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Dilma não dependeu do Norte e Nordeste, nem do Bolsa Família e não houve Norte x Sul

1 de Novembro de 2010, às 21:27:55 Postado há 4 anos atrás

                    

Pretendia começar este período pós-eleitoral fazendo uma avaliação da vitória de Dilma Rousseff, mas sou obrigado a dar minha pequena contribuição ao combate do mais recente mito que circula na internet e até entre analistas. Mito só não, um verdadeiro preconceito regional que desvirtua a análise de dados simples: refiro-me, claro, à idéia rapidamente difundida de que a vitória de Dilma teria sido garantida pelos nordestinos ou ao menos pelos nortistas somados aos nordestinos. O assunto mal esconde 3 pontos que muitas vezes se retroalimentam: 1) o preconceito puro e simples daqueles sul-sudestinos que, descontentes com o resultado eleitoral, dizem asquerosamente que “foi culpa do Nordeste”; 2) a idéia que vem surgindo desde 2006 de que vem havendo uma divisão política do Brasil em duas partes: uma porção sul mais tucana e outra porção norte mais lulo-petista e 3) a simplificação também preconceituosa de que a vitória de Dilma é coisa do Bolsa Família (ou seja, a preconceituosa frase do “Nordeste votou com o estômago”). Pois bem, vamos ver por que são absurdos?



1) O primeiro ponto é tão fácil de rebater que chega a parecer absurdo sequer ter que tratar disso: como é que a causa da vitória de Dilma estaria no Norte e Nordeste se 53% dos votos dela vieram do Sul e Sudeste? Posto de modo mais simples ainda: como se vê na tabela abaixo, se apagarmos do mapa todos os 26.077.771 eleitores do Nordeste, ainda assim Dilma ganharia as eleições. Se apagássemos todos os votos de Norte e Nordeste, também. E aliás, se apagássemos Norte, Nordeste e Centro-Oeste, ela ainda assim teria vencido ontem. O Brasil ainda assim seria governado pela petista.





2) Tampouco é exatamente verdadeira a tal da divisão entre dois Brasis eleitorais de que se vem falando. Quando olhamos o mapa feito pelos portais pintando de azul os estados em que Serra ganhou e de vermelho aqueles em que a vitória foi de Dilma, como esse aqui do IG, dá mesmo a impressão de que o resultado foi a vitória do Brasil de cima contra o Brasil debaixo. Bobagem: quando se utiliza esse tipo de critério para “pintar um mapa” incorre-se em um erro básico: mesmo em um estado no qual um candidato João tivesse apenas 1 votinho a mais do que o candidato Pedro, esse estado seria pintado com as cores do candidato João. Mas seria possível dizer que o candidato Pedro, que perdesse ali por apenas um mísero voto, foi fraco nesse estado? Vejam o caso real deste segundo turno no estado de Goiás: ali, Serra teve 1 ponto percentual e meio a mais do que Dilma Rousseff. Pode-se dizer que esse estado não a referendou, não deu sustento a sua candidatura, não fez parte sua vitória? Uma forma de começar a mostrar para vocês o que quero dizer seria fazermos dois outros mapas. No primeiro, os estados onde a diferença entre Dilma e Serra foi de 5% ou menos, terão a cor cinza e não vermelha ou azul. No segundo, estarão em cinza os estados em que essa diferença foi de 10% ou menos.





Vejam que um mapa desse tipo, mais próximo do que se recomenda para esse tipo de análise, desfaz bastante das teorias regionalistas. Fica bem bem mais tênue a idéia da divisão. Houve uma batalha mais acirrada na maior parte do país. Na verdade, quando vamos aos detalhes dos dados, o que fica evidente é que Dilma foi bem em todos os estados, ficando abaixo dos 40% dos votos apenas em dois, pouco expressivos eleitoralmente: Acre e Roraima (no Norte, aliás). Enquanto Serra teve menos de 40% em dez estados. E chegou a ficar mesmo com menos de 30% e até menos de 25% em alguns. Ou seja, o ponto onde quero chegar é que os resultados dessas eleições não indicam um Brasil dividido: Dilma foi bem em todos os estados. Quem teve sua votação concentrada regionalmente foi Serra. Ele sim dependeu basicamente do Sul e de São Paulo para ter seu desempenho. A prova disso fica evidente quando olhamos a diferença de votos entre os candidatos por região e não por estado. No Sul, a diferença pró-Serra foi de 7,78 pontos percentuais. E no Centro-Oeste ele venceu por ainda menos, meros 1,84 pontos percentuais. Por outro lado, veja-se: no Sudeste, quem venceu foi Dilma, ainda que por diferença de 3,75 pontos. No Norte, a petista teve 14,86 pontos percentuais a mais e, no Nordeste, teve aí sim uma vitória acachapante: incríveis 41,16 pontos a mais do que Serra. Ou seja, repetindo: Dilma foi eleita em todo o país. Se há alguma divisão Norte-Sul é no apoio aos tucanos (em 2006 e 2010), não aos candidatos petistas.





