportagem” informa, também, que estamos perto de chegar ao valor de todas as Copas do mundo somadas: US$ 75 bilhões (valor a que, claro, o gênio do autor só consegue chegar ao esquecer de corrigir monetariamente os valores do passado e esquecendo que de 40 para 75, vai uma distância&#8230;.). Pois bem: o detalhe curioso é que como se pode cotejar das duas “reportagens”, a África do Sul 2010, por exemplo, gastou US$ 8 bilhões em estádios mais infraestrutura. Ou seja: o gasto real do Brasil, é com saúde, segurança e transporte.! Uai, não deveria ser de se comemorar? Se o Brasil está investindo sei lá quantos bilhões nos PAC 1 e PAC 2 (que não existem, segundo se diz), isso é ruim só porque algumas obras estão com o selo de “obras da Copa”? Ah sim, porque esqueci de citar a “reportagem”, que diz:<br />
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<p style="padding-left: 30px;"><span style="color: #0000ff;">“A conclusão vem de um estudo da Consultoria Legislativa do Senado Federal. A análise compara as cifras investidas pelos países-sedes em todas as intervenções que levaram a rubrica de &#8220;obra da Copa&#8221; dada pelos comitês organizadores. Segundo o consultor do Senado Alexandre Guimarães, que ancorou seus cálculos em estudos feitos por institutos econômicos internacionais, as copas do mundo de Japão e Coreia (2002), Alemanha (2006) e África do Sul (2010) consumiram, juntas, US$ 30 bilhões (US$ 16 bilhões, US$ 6 bilhões e US$ 8 bilhões, respectivamente).”</span></p>
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Ah bom, ficamos sabendo que se trata das cifras que recebem a estampa de “obras da Copa” por parte de cada governo, de cada país. Ou seja, se a China fizer uma Copa e colocar por questões de propaganda política essa estampa na construção da gigantesca hidrelétrica de Três Gargantas, que estão fazendo, aí teríamos a Copa mais cara da Via Láctea, e desde a criação do universo no Big Bang. Dá para levar a sério? Tem jornalista de alto nível que infelizmente, por causa da guerra santa, leva. Veja-se o caso do normalmente ótimo <a href="http://blogdocruz.blog.uol.com.br/arch2011-06-01_2011-06-30.html#2011_06-29_12_13_32-139474431-0" target="_blank">José Cruz</a>, repercutindo e até louvando essas bobagens:<br />
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<p style="padding-left: 30px;"><span style="color: #0000ff;">“O companheiro Vinícius Segalla é o autor da matéria manchete do UOL Esporte desta manhã: “Copa do Brasil custa mais caro que as três últimas edições somadas”. O texto completo está neste link. Vinícius repercutiu o ótimo estudo realizado pelo também jornalista Alexandre Guimarães, consultor Legislativo do Sendo Federal, que analisou números oficiais das copas do mundo do Japão/Coréia, Alemanha e África do Sul”.</span></p>
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4) Isso para não entrar em outros temas polêmicos, como a renúncia fiscal para que o Corinthians construa seu estádio. Sou tão contra esses estádio, que inclusive sou são paulino <img src='http://politicando.blog.br/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' /> Acho mesmo que Lula conseguiu um estádio para o Corinthians de forma mais do que suspeita e lastimável, já que o Morumbi precisava apenas de uma reforma para se ajustar aos padrões da Copa. Mas dar de barato que renúncia fiscal é desperdiçar dinheiro público, é pedestre. Renúncia fiscal pode ou não ser gasto de dinheiro público, a depender de uma questão óbvia: se um governo fizer renúncia de imposto para uma obra que de qualquer modo aconteceria, é gasto público sim. Mas se a renúncia de imposto for para viabilizar uma obra que de outro modo não aconteceria, não entendo onde é que está o gasto público! Questão de lógica: a obra não acontecendo, o tal governo que queria renunciar a cobrança de impostos fica sem receber nada do mesmo modo.<br />
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A título de informação: fui a favor da Copa de 2014 no Brasil durante bom tempo. Hoje, sou contra. Sou crítico da Copa de 2014 e defensor da Olimpíada de 2016 no Rio. Em outras oportunidades, ficarei feliz em explicar meus porquês. Por hoje, basta dizer que não é por ser contra ou ser crítico, que precisamos fazer guerras santas e chegar a referendar o absurdo no jornalismo. Dá para levar a sério? Eu não levo. A imprensa do Brasil em sua maioria nos faz mais mal do que a Copa de 2014.<br />
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		</item>
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		<title>Quatro comentários sobre Reforma &#8220;Política&#8221;</title>
		<link>http://politicando.blog.br/?p=1394</link>
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		<pubDate>Wed, 22 Jun 2011 13:57:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fabricio Vasselai</dc:creator>
		
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Caros leitores, ontem respondi a uma entrevista feita por um jornal local de Campinas sobre o tal projeto de reforma eleitoral que foi escolhido pela comiss]ao do Senado para ser apreciado. Ainda não sei como as respostas sairão, mas eu trago aqui as respostas originais, maiores, antes de serem cortadas ou editadas. Quano sair, indico [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img title="Charges do SponHolz - http://www.sponholz.arq.br" src="http://oposicaoviva.files.wordpress.com/2011/02/charge-sponholz-sarney-estirpador.jpg" alt="" width="450" height="291" /><br />
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<span style="color: #ff0000;">Caros leitores, ontem respondi a uma entrevista feita por um jornal local de Campinas sobre o tal projeto de reforma eleitoral que foi escolhido pela comiss]ao do Senado para ser apreciado. Ainda não sei como as respostas sairão, mas eu trago aqui as respostas originais, maiores, antes de serem cortadas ou editadas. Quano sair, indico a versão do jornal com o link. Grande abraço!</span><br />
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<strong>1- Você concorda com a alcunha “reforma política”? Por quê?</strong><br />
A pergunta é muito boa, porque de fato o termo está errado. É fácil perceber isso: a tal reforma de que tanto se fala é no fundo apenas reforma das regras eleitorais. Ou seja, de como se vota, como se financia campanha, etc. Mas as mazelas que a população parece enxergar no sistema político como um todo, como corrupção, mordomias dos políticos, impunidade, nada têm a ver com as regras eleitorais. Não quero com isso dizer que não se possa buscar melhorias no sistema eleitoral, mas não se pode vender gato por lebre, pintar a tal reforma como grande remédio para todos os males. Os grandes problemas que supostamente a população identifica na política brasileira, não serão afetados. Uma reforma política para o que tanto se critica nos políticos poderia, por exemplo, acabar com o foro privilegiado das autoridades públicas. Mudanças no sistema eleitoral mexerão pouco no que tanto se diz serem as grandes preocupações da população.<br />
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<span id="more-1394"></span><br />
<strong>2- Por proposição de emendas e revisão da lei eleitoral, a reforma política pretende, conforme seus propositores, fazer com que o resultado final das eleições aproxime-se mais da “vontade dos eleitores”. Você acredita na existência de uma vontade geral em política? Essas propostas atendem à vontade de quais eleitores e partidos?</strong><br />
O argumento dos propositores é ruim e perigoso. A política é a arte de vender como bem comum aquilo que é um ganho privado. É evidente que não existe vontade geral, nem em política e nem em nada: o mundo é feito de opiniões diferentes e divergentes, e isso é saudável e normal. Mas ainda que os propositores da reforma estejam falando apenas de “vontade de cada eleitor” e não vontade geral, o argumento não se sustenta. Veja: quem disse que o resultado das eleições não está sendo próximo da vontade dos eleitores? Quem sou eu, quem é você e quem são os deputados para saberem isso? É claro, em geral esse argumento no fundo está se referindo ao fato de que, em nosso sistema de voto para os cargos de deputado federal e para vereador, o candidato que escolhemos frequentemente arrasta consigo outros candidatos de sua coligação em quem não votamos e que mal sabemos quem é. Pois bem, se é isso que se quer combater, diga-se com clareza e se resolva facilmente: proibindo coligações para eleições de cargos legislativos. Pronto, resolvido. Não podem é colocar essa solução junto de uma dezena de outras alterações como se fosse um pacotão. Por fim, sobre a quem estaria sendo atendido com essa reforma eleitoral, digo algo que não é sobre essa reforma, mas sobre qualquer reforma: elas só atendem aos interesses de quem as defende. Não tenhamos ilusões. A democracia é assim aqui e em qualquer parte do mundo: um político que defende o voto distrital, o faz porque imagina que seu partido seria beneficiado. Outro que defende a lista fechada, idem. Do ponto de vista da qualidade do sistema em si, tampouco há respostas fechadas: cada opção de sistema eleitoral tem fortíssimos prós e contras.<br />
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<strong>3- Uma das propostas mais conhecidas é a que combina o financiamento público com o voto em lista fechada, (no qual o eleitor vota na legenda, e não no candidato) já aprovada. Uma das justificativas é que, com a mudança, seria possível evitar a excessiva &#8220;personalização&#8221; das candidaturas e os altos custos das campanhas. Você concorda com o modelo de financiamento proposto? E com o voto em lista fechada? Por quê?</strong><br />
Primeiro, deixe-me fazer uma correção. Essa proposta não foi aprovada. Ela foi a escolhida pela comissão interna do Senado que foi montada para escolher qual proposta seria efetivamente levada adiante naquela casa. Ou seja, pode mudar tudo ainda. Tanto na Câmara como no próprio Senado quando e se isso for a votação. Mas bem, em primeiro lugar, deixe-me dizer que se pode até ser simpático ao financiamento público de campanha, só não vende-lo como solução mágica. O financiamento público não vai acabar com o financiamento ilegal que vem do setor privado. E muito provavelmente, como a experiência internacional mostra, nem mesmo o diminuirá. É simples: quem hoje bota dinheiro por fora em um candidato, vai continuar botando, ora. O que vamos perder é o financiamento privado legal e legítimo. Alguns argumentam que ok, ao menos combateremos a influência das empresas que hoje financiam legalmente, ainda que persistam outras botando dinheiro ilegal. Mas essa idéia é um tanto inocente: você acha que a partir do momento que um grande banco não puder mais botar dinheiro em um candidato à presidência, isso muda algo? Muda o jogo de interesses privado que há fora dos holofotes, muda o interesse dos candidatos de agradar esse banco para ganhar benéfices quando sair do cargo? É óbvio que não. Quanto à lista fechada, pessoalmente até sou simpático. De fato, leva a que os eleitores passem a debater mais sobre os partidos do que sobre nomes individuais. Não que a política brasileira seja personalista, pois não é: as pesquisas em Ciência Política mostram fartamente que atuação dos parlamentares é rigorosamente partidária, tal como em qualquer dos países tão citados como modelo. Mas ok, pode ajudar no sentido de organizar partidariamente o eleitor. Só que não há solução perfeita: cada opção de sistema eleitoral melhora uma coisa e prejudica outra. A lista fechada, se tem esse lado bom, tem o ruim de concentrar poder nas mãos das lideranças partidárias, já que esses é que escolherão os candidatos que ocuparão as vagas ganhas por cada partido. E mais importante: tira da gente essa opção de escolha. É uma reforma que tira poder de escolha do eleitor e dá às lideranças partidárias. A questão então é escolher: é mais importante que eleitores conheçam melhor os partidos ou que tenham mais poder de decisão? Não há resposta certa ou errada para essa escolha. É ao gosto de cada um.<br />
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<strong>4- A Comissão de Reforma Política do Senado aprovou além da proposta de fazer um referendo sobre o sistema eleitoral brasileiro, o de cotas de 50% para as mulheres nas eleições proporcionais. O atual sistema de cotas prevê que pelo menos 30% dos candidatos de um partido têm que ser de um dos gêneros. A proposta aprovada, pela comissão, propõe que a lista de candidatos intercale homens e mulheres, de modo a garantir número igual para os dois gêneros. Você concorda com a proposição?</strong><br />
Entendo a preocupação por trás dessa proposta e acho louvável tanto a ousadia como o aparentemente nobre interesse dos nossos senadores pela questão de gênero. É óbvio que a representação política das mulheres no Brasil é uma vergonha. E é mesmo provável que um dos motivos disso é que temos poucas mulheres em quem votar. Ou seja, o argumento de que isso seria criar cotas que constrangem a escolha do eleitor é só parcialmente verdadeiro: a cota é sobre a oferta de opções, não sobre a demanda. Só que é preciso ir devagar com a criação de cotas sobre a oferta de opções: ou vamos criar cotas de candidatura a todos os grupos sociais sub-representados politicamente? Digo, se houver 15% de negros na população vamos determinar 15% de candidaturas negras? E os partidos algum dia terão de candidatar 10% de homossexuais? O parlamento não é para ser um retrato amostral, uma amostra da sociedade. Não sei de onde se tira isso. O parlamento deve representar os interesses da sociedade. Quem disse que mulher defende interesses das mulheres? É melhor um parlamentar heterossexual que defenda os gays, como é o caso de Marta Suplicy, ou um parlamentar gay que era contra todo tipo de reivindicações homossexuais, como foi o Clodovil? Não vejo problema nessa proposta de cotas para mulheres, só acho que é mais um desses casos em que não se entregará o que se promete. De todo modo, se isso passar, acho que deveria haver um aumento gradual do percentual, para dar tempo de que os partidos adaptem inclusive seus quadros internos.<br />
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		<title>Debate: comentário ao meu post sobre a aprovação do Código Florestal</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Jun 2011 14:21:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fabricio Vasselai</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Atualizado em 17/06/11, às 17h: minha resposta ao comentário feito pela grande amiga Mayara segue neste próprio post, logo abaixo. Grande abraço!