3) Quanto à questão dos votos vindos do Bolsa Família, é claro que não se pode saber o que motivou cada voto, já que a urna não faz perguntas ;) Mas algumas pistas são suficientemente evidentes. Primeiro, o óbvio: os 56% dos votos que Dilma teve estão bem acima dos cerca de 35% de brasileiros cujas famílias recebem o benefício. E é claro, o que temos de indício para imaginar que todos esses brasileiros que recebem no Bolsa Família votaram Dilma? Nada. Pelo contrário: se a memória não me falha, pesquisas de intenção de voto ao longo desses meses indicavam que cerca de 70% dos beneficiários votavam nela, não todos. Agora vejam: 70% dos cerca de 35% de brasileiros beneficiados pelo programa é igual a 24,5%. Portanto, na melhor das hipóteses, metade dos votos de Dilma vieram de pessoas influenciadas pelo Bolsa Família. Tantos nordestinos votaram na petista porque a economia da região viveu no governo Lula uma situação de desenvolvimento inédita, crescendo a taxas chinesas e com as classes baixas tendo sua renda crescendo muito acima da renda das classes altas.


Portanto, podemos discutir muitas questões interessantes sobre os porquês da vitória de Dilma e da derrota de Serra. Mas seguramente, simplificações regionalistas não cabem. Nem aquelas derivadas de interpretações toscas dos dados, e muito menos as que derivam do mais sujo preconceito. E não custa lembrar: vitoriosos e derrotados, simpatizantes e antipatizantes, dilmistas ou serristas: preconceito tem de ser condenado a despeito de nossa coloração ou preferência. E tanto a grande imprensa quanto a internet, ao deixar de abordar abertamente o assunto para esclarecimento do público, prestam no mínimo um enorme desserviço ao país. E no máximo, uma inaceitável conivência. Nosso modo clássico de lidar com temas espinhosos não pode imperar: não falar do assunto é desleixo com meio Brasil ou conivência com a meia dúzia de preconceituosos.


ATUALIZAÇÃO: apesar de constar no novo post, o mapa que derivei do Estadão com as votações de Serra e Dilma por município, seguindo link enviado pelo leitor anônimo nos comentários deste post, merece vir aqui como atualização. Já que está sendo muito acessado, o post merece este mapa também! Obrigado leitor que indicou ;) Nesse mapa, embora o ideal fosse, como eu disse acima, pintar de outra cor como cinza as localidades em que Dilma e Serra ficaram próximos, ainda assim pode-se notar claramente que quando olhamos dentro dos estados não houve qualquer divisão Norte x Sul no segundo turno destas eleições presidenciais.



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Comentários recebidos

  1. Paulo Souza |

    Ótima postagem Fabrício. Andei pensando muito em cada coisa que foi relatada aqui, até porque o que mais vejo no Twitter e em outras redes sociais é a disseminação desse preconceito regional. Ainda mais eu morando em São Paulo percebo que muitas pessoas atribuem ao resto do país tudo o que ocorre de errado, sendo que alguns inclusive citam coisas como “São Paulo é meu país” e sugerem a criação de um muro para fechar o estado para os demais. Resumindo, adorei a postagem, foi esclarecedora principalmente em questão de estatísticas.

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  3. Obrigatório |

    http://www.estadao.com.br/especiais/mapa-da-votacao-para-presidente-nos-municipios,123626.htm

  4. O Pós-Voto: Empates Técnicos nos Grotões « O Bicho Preguiça |

    [...] “Sacode-Iaiá” não sei — adjetivos devem ser evitados — mas decerto houve poucas ambiguedades. Como apontou Alexandre Nodari no seu Twitter, a divisão por estados peca por impor ao Brasil um modelo que é essencialmente estadunidense, baseado no princípio de que o candidato vencedor num determinado estado leva todos os seus votos a um Colégio Eleitoral, numa eleição que é, para todos os efeitos, indireta. No Brasil, como se sabe, o presidente é eleito por sufrágio universal, e nele a ideia de estados “vermelhos” e “azuis” não faz o menor sentido. O mapa do Estadão, colorido por municípios e com várias gradações de azul e vermelho, esse sim, serve a um estudo sério, já iniciado pelo Fabricio Vasselai. [...]

  5. Diego |

    Excelente matéria.

    Fiquei deprimido com o nível das discussões nessa eleição. As pessoas parecem completamente incapazes de argumentar, de entender que existem diversos grupos de interesse, etc.