Caros leitores, primeiro peço desculpas pela demora. A vida profissional e pessoal está passando por uns 10 dias de turbilhão de mudanças, hehehe. Mas finalmente farei algo que estive planejando nos últimos dias. Vou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><span style="color: #0000ff;">Atualizado em 17/06/11, às 17h: minha resposta ao comentário feito pela grande amiga Mayara segue neste próprio post, logo abaixo. Grande abraço!</span></strong><br />
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Caros leitores, primeiro peço desculpas pela demora. A vida profissional e pessoal está passando por uns 10 dias de turbilhão de mudanças, hehehe. Mas finalmente farei algo que estive planejando nos últimos dias. Vou publicar aqui neste post o comentário deixado pela leitora Mayara Melo <a title="Politicando | &quot;Um pouco de calma sobre a aprovação do novo Código Florestal&quot;" href="http://politicando.blog.br/?p=1367" target="_blank">no meu último post</a>. Trata-se de um comentário grande, bem elaborado, e discordando de grande parte do que eu havia escrito. Julgo que seja útil trazer o comentário dela como um post para que outros leitores leiam, para enriquecer o debate que pretendo fazer a partir daí. Afinal, é claro que pretendo depois responder a essa ótima intervenção da Mayara, ainda não sei se em um terceiro post, se abaixo do texto dela, ou se em comentário ao texto dela. Mas enfim, pensarei nisso em seguida. E se quiserem, dêem sugestões de como posso responder. Agora, aqui vai o comentário que ela deixou:<br />
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Por <em><strong>Mayara Melo</strong></em>:<br />
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Olá, Fabrício,<br />
Costumo gostar da forma que você aborda as questões no seu blog, pois sempre tenta manter a coerência, a clareza de raciocínio e certa imparcialidade (digo “certa” por não acreditar na imparcialidade de ninguém. Acredito que cada um de nós carrega consigo o “lugar” de onde fala e isso não é necessariamente um problema). Bom, concordo com você sobre as “confusões” em torno do Código Florestal e sobre os diversos usos e manipulações que estão sendo feitos em torno disso.<br />
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No entanto, tenho algumas discordâncias que gostaria de compartilhar. A primeira delas diz respeito a minimizar a influência dos interesses ruralistas na questão. Acho complicado deduzir que não se trata de defender os interesses de quem esse grupo representa apenas com base no amplo apoio que o código recebeu na câmara, pois sabemos como alguns “consensos” são costurados. É provável que vc responda que esse não é um problema, afinal, isso é a coisa mais natural do mundo quando se trata de democracia (sobre isso eu deixo pra falar mais a frente). Agora quero me deter nas “coincidências”. É fato notório que a maioria das mudanças no Código Florestal foram feitas para beneficiar a expansão do agronegócio, nem mesmo Aldo Rebelo esconde. No entanto, a maioria dos deputados que fizeram a defesa da reforma apelaram para o mentiroso discurso de que estão pensando na agricultura familiar. É digno de repulsa ouvir esses absurdos quando sabemos que não são os pequenos agricultores que estão atolados em dívidas de multas (que somam em torno de 2,5 bilhões) e nem promovendo o desmatamento para o avanço de seus negócios. Você diz no texto que não se pode pedir dos pequenos o mesmo que se exige dos grandes e nisso concordamos, mas precisamos pensar mais profundamente o que realmente significa a liberação de obrigatoriedade de reserva legal e de reflorestamento de áreas desmatadas de propriedades que possuem até 4 módulos fiscais.<br />
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Isso foi pensado sem prever - como alguém já comentou aqui antes -, qualquer impedimento para que grandes proprietários dividam em várias matrículas seus módulos para fugir da obrigação de manter reservas. Mas esse é só um dos vários exemplos de como o novo Código poderá beneficiar – e muito – os grandes produtores. Podemos citar entre os mais graves - além da anistia aos desmatadores -, a absurda permissão para plantar 50% de espécies exóticas como forma de recomposição de reserva, o repasse do poder para os estados decidirem sobre licenças ambientais e isso sem adentrar nos problemas de maior complexidade como a retirada de proteção de APP para ambientes extremamente frágeis como dunas, manguezais e várzeas. Digo que esses são problemas de maior complexidade, pois há pouca clareza sobre o quanto o novo código é uma ameaça à biodiversidade e a vida de diversas populações que vivem da estreita relação com os ecossistemas ameaçados pela expansão das fronteiras do agronegócio (incluindo aqui a aqüicultura que avança sobre os manguezais).<br />
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Enfim, acho que existe muito pouca clareza sobre esse debate e acho temerário querer mudar uma legislação ambiental, que é considerada uma das mais avançadas do mundo, para atender interesses de grupos muito específicos. Grupos de se perpetuam no poder e o legitimam através da interferência na esfera política. Não é novidade para ninguém que 13, dos 18 deputados federais que integraram a comissão especial do Código Florestal, receberam juntos algo em torno de R$ 6,5 milhões doados por empresas do setor de agronegócio e pecuária. Mas o que isso tem a ver com o debate? Lembrar todo o dinheiro investido nas campanhas pelo agronegócio não deve significar muitas coisa, afinal, é assim mesmo que funciona o nosso sistema. Bom, acredito que enquanto não houver uma reforma política nesse país, continuaremos vivendo uma falsa democracia. A democracia deveria ser um sistema no qual os direitos das “minorias” também são defendidos, mas não é isso que vivemos.Os movimentos sociais do campo estão debatendo e se posicionando contra as mudanças do Código, mas não me lembro de nenhum dos 410 deputados que votaram pela reforma fazendo qualquer menção a eles.<br />
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Por isso, não concordo com a forma que você trata democracia no texto (como se fosse algo consolidado). Aproveito para relembrar Florestan Fernandes que dizia que numa sociedade de classes não se deve atribuir a democracia um valor “em si mesma”, pois o seu sentido e significado variam de acordo com os interesses de classe. Desse modo, acredito que a democracia só é “real” quando o conflito de classes pode se manifestar na esfera política. Infelizmente, não é isso que estamos assistindo no debate sobre o Código Florestal e em tantos outros. Para falar em democracia, penso que não podemos desconsiderar a construção histórica desse país e nem como os espaços de representação política foram forjados para perpetuar relações de poder desiguais.<br />
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Infelizmente, não temos representações das chamadas “minorias” na Câmara…não, não temos índios/as, quilombolas, ribeirinhos/as, pescadores/as, marisqueiras, extrativistas da florestas, camponeses/as…etc. No senado então…melhor nem comentar, pois talvez seja o maior representante das oligarquias do país. Deve ser por isso que há uma descrença em relação a uma possível mudança do Código nessa casa (como você bem reparou). Sobre a crença no veto presidencial, sinceramente, acho que a mudança do código é do interesse desse governo também, desse modo, não vi nenhuma derrota nessa aprovação. Bom, só estou falando isso para que você tente compreender um pouco o sentimento de desânimo daqueles e daquelas que fazem a luta por justiça ambiental nesse país. Uma luta que se acirra cada vez mais por ser a fronteira entre o avanço do capital e a sobrevivência. Sei que corro o risco de ouvir que meu discurso “toma partido”, mas lembro que comecei esse comentário dizendo que carregamos conosco o “lugar” da nossa fala. E repito que não vejo problema nisso. Acho que não há problema algum em assumir posições, desde que elas fiquem claras e que toda a pluralidade de vozes, pensamentos e “lugares” encontrem espaço para o diálogo e também para o confronto.<br />
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<span style="color: #0000ff;"> Por <em><strong>Fabricio Vasselai</strong></em>:</span><br />