    Os anti-petistas ficaram obsoletos no Brasil. Se acostumaram tanto com os muitos anos em que não era necessário embasar suas decisões, e agora recorrem à simples violência quando se percebem incapazes de defender o seu ponto de vista - que, na verdade, não tem; pontos de vista dependem da compreensão de um tópico.

    Nota - nem petista sou. Mas odeio ignorância e recursos apelativos como ofender o interlocutor e aqueles que tem idéias diferentes das “corretas”, segundo os preconceitos de cada um.

  6. Roberto Pereira |

    Excelente análise, Profº!

    Nossa, que raiva que me deu da Globo News e aqueles patetas do W.Waack e Merval com cara de velório mostrando aquele mapa falso dividindo o Brasil ao meio.

    O que eles querem na verdade é criar essa mentira para enfraquecer o governo Dilma desde já.

    Aliás, toda essa guerra que começou contra o PNDH3 na virada do ano passado - nunca tinha visto na minha vida uma imprensa que se diz séria embarcar numa crítica tão selvagem e ideologicamente comprometida aos direitos humanos como foi feito então -, passando pela campanha serrista com apelos moralistas, religiosos e antiminorias, tudo tem o fim de já se colocar um freio de antemão em qualquer medida legislativa mais efetiva nessas áreas, sem falar na regulamentação das comunicações - verdadeiro pavor dos donos de grandes meios - as famosas 4 famílias da máfia de mídia no Brasil.

    Já favoritei seu blog e vou sempre passar por aqui.

    Obrigado pelo texto esclarecedor!

  7. Marina |

    Acho válido toda essa analise, mas tb vale lembrar o descaso do brasileiro e o alto indice de absteção nas eleições. Será que isso é descrédito na politica brasileira por não acreditarem nem em Serra nem em Dilma, por significarem mais ou menos a mesma coisa?

  8. A vitória de Dilma e a falsa tese do “país dividido” « |

    [...] Como apontou Alexandre Nodari no seu Twitter, a divisão por estados peca por impor ao Brasil um modelo que é essencialmente estadunidense, baseado no princípio de que o candidato vencedor num determinado estado leva todos os seus votos a um Colégio Eleitoral, numa eleição que é, para todos os efeitos, indireta. No Brasil, como se sabe, o presidente é eleito por sufrágio universal, e nele a ideia de estados “vermelhos” e “azuis” não faz o menor sentido. O mapa do Estadão, colorido por municípios e com várias gradações de azul e vermelho, esse sim, serve a um estudo sério, já iniciado pelo Fabricio Vasselai. [...]

  9. A vitória de Dilma e a falsa tese do “país dividido” « Porque votamos na Dilma! |

    [...] Como apontou Alexandre Nodari no seu Twitter, a divisão por estados peca por impor ao Brasil um modelo que é essencialmente estadunidense, baseado no princípio de que o candidato vencedor num determinado estado leva todos os seus votos a um Colégio Eleitoral, numa eleição que é, para todos os efeitos, indireta. No Brasil, como se sabe, o presidente é eleito por sufrágio universal, e nele a ideia de estados “vermelhos” e “azuis” não faz o menor sentido. O mapa do Estadão, colorido por municípios e com várias gradações de azul e vermelho, esse sim, serve a um estudo sério, já iniciado pelo Fabricio Vasselai. [...]

  10. Ricardo Pipo |

    Obrigado, professor. Claro e objetivo.

  11. Juliana Clécia |

    O Preconceito, já não cabe, realmente!

  12. Fabricio Vasselai |

    Olá Paulo, muito bem vindo aqui! E brigado por esse comentário, porque sou muito solidário ao que você diz.

    O preconceito regional existe razoavelmente adormecido: o que acontece em momentos como esse é muitas pessoas, incomodadas por questão eleitoral, deixam dar vasão àquilo que em geral manifestam com um pouco mais de decoro né, hehehehe.

    Embora esteja neste momento em SC, eu também sou e vivi a vida toda em SP. Concordo com seu temor e digo mais: a política paulista é muito à parte da brasileira e isso tem de ser levado em consideração. No meu mestrado, estudei isso: o não predomínio da política de SP na democracia de 1945-64. E acho que muita coisa pode ser melhor compreendida nas visões políticas desse estado, como vocë chama atenção também.

    Pois bem, volte sempre por aqui Paulo, e grande abraço!

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    Olá “Obrigatório”, seja muito bem vindo :) E muito obrigado pello link, que de fato precisava estar citado aqui porque é um trabalho de altíssimo nivel. Volte sempre hein!

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    Olá Diego, seja muito bem-vindo ao blog! Gostei muito da sua visão de que o anti-petismo tornou-se “obsoleto”. Isso se aproxima muito com algumas coisas que ando discutindo sober a conjuntura atual. Acho que a política brasileira ainda é muito orientada pelo petismo vs anti-petismo, mas é exatamente aí que reside o problema!