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Hey, olá Mayara! =) Finalmente respondi! Acho importante começar sublinhando o quanto concordo sobre a impossibilidade de sermos realmente imparciais. Corretíssimo: para mim, a imparcialidade não existe. Mas não é como um mito, que por ser mito deve ser desmistificado, mas sim como uma utopia, que como tal devemos morrer perseguindo mesmo sabendo que nunca alcançaremos. Porque se trata daqueles casos em que mesmo sabendo ser impossível de alcançar, quanto mais tentamos, menos distantes ficamos. Caso também da democracia que você parece perseguir – o que acho louvável. Mas devagar, chegarei lá. Tratarei disso no segundo ponto, mas antes no ponto um falarei sobre a votação do código.<br />
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<strong>1)</strong> Primeiro a sua primeira discordância, sobre o quanto o novo código atende aos interesses ruralistas. Veja bem: é evidente e eu nunca neguei que o resultado mais geral desse código florestal aprovado tenha sido francamente favorável aos ruralistas. Pelo contrário, estou de acordo com você e infeliz com esse fato. Mas uma coisa é o código aprovado ter beneficiado os ruralistas. Outra coisa é deduzir daí que tenha sido aprovado por causa dos ruralistas. É muito diferente e frequentemente uma associação errada. Não é verossímil com o que conhecemos do funcionamento parlamentar imaginar 410 almas influenciadas pelos ruralistas, ou visando atender aos interesses dos ruralistas, ou por “consensos construídos” pelos ruralistas. Isso é que é bastante complicado de deduzir. Não se pode inferir o processo através do produto. Ou quando se aprova algo que a gente gosta nós adotamos o mesmo raciocínio em favor dos deputados? Vitórias da área de educação foram conseguidas porque nossos deputados são exemplarmente preocupados com educação? Inúmeras vitórias do SUS foram conseguidas porque se preocupavam com os ganhos dos sanitaristas e com a saúde do povo? Tem mais troca e jogo político nisso. Ou inversamente: derrotas contra direitos gays foram conseguidas porque todos são homofóbicos ou comprados pelos homofóbicos? Outras vitórias ambientais, como essa legislação brasileira que você mesma chamou de uma das mais avançadas do mundo, foram conseguidas como? Sem as minorias que você diz não estarem representadas? Duvido, pois então teriam sido obra benevolente dos deputados e da maioria&#8230;<br />
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Por mais que eu também não simpatize com grande parte das causas e dos métodos dos ruralistas, imaginar que consigam construir um consenso de 80% porque esses 80% são vendidos, comprometidos ou algo que o valha, ou porque são pró-ruralistas do grande capital, não teria o menor cabimento. Ruralistas receberem apoio massivo da Câmara é bem raro. Fechar 80% da casa em torno de algo polêmico é algo que nem os presidentes em geral atingem a não ser nas questões com verdadeiros consensos (sem aspas, consenso mesmo). As grandes vitórias polêmicas dos ruralistas, até hoje, sempre foram super apertadas. Eles não costumam ser tão fortes no parlamento assim, não. Mesmo com dinheiro e influência, perderam muitas vezes ou nunca ganharam desse modo tranquilo. Por isso, uma coisa é dizer que favoreceu ruralistas. Outra é dizer que o apoio ao projeto foi coisa de ruralistas: não creio que queiramos definir qualquer defensor de pontos do projeto ou que não seja radicalmente contra o agronegócio de ruralista, estou certo?<br />
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No quase consenso do episódio atual pode haver, como provavelmente há, uma série de fatores que levaram outros deputados a apoiar o código – como por exemplo dar uma humilhada na Dilma para mostrar que não podem ser desprezados e que querem logo as nomeações de segundo e terceiro escalão que ela se recusa a dar desde que assumiu (se é que ela foi derrotada nessa votação do código). Outros deputados simplesmente concordam com o código, por exemplo em pontos como aqueles com os quais eu concordo – e honestamente, estou tão distante de ser um ruralista quanto Aldo Rebelo de ser um ambientalista. Muitíssimos votam apenas por pressão da liderança  a despeito da sua posição (vocês ficarão surpresos se souberem o enorme poder que os líderes partidários e os partidos exercem sobre os parlamentares), outros não têm posição formada, outros têm outros interesses maiores ou piores na questão. Não é tão simples. O código foi uma derrota para quem não gosta dele. Mas não foi uma vitória dos ruralistas. Foi coisa da maioria dos representantes da sociedade brasileira que consegue representação (e nem se venha dizer que é pouca parcela da sociedade que consegue, o que não é verdade). Aliás, o mesmo espectro de representantes da sociedade que aprovaram a lei ambiental brasileira anteriormente, a tal das mais avançadas do mundo.<br />
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<strong>2)</strong> O que me leva ao segundo ponto, ou seja, a comentar sobre nossa democracia. Você sugere muito corretamente que democracia não é apenas a vitória da maioria, mas também dar proteção e voz às minorias. Estou de inteiríssimo acordo, aliás essa é uma definição que já defendi em várias outras ocasiões aqui mesmo no blog. O problema está em especificar, a partir daí, quando então uma derrota de minoria será aceita como democrática. Aceita do tipo: simplesmente perdemos. Sem desqualificar a democracia. Quando for uma minoria que a gente não goste? Haverá alguma vez ou sempre que perdermos diremos que foi o jogo que foi injusto? Você diz que nosso sistema não representa nossas minorias e cita vários exemplos&#8230;. Pois bem: através de todas as medidas e em todos os estudos comparativos já feitos, o que se diz do Brasil no mundo todo, e inclusive aqui, é o contrário: que somos o sistema mais “exageradamente” aberto a minorias no parlamento em todo o mundo. Quando bater o desânimo, temos que ir lá ver como é no resto das democracias, inclusive na Europa e EUA&#8230; Não há minorias lá não. É claro que isso não serve de consolo, mas serve para dar contexto e perspectiva. Uma coisa é comparar com o que existe, outra com nosso ideal. Ou seja, claro, nossa democracia é de primeiro nível, mas isso não significa que esteja consolidada: nenhuma nunca está. Tem de sempre ser melhorada, lógico!<br />
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No entanto, só acharei que o sistema é democrático quando todas as minorias estiverem representadas, digo exatamente todas? E se houver, como há, milhares de minorias? Em nenhum sistema representativo cabem todas. Sublinho aqui a palavra representativo. Além disso: minorias não têm voz no nosso parlamento? Não há embates de classes e de interesses? Ô se há! São incontáveis as questões, os temas, em que isso vem sendo flagrante. São incontáveis as vitórias e os avanços de inúmeros movimentos sociais no Congresso brasileiro desde 1988, ou mesmo 1985. Avanços de direitos sociais, conquistas. Se for olhar antes de 1964, então, nossa. Mas é lógico: foram inúmeras também as derrotas – e como sempre, é só disso que lembramos. E é isso que costumo chamar aqui de democracia: não algo consolidado, mas um sistema em que se ganha e se perde. Como exemplo, você diz que os movimentos sociais do campo estão debatendo e se posicionando contras as mudanças do código, mas não foram lembrados por nenhum dos 410 deputados que aprovaram o tal código. Tem toda razão, mas o ponto é que isso não é prova de fragilidade democrática. Isso é prova de fragilidade dos movimentos sociais do campo. No caso de alguns, especialmente depois de terem sido grandemente desmantelados e enfraquecidos pela chegada de Lula ao poder. No caso de outros menores, ainda nunca conseguiram ganhar força.<br />
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Ora, fora dos nossos sonhos, nunca serão todos os movimentos que serão ouvidos pelo Congresso em todas as ocasiões. Serão ouvidos de acordo com sua força de pressão. Uma série de outros movimentos sociais consegue isso. Aliás, o próprio movimento campesino brasileiro já o fez e muito: durante 1945-64 e até anos atrás. Vide o próprio MST em outras questões, fortíssimo que já foi e esteve. Se quase ninguém ouviu os movimentos do campo, é porque eles estão enfraquecidos. O que lamento, o que lastimo, o que me revolta e indigna, mas que não tem nada a ver com debilidades de nossa democracia. Em qualquer democracia do mundo, força, voz e ouvidos se conquistam: ninguém é citado porque existe. É citado porque grita. Por isso, gritemos! =) Não estou aqui fazendo a defesa do que existe, mas lembrando como é em qualquer lugar do mundo até hoje. Assim é a democracia representativa, capitalista ou não. A gente pode inventar outra coisa. Mas até lá, meu único ponto é que cobremos dela o que ela pode nos oferecer. Vários movimentos sociais de várias áreas já chegaram lá, ao ponto de fazer pressão vital. Se nosso campo e nossos ambientalistas ainda não, ok, continue-se a luta justa. <img src='http://politicando.blog.br/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' /><br />
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Exatamente por isso espero que os movimentos do campo consigam se fortalecer, à semelhança do que já foram e já fizeram. E que novos surjam também. Seja para tentar mudar pontos nefastos do novo Código Florestal no Senado, forçar Dilma a vetar partes, seja para revertes essas derrotas no futuro. O que não dá é para condenar a democracia toda vez que a gente perde. Porque perder é parte dela. Ou julgar que em geral minorias não estão representadas, só porque as que prezamos – e eu realmente prezo - não estão.<br />
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Por fim, um parágrafo sobre uma parte final do seu comentário: você diz que acha que Dilma não foi derrotada. Ou seja, que efetivamente queria esse código aprovado. Pois bem, por isso adoro seus comentários! Esse posicionamento é vital: pois não acho possível descartar essa hipótese. Obviamente estou trabalhando com a idéia contrária porque é o do que tenho indícios até aqui. Mas pessoalmente, minha desconfiança também sempre foi essa sua. Continuo buscando informação a respeito, e mais detalhes para poder fazer qualquer análise definitiva. Prometo que assim que conseguir algo mais sólido, volto a comentar esse ponto. Quer seja para referendar ou para retificar o que propus no post original. Mas repito e sublinho: estão excluindo muito cedo, uns para passar a mão na cabeça de Dilma e outros para taxa-la de fraca, a hipótese de que ela tenha sido vitoriosa nessa votação. Espero poder avançar nisso em breve! Ufa, por hoje é só pessoal! Volte sempre May, e sinta-se à vontade para responder que vou aumentando o post, ok? Grande abraço a você - e a todos que ainda aguentaram nos ler, hahaha!</p>
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		<title>Um pouco de calma sobre a aprovação do novo Código Florestal</title>
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		<pubDate>Fri, 27 May 2011 17:28:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fabricio Vasselai</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Poder Executivo]]></category>

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Ontem foi aprovado na Câmara o polêmico novo Código Florestal do país. Suspeito que as notícias e a blogosfera nunca foram tão confusas, ideologizadas e manipuladoras como nesta semana: ao mesmo tempo em que se afirma que essa aprovação foi a primeira grande derrota do governo Dilma, critica-se o governo pela vergonha que é a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><div class="wp-caption alignnone" style="width: 573px"><a href="http://www.gazetadopovo.com.br/charges/index.phtml?foffset=2&amp;offset=&amp;ch=Paix%E3o"><img class=" " title="Charges do Paixão - 25/05/2011" src="http://www.gazetadopovo.com.br/midia/tn_625_490_paixao_250511.jpg" alt="" width="563" height="368" /></a><p class="wp-caption-text">Charges do Paixão - 25/05/2011</p></div></p>
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Ontem foi aprovado na Câmara o polêmico novo Código Florestal do país. Suspeito que as notícias e a blogosfera nunca foram tão confusas, ideologizadas e manipuladoras como nesta semana: ao mesmo tempo em que se afirma que essa aprovação foi a primeira grande derrota do governo Dilma, critica-se o governo pela vergonha que é a aprovação desse código. Chega-se a falar que foi uma moeda de troca para salvar o pescoço de Palocci&#8230; Mas hein? Será que só eu fico de queixo caído com tamanha contradição de argumentos? Criticar e bradar palavras de ordem é fácil. Mas frequentemente produz esses absurdos: como Dilma pode ter sido derrotada com a aprovação e ao mesmo tempo ser culpada pela aprovação? Ou bem o governo Dilma queria o tal Código Florestal e então não sofreu derrota, ou bem sofreu derrota e portanto não pode ser culpado do Código Florestal.<br />
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Aliás, cabe uma pausa para a seguinte nota: quase todo o mundo é contra o novo código ainda que a maioria não o tenha lido. Inclusive contra ele inteirinho por questão de princípio. O que é um contrassenso, uma vez que um código traz um conjunto de modificações, que devem ser analisadas caso a caso. Com isso inclusive entrego desde já minha posição para ser honesto ao leitor: das que entendi sem conhecimento técnico suficiente sobre o assunto, sou contra várias partes, tolero outras, simpatizo com poucas. Mas não me oponho a um código inteiro, em bloco, por ideologia, e sem antes tê-lo lido.  Dito isso, comecemos afastando manipulações grosseiras como a idéia de que o Código como um todo foi aprovado por ação, ou por influência ou sob interesse dos ruralistas. Por favor: 410 votos contra 63, de 513 deputados, mostra que havia apoio de setores amplos, muito além da bancada ruralista. Fora da blogosfera verde, não parece que o novo código fosse assim tão polêmico em seu texto geral.<br />
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Mas como o diabo sempre mora nos detalhes, é em torno de alguns pontos específicos que se desenharam o embate e as polêmicas. Vejamos algumas. O ponto de maior alvoroço na votação que houve na Câmara foi na verdade uma emenda ao projeto, a emenda 164. Ela dar a cada estado, e não ao governo federal, o poder de determinar o tipo e a extensão de cultura agropecuária que poderá ser desenvolvida nas áreas de proteção ambiental permanentes. Ou seja: obviamente, queria deixar na mão de governadores ligados ao agronegócio a liberação da destruição das florestas de estados como Mato Grosso e Pará, por exemplo. É sem dúvida o maior risco do novo código. E felizmente, o governo federal se posicionou contra a medida e orientou a base a votar contra. Mas a emenda nefasta foi aprovada por 273 a 182, ou seja com muitas abstenções e faltas do total de 513 – placar que dá a medida de que aí sim houve polêmica. A contrariedade do governo a essa emenda é tão notória que o vice-presidente da República, Michel Temer, afirmou que o governo espera que agora ela seja modificada pelo Senado. E o governo já fez saber que se isso não acontecer, Dilma vetará a emenda.<br />
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E vejam bem, é uma emenda: isso significa que nem constava do projeto. Mas o segundo ponto problemático do Código, que menciono a seguir, constava. Refiro-me ao fato de, na prática, o novo código anistiar quem desmatou florestas legais até julho de 2008. A brecha é um óbvio disparate e o próprio governo condenou, indicando que tentará reverter no Senado, afirmando inclusive que esse modelo mais frouxo com o meio ambiente causaria prejuízos aos próprios produtores pois colocaria os produtos brasileiros como alvos fáceis das barreiras ambientais internacionais. Um terceiro ponto polêmico do texto que foi votado refere-se à exigência de que pequenos produtores também reflorestem áreas de reserva legal que tenham sido prejudicadas por eles. Hoje, qualquer produtor rural tem de fazê-lo. Pelo novo código, os pequenos produtores ficariam anistiados dessa obrigação. Esse é o ponto sobre o qual talvez haja maior divisão de opiniões. Eu mesmo, para ser sincero, simpatizo com a idéia do novo código: não é absurdo o argumento do relator Aldo Rebelo de que não se deve exigir do pequeno produtor o mesmo que se exige do grande.<br />
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Mas não é obviamente meu interesse aqui discutir as qualidades (poucas) ou defeitos (muitos) do que foi aprovado.  O que pretendo é ajudar a pisar no freio para lermos as confusas notícias com mais cuidado. A questão é mais difícil e escorregadia do que se quer fazer parecer. Como comecei dizendo, as leituras do episódio são grosseiras. Culpa-se o governo federal mesmo admitindo-se que ele foi derrotado. Critica-se o a posição de Dilma, mesmo que os principais pontos negativos do projeto o governo queira alterar. Tenta-se relacionar a aprovação do código ao pescoço de Palocci, como se o governo tivesse trocado um afago aos ruralistas pela não convocação do ministro para depor na Câmara: uma linha de raciocínio de doer, porque a polêmica e as posições sobre o código florestal vêm de muito antes das denúncias contra Palocci. Tenta-se fazer crer que o novo código é coisa dos ruralistas, quando teve apoio de 80% da Câmara. Tenta-se fazer crer que o código é uma coisa só, quando é um conjunto de mudanças: e aliás, quem acha que só estará bom se o código inteiro for para o lixo&#8230; bem, não aprendeu ainda como democracia funciona. Nessa visão generalizadora do código, chega-se ao ponto de divulgar na internet listas dos 410 quem votaram o texto base do código, quando então dever-se-ia publicar é quem votou os pontos específicos que cada um de nós não goste – não o texto base. Ok: então divulguemos por exemplo quem votou a favor da insana emenda 164, por exemplo.<br />