    Porque os anti-petistas não consolidam um projeto, ficam muito estagnados no “anti”, na negação. Acabam não dando atenção ao estabelecimento do que preferem, tão claros que estao do que sao contrários. Gostei da sua expressão e do modo que isso permite organizar o debate. Transformarei isso em um post em futuro breve ;) Brigadão, e volte sempre hein! Gd abraço.

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    Olá Roberto, seja muito bem-vindo! E que alegria saber que já favoritou o blog :) Acho que tocou num ponto fundamental: o PNDH-3. Não podemos perder de vista aquela discussão e há de se ter claro que, como eu disse aqui recentemente, grande parte dessa conjuntura explica-se pelo temor corporativista da mídia com reformas dos meios de comunicação.

    Reformas que adviriam da chamada regulamentação dos marcos regulatorios da área de comunicações. Afinal, não resta dúvida que uma das reformas de que o Brasil precisa é uma que multiplique as fontes de informação não é mesmo ;) Brigadão pelo interesse e saiba que estou sempre à disposição, para dúvidas, sugestões e tudo que for debate. Gde abraço!

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    Olá Marina, seja muito bem-vinda ao blog! :) Boa questão a sua. Venho tratando desse assunto aqui no blog e acho que os posts anteriores podem te interessar bastante. De minha parte, não creio que a abstenção tenha sido alta não.

    Na verdade, estão bem próximas da nossa média. E se você compara com os EUA, por exemplo, onde o voto não é obrigatório, a abstenção muitas vezes é mais da metade dos eleitores! Na Europa também. Então, não acho que tenha sido grande problema ou grande sinal. Agora, isso não signifique que vc não tenha razao quando imagina que parte da população esteve infeliz tanto com Dilma como Serra, e com essa bi-partidarização tipo Fla-Flu. Creio que isso aconteceu sim: e não apenas o desempenho de Marina foi em parte sinal disso, como também por exemplo o crescimento dos partidos médios no Congresso e nos governos. Já igualaram o tamanho do DEM e se aproximam do PSDB.

    O que acha? Grande abraço e volte sempre por aqui ok?

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    Olá Ricardo, seja bem vindo ao blog! E muito obrigado você pela atenção e confiança. Que bom que consegui ser claro e objetivo, ajudando no debate, o que nem sempre é fácil claro. Agora que gostou, volte sempre por aqui: os debates são bem ricos com e entre os leitores. E estou sempre à disposição para conversas, dúvidas e sugestões. Grande abraço!

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    Olá Juliana, seja muito bem vinda ao blog! É isso mesmo: essa não é questão de partido, de ser dilmista ou serrista. É questão de não deixar emergir o que há de pior não é mesmo? Sempre que precisar, estarei por aqui. Volte sempre, e grande abraço!

  13. guimarães s. v. |

    espetacular! caríssimo Fabrício. com uma pedrada do conhecimento de David foi imposta uma derrota aos Golias tendenciosos, peconceituosos e pseudo analistas deste Brasil, que, por três vezes consecutivas, derrotou os “semhores de engenho” da Casa Grande. e não sou petista e muito menos lulo-petista. sou PSOLista. parabéns. análise simples e exemplar! irretocável e indiscutível. agora vou ler as “análises” que rodam por aí…

  14. Fabricio Vasselai |

    Olá Guimarães! Não apenas agradeço muito muito o comentário e o elogio, como tenho de dizer que fiquei emocionado com a imagem que usou. E que poético! :) Poxa, espero muito que consiga continuar contribuindo vez ou outra com essa nossa eterna luta de “quem guarda os guardas”. E que você tão belamente colocou nessa imagem: somos todos os Davids e, não importa nossa coloração ou preferências por qualquer partido ou candidato, temos de fazer o conhecimento algo que não seja só representado por Golias. E por falsos Golias, diga-se.

    Grande abraço e obrigado mesmo!

  15. guimarães s. v. |

    meu comentario ao de Juliana Clécia nao saiu.. qué couve?

  16. Fabricio Vasselai |

    Opa, olá Guimarães! Não recebi nenhum comentário além desse acima em que vc elogia tão belamente o blog :) Se tentou mandar outro, não veio não, infelizmente humpf. Será que não deu pau na sua conexão na hora de enviar? Às vezes acontece. De minha parte vou rechecar se está tudo ok na plataforma do blog: aparentemente está sim. Que pena!

  17. Cezar |

    Sinto Lhe informar, mas estes seu dados estão totalmente errados… veja:

    http://blogdotony.com.br/tag/ver-resultado-das-eleicoes-por-estado/

  18. Ana Paulça Silva Cavalcante |

    Prezado FABRICIO VASSELAI,

    Uma pessoa muito engajada e bem intencionada me enviou uma mensagem com o título: “uma analise interessante do perfil de votos da Dilma” com o link de seu texto, por sinal muito