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É claro que, em coerência com minhas posições pessoais, pessoalmente estou triste com grande parte do que foi aprovado até aqui. Mas isso não me dá o direito de confundir tudo, misturar, dar nó em pingo d’água, para criticar o que não gostei. Aliás, a desinformação é tanta que o noticiário e a reação das pessoas vêm demonstrando um tom melancólico de derrota final, quando na verdade o que aconteceu é o primeiro passo de um longo processo: agora o novo código vai para o Senado. Lá, terá de ser votado novamente e pode ser inteiramente modificado. E se houver modificações, volta para mais uma votação na Câmara, onde tudo pode acontecer outra vez. Depois dessa etapa, tem que ser assinado por Dilma, que pode vetar as partes que bem entender.  Portanto, menos: ninguém vendeu ainda nossas florestas, nem as trocou por Palocci, nem mesmo o governo é o lobo mau da Amazônia, nem fomos feridos de morte pelos ruralistas. Há um processo em curso, que está sendo moldado, onde se ganha e se perde aqui e ali. Onde se terá o novo código, mas onde se poderá alterá-lo substancialmente. Ou seja, onde está havendo democracia através do choque de posições.<br />
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Para os que, como eu, não gostaram da maior parte das mudanças ambientais que vieram com o novo código, sugiro que seria um bom começo: menos confusão, menos invocação de fantasmas, mais serenidade, evitar o uso do episódio para forjar críticas fáceis contra o governo Dilma e o PT. O governo, o PT e Palocci já fazem coisa errada o bastante para que precisemos poluir o debate sobre o Código Florestal com seus desmandos.<br />
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		<title>Não se sabe como Palocci enriqueceu. Mas como a imprensa empobrece, sim</title>
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		<pubDate>Thu, 19 May 2011 04:18:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fabricio Vasselai</dc:creator>
		
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Antes de mais nada, é preciso registrar uma interessante nota sobre o petista Antônio Palocci, o supostamente todo poderoso ministro da Casa Civil de Dilma. Palocci é aquela rara figura histórica que consegue a façanha de não ter o apoio político sincero de ninguém. Os petistas, lulistas ou pró-Dilma, não fazem questão de salvá-lo porque [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><div class="wp-caption alignnone" style="width: 517px"><a href="http://amarildocharge.wordpress.com/2011/05/18/patrimonio-aumentou-20-vezes-em-4-anos/"><img class="  " title="Charges do Amarildo - &quot;Patrimônio aumentou 20 vezes em 4 anos&quot;" src="http://politicando.blog.br/imagens/ChargeAmarildo001.png?w=640&amp;h=473" alt="" width="507" height="375" /></a><p class="wp-caption-text">Charges do Amarildo - &quot;Patrimônio aumentou 20 vezes em 4 anos&quot;</p></div></p>
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Antes de mais nada, é preciso registrar uma interessante nota sobre o petista Antônio Palocci, o supostamente todo poderoso ministro da Casa Civil de Dilma. Palocci é aquela rara figura histórica que consegue a façanha de não ter o apoio político sincero de ninguém. Os petistas, lulistas ou pró-Dilma, não fazem questão de salvá-lo porque o consideram quase um tucano. E os tucanos, políticos ou jornalistas, querem fritar Palocci mesmo simpatizando com ele porque, bem, seria o ministro forte de Dilma. Dito isso, não há ninguém interessado em defender o ministro. Muito menos eu, que não lhe simpatizo em nada.<br />
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Mas para fiscalizar o governo, não é preciso perder o bom senso. O mais recente assunto fervilhando na imprensa é o fato <a href="http://www1.folha.uol.com.br/colunas/elianecantanhede/916054-o-apartamento-de-r-7-milhoes.shtml" target="_blank">apontado pela colunista Eliane Cantanhêde</a>, na Folha, de que o ministro Antônio Palocci teve seu patrimônio aumentado em 20 vezes desde 2006. Basicamente, desde que deixou de ser ministro da Fazenda e passou a ser deputado federal. De fato, choca a inteligência do cidadão comum, tão acostumado à vida dura e salário baixo, como se pode realizar uma tal façanha de multiplicação dos pães sem cometer algo ilícito. E portanto, começa-se a cobrar informalmente e depois em plenário do Congresso, que Palocci preste contas mais detalhadas sobre para quem teria prestado as tais consultorias de sua empresa depois de sair do governo.<br />
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Pois bem, mesmo não gostando de Palocci, tentemos ser um pouco mais objetivos do que a imprensa gosta. Em primeiro lugar, por mais que o aumento de patrimônio de Palocci seja suspeito, é preciso indicar qual crime cometeu. Vejam se há cabimento: acusam ele de ter enriquecido e, com isso, querem que ele abra seus sigilos profissionais para aí sim encontrar o crime que teria cometido. Ué, mas a acusação não começa&#8230; com uma acusação? Ora, se tivesse que apostar meus tostões furados, apostaria que Palocci conseguiu o dinheiro fazendo coisa errada. Mas calma: porque eu suspeito de algo, já tá bão? Se suspeito, então que se passe por cima do direito? Que se obrigue Palocci a construir prova contra si mesmo porque&#8230;. desconfio que ele enriqueceu? Pronto, a imprensa descobriu que Palocci é rico! Sou a favor: vamos começar a fiscalizar os ricos. Vamos tornar passível de investigação e até quebra de sigilo quem enriquecer a partir de um dado patamar. Topam? Eu topo. Será que a imprensa topa? Será que a Cantanhede topa?<br />
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Mas a imprensa descobriu tarde que Palocci é rico. A colunista Cantanhede, esposa de um reconhecido tucano de bastidores, fez apenas contar o patrimônio do ministro em 2006 e agora em 2011. Será que ninguém poderia ter feito isso durante, digamos, as eleições? Seria ótimo para o debate eleitoral, já que Palocci comandava a campanha de Dilma. Mas não, é claro que ninguém fez essas contas: muita gente é ex ministro. Serra mesmo, ex da Saúde e até do Planejamento, durante a obscura e suspeita era das privatizações. Fernando Henrique Cardoso foi ministro da Fazenda. Ciro Gomes, cuja boca ninguém gosta que se abra, também. Fora queridinhos da imprensa, como Pedro Malan. Ninguém estaria disposto a jogar tanta gente no ventilador&#8230;. Então, os gênios de repente aprendem a subtrair um valor de 2006 de outro de 2010: devem ter descoberto só agora porque fizeram um curso de verão em Harvard, em metodologia da aritmética básica.<br />
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Além do absurdo óbvio de mau jornalismo que reside em querer acusar alguém com base no patrimônio  e não no crime, mais grave é a fulanização da imprensa. Que quer perseguir pessoas, não o sistema. Porque espera a melhoria do ser humano, não das instituições. Eu, pessoalmente, sou absolutamente a favor de que Palocci seja investigado e obrigado a informar para quem prestou serviços de “consultoria” antes de voltar ao governo, agora sob Dilma. Mas resolve? Não. O problema é Palocci ou é a frouxidão das nossas instituições? Voltemos à objetividade que a mídia não gosta nem de tentar. Quando se olha com suspeita o crescimento de patrimônio de Palocci, o que se suspeita é que ele tenha cometido possivelmente dois crimes depois de deixar o comando da Fazenda em 2005: 1) tráfico de influências enquanto foi deputado; 2) venda de informação privilegiada por ter estado à frente da economia. Pois bem, é verdade que ex-ministros são fortes candidatos a cometer esses crimes.<br />
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O correto então não seria um debate sobre as instituições? Ora, vamos passar os ex-ministros a limpo. De Lula, de FHC, todos. Vamos investigar a sério o que fazem os ex ministros, como se comportam. Vamos punir os deslizes e pensar como gostaríamos que se comportassem os ex, para criar novas regras, instruir órgãos de fiscalização. O que a imprensa quer combater é o real risco que ex-ministros representam, ou apenas combater Antônio Palocci? Quando o petismo em peso vem dizer que Palocci não foi o único ministro a enriquecer depois de sair do governo, porque um ex-ministro da Fazenda vale muito no mercado, o petismo defende seu osso. Mas tem razão: é óbvio que um ex-ministro da economia do país vale centenas de milhares de reais no mercado! É óbvio que todos enriqueceram.<br />
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Não se justifica o erro do um com o do outro. E defender Palocci apenas dizendo que ele não foi o único, é coisa de Sarney, que aliás disse isso. E coisa de Lula e FHC, defendendo suas tropas. Aqui, não se trata disso. Trata-se apenas de argumentar que temos que começar a desfulanizar as críticas no Brasil. E passar a fazer críticas institucionais, voltadas à melhoria de instituições de fiscalização e punição. Não voltadas à caça de cabeças, como neste caso, ou à destruição de reputações de um fulano ou outro cicrano, como em casos recentes, de acordo com se gostamos do fulano ou do governo do fulano. Ou seja, não temos que querer o pescoço de Palocci. Mas sim uma limpa geral no passado. O problema não é a imprensa implicar. Ela existe para bater em governos. O problema é ser seletiva: quando a imprensa fulaniza, quando coloca o problema nas costas de uma ou outra pessoa, e não no funcionamento institucional, a imprensa se dá o poder de criticar só quando o tal fulano não é amigo seu.<br />
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Não temos que combater Palocci. Nem achar que os problemas se resolvem trocando a qualidade dos políticos, como se esperássemos a reforma moral do homem, o surgimento de homens públicos melhores. Ô jornalismo romântico, ceús. Temos que investigar sempre no plural e em mais de um governo, para aprimorar regras e fiscalização. A imprensa quer só o governo de plantão porque, primeiro, quer manchete que interesse para agora. Segundo, porque não gostam de quem está no governo hoje. Mas quem quer o bem do Brasil, não está interessado só em manchetes do agora, e sim em averiguar a muitos, não só a quem a imprensa quer. Enriquecer não é crime. E se enriquecer rápido depois de ser ministro da Fazenda é suspeito, como eu também acho que é, então vamos atrás de investigar e debater a posição geral de “ex-ministros da Fazenda” per se. Não atrás da cabeça que alguém decidiu querer colocar na parede da sala.<br />
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		<title>Havia um metrô no meio do caminho</title>
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		<pubDate>Sun, 15 May 2011 22:01:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fabricio Vasselai</dc:creator>
		
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Na última semana, pasmem, um governo tucano de São Paulo virou alvo de uma polêmica na própria imprensa paulista! Polêmica que passou a dominar internet e twitters Brasil a fora. Trata-se do seguinte. O metrô do estado está prestes a licitar a construção de uma nova linha na cidade, a linha laranja, que já havia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><div class="wp-caption alignnone" style="width: 532px"><a href="http://blogs.estadao.com.br/tragico-e-comico/2011/05/15/o-maior-problema-de-sao-paulo-os-paulistanos/"><img class="   " title="Charges do Diogo Salles no Jornal da Tarde - &quot;O maior problema de São Paulo: os paulistanos&quot;" src="http://politicando.blog.br/imagens/ChargeDiogoSalles.png" alt="" width="522" height="334" /></a><p class="wp-caption-text">Charges do Diogo Salles no Jornal da Tarde - &quot;O maior problema de São Paulo: os paulistanos&quot;</p></div></p>
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Na última semana, pasmem, um governo tucano de São Paulo virou alvo de uma polêmica na própria imprensa paulista! Polêmica que passou a dominar internet e twitters Brasil a fora. Trata-se do seguinte. O metrô do estado está prestes a licitar a construção de uma nova linha na cidade, a linha laranja, que já havia sido anunciada por Serra mas não iniciada. Uma das estações dessa linha, a Estação Angélica, seria localizada em um dos principais bairros grã-finos, chiques, e politicamente poderosos da capital paulista, Higienópolis. Tão poderoso que é alvo de piadas do lulista Paulo Henrique Amorim, que diz que FHC só voltaria a ganhar uma eleição ali, príncipe de Higienópolis, onde mora.<br />
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O reduto tucano, típico bairro da elite paulista tradicional (e não emergente), vem sendo representado por seu movimento de bairro para tentar impedir que o metrô construa mais essa estação na região – que já é servida por outras estações nos arredores. Os moradores chics de Higienópolis não querem uma nova estação que seja no coração do bairro. Alegam que descaracterizaria a “cultura” do local. Traria “inconvenientes”. Moradores entrevistados pela Folha chegaram a falar que metrô ali traria “gente diferenciada”, “camelôs”, “gente de fora” (dã!). Em entrevista no UOL, uma moradora chic afirmou que o metrô era importante, mas não ali porque o “povão” não estaria preparado para usar metrô (hein?). Até aí, parecem absurdos caricatos, tentando obviamente evitar que o maior movimento desvalorize seus imóveis rococó - pois se metrô normalmente valoriza, André Forastieri <a href="http://noticias.r7.com/blogs/andre-forastieri/2011/05/12/uma-otima-razao-para-nao-construir-o-metro-em-higienopolis/" target="_blank">lembra bem</a> que ali poderia acontecer o contrário. Mas se o abaixo assinado de 3.500 endinheirados (foi só isso mesmo) não seria notícia, acontece que o metrô do governo de São Paulo anunciou de fato a retirada daquela estação incômoda aos chics.<br />
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A alegação, tanto do metrô como do governador Alckmin, é técnica. Para eles, a tal Estação Angélica ficaria mal distribuída: muito próxima da que vem antes (600 metros), muito longe da que vem depois (1,5 km). A saída seria efetivamente desistir dessa estação e construir uma outra no estádio do Pacaembu, mais à frente, e fora do bairro. De fato, nas discussões técnicas sérias que se pode encontrar em fóruns especializados na internet (ver o <a href="http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=434946" target="_blank">Skycrapercity.com</a>), essa é uma preocupação real legítima.  O que ninguém explica é porque o governo aceita estações tão ou mais “mal distribuídas” em outras regiões da cidade. E porque os metrôs de Paris e Nova Iorque, onde a gente chic de São Paulo adora andar de metrô, tenha estações a menos de 500 metros de distância, no problem. É evidente que haveria espaço tanto para a tal da Estação Angélica como essa outra que agora anunciam. Aliás, me dei ao trabalho de procurar o plano original da linha e de fato as duas estavam lá&#8230;<br />
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Mas ok, mesmo aceita por um momento a explicação puramente técnica do governo de São Paulo, o episódio diz muito. Diz muito sobre como hoje os tucanos paulistas são ruins de serviço e estão cometendo um verdadeiro suicídio político coletivo. Pois o episódio chega no mesmo momento em que FHC comete aquele equívoco em forma de artigo dizendo que os tucanos deveriam abandonar a disputa pelo povão para se concentrar nas classes médias, antigas e novas. Em que rechaçam Bolsa Família como esmola e assistencialismo, para em seguida prometerem na campanha eleitoral até um 13º para o Bolsa Família. Ou seja, é mais um degrau na construção da imagem tucana como partido distante dos pobres, elitista, arrogante. Pouco importa se verdadeira ou não: política, como tudo na vida,  é feita de imagens. Não parece um bom caminho pra os tucanos que tanto tentam fugir do espectro ideológico  conservador em que a campanha eleitoral de Serra jogou o partido – com a colaboração, claro, dos militantes chics de internet, blogs e twitters. E pior, no momento em que se opõe o exército de Lula, tido como um deus dos pobres, ao do FHC, que é exatamente o  tal príncipe de Higienópolis! Ou seja, técnica ou não, a decisão do metrô de São Paulo é um equívoco político. Se quiséssemos decisões tomadas puramente por questões “técnicas”, não seria necessário haver eleições: fazíamos concurso para governador e para presidente.<br />
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Politicamente, que aqui é o que importa (vide o nome do blog :D), Alckmin  é ao mesmo tempo vítima e alimenta a imagem já arraigada dos tucanos: a de que olham ao povo de cima para baixo, como uma “gente diferenciada”. Resultado? Os tucanos não aprendem a lição. O blogueiro e jornalista esportivo Juca Kfouri, morador de Higienópolis e em certo momento até simpatizante de Serra, <a href="http://blogdojuca.uol.com.br/2011/05/o-decalogo-da-estacao-do-metro-em-higienopolis/" target="_blank">disse em seu blog</a>: “os milionários também têm o direito de se manifestar e de se organizar para reivindicar; não devem ser atendidos, é claro, se prejudicarem a coletividade, coisa que um governo tucano tem dificuldade em fazer”. Em seu Twitter, <a href="http://twitter.com/#!/zerotoledo" target="_blank">José Roberto Toledo</a>, do Estadão, soltou a análise definitiva do que o episódio representa: “Higienópolis rechaça estação do metrô. Tucanos se atrasam para encontrar emergentes da classe média”. Perfeito. Tratem ou não os pobres e a classe média tal como o PT, os tucanos parecem já ter perdido a batalha por imagem.<br />
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E, acredito, o estrago não está tanto na face mais perceptível, que é a decisão  do metrô coincidir com a reivindicação dos chics de Higienópolis. A contra face de todo esse fuzuê é o fato de que o governo de São Paulo enfrenta toda a polêmica para garantir a estação de uma nova estação de metrô em bairro rico. É óbvio que o metrô é vital para quem trabalha no bairro chegar ao trabalho com mais decência. E também, pura e simplesmente para tornar partes da cidade mais alcançáveis, ou seja, garantir o direito à cidade. Só isso já justifica estações de metrô em qualquer lugar. Mas mesmo assim, não deixa de ser surreal que os tucanos tenham que sorrir amarelo para resolver a localização de uma estação em bairro fino enquanto milhões de trabalhadores moram na periferia de São Paulo e suplicam há décadas por uma linha de metrô. É ou não de marcar a imagem de um partido?<br />
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Aliás, aí sim estaria um argumento diplomaticamente eficiente para a Associação de Bairro de Higienópolis ter usado: caro Alckmin, uma estação aqui é bem vinda. Mas por que não atender a periferia primeiro? Esse é um bom motivo para adiar a construção da nova estação. E quiçá até da nova linha, se quiserem. Mas a elite paulista não pensou nisso, claro. Porque malhar a “gente diferenciada” é mais fácil do que se preocupar com ela. E depois, não sabem porque não conseguem mais ganhar eleições fora do rio Tietê. Digo, tanto os chics como os tucanos. É que há um metrô no meio do caminho.<br />
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		<title>Obama-Osama</title>
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		<pubDate>Mon, 02 May 2011 14:57:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fabricio Vasselai</dc:creator>
		
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É verdade. O presidente comedido,  boa-praça e menos belicista (porque pacifista nos EUA acho que nem as pombas brancas são) matou o inimigo público número 1. Coisa que W. Bush, o caubói texano, sangue-nos-olhos e movido a petróleo, não conseguiu fazer. Mas e daí? Obama fez o mesmo que Bush faria, ou seja um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><div class="wp-caption alignnone" style="width: 580px"><a href="Charges do Alpino - &quot;Evidências de vida na lua de Saturno&quot; http://colunistas.yahoo.net/posts/2603.html"><img title="Charges do Alpino - &quot;Evidências de vida na lua de Saturno&quot; http://colunistas.yahoo.net/posts/2603.html" src="http://colunistas.yahoo.net/content/uploads/2010/06/Alpino-0000068.jpg" alt="Charges de Alpino: " width="570" height="376" /></a><p class="wp-caption-text">Charges do Alpino - &quot;Evidências de vida na lua de Saturno&quot; http://colunistas.yahoo.net/posts/2603.html</p></div></p>
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É verdade. O presidente comedido,  boa-praça e menos belicista (porque pacifista nos EUA acho que nem as pombas brancas são) matou o inimigo público número 1. Coisa que W. Bush, o caubói texano, sangue-nos-olhos e movido a petróleo, não conseguiu fazer. Mas e daí? Obama fez o mesmo que Bush faria, ou seja um assassinato sem captura ou julgamento, mas que se fosse seu antecessor o mundo todo estaria repudiando. Como se trata do boa-praça, que fala bem pra burro e fez <a href="http://www.youtube.com/watch?v=m-N3dJvhgPg&amp;feature=player_embedded" target="_blank">um discurso primoroso</a>, aplaudimos ou ao menos não nos indignamos (lembro do horror e das críticas ao enforcamento de Saddam Hussein por Bush filho).<br />
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Do ponto de vista prático, compreendo a ação que matou Osama. Como sabem os antigos acompanhantes deste blog, tento sempre ser o mais realista e pragmático possível. Entendo que isso fosse plausível em uma situação como a de uma batalha em uma guerra. Mas aí é que está: substituir a captura, ordem de prisão e julgamento livre com espaço para o contraditório é coisa que só se vê em duas circunstâncias. Ou em uma guerra, ou em uma ditadura. Os EUA não estão em guerra contra a Al Qaeda: para além da retórica do faroeste, não é possível declarar guerra a criminosos que se quer perseguir. Posso declarar guerra aos ladrões do trem pagador, ao estuprador do Butantã ou a um atirador como o do Realengo? Ah, mas a Al Qaeda é uma organização. Ok. E acaso formalmente o Brasil declara, além da retórica, guerra ao tráfico dos morros de modo a que não valham mais leis? Quando isso por acaso acontece, não é visto como um desvio e tido pelos ativistas de plantão como barbárie e rolo compressor sobre os direitos humanos?</p>
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Criminosos se busca, condena-se, julga-se. E pronto. A ação dos EUA, tratando de caçar e matar seus criminosos em qualquer território alheio, é ação proto-ditatorial. Que humilha o direito nacional deles, americanos, e o internacional. Que humilha a soberania dos países: imaginem se matam o Osama no Brasil? Afinal, ele foi morto no Paquistão, país com o qual os EUA não estão em guerra. O sorriso do Obama não me convence: em política externa e quanto às rédeas do mundo, ele faz apenas mais do mesmo. Mas pior do que ver esse jeito maroto poupar os EUA de críticas, é assistir a reação ensandecida dos americanos comemorando a morte de Osama com um verdadeiro Carnaval dos Donuts.</p>
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Não sou hipócrita: não estou condenando que se comemore a morte de um “inimigo”. Parece bastante natural, afinal aposto que muitos russos tomaram uma vódica à morte de Stálin, muitos europeus brindaram a de Hitler, e certamente se eu fosse crescido teria tomado uma pinga para brindar a morte Geisel, Castelo Branco, Médici, Costa e Silva ou Figueiredo. Meu desânimo é ver americanos fazendo uma ode à truculência de seu país, à incivilidade de seu governo, ao desmando de Washington sobre o mundo.</p>
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Claro, do ponto de vista da política interna, Obama dá um nocaute na oposição. O tapa de pelicas já havia dado dias atrás, ao provar sua nacionalidade americana às insanas dúvidas lançadas pelo pré-candidato republicano, Donald Trump (sim, o apresentador do programa de tv O Aprendiz, na versão gringa. Se o Justus ameaça ser candidato a presidente do Brasil, estaríamos nos chamando de república de bananas). Se isso garantirá a reeleição do democrata em 2012? Talvez, pode ser. Como em economia Republicanos e Democratas estão empatados – os primeiros por terem criado a crise, os segundos por nada terem feito quanto a ela até agora – pode ser que o midiático assassinato de Osama desempate.</p>
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Mas querem saber? A pergunta para nós do além mar importa cada vez menos. Porque a cada passo que Obama dá em direção a sua nova vitória, faz menos diferença. Yes, they can. A conclusão é triste. Por um lado, fica claro mais uma vez que os próprios americanos são sim responsáveis pelo que seu país faz com o mundo. Quando apoiam a barbárie, sem essa de que uma coisa é o governo dos EUA, outra são seu povo. E por outro lado, bem, sejamos francos: cada vitória da truculência americana é uma derrota para o mundo.</p>
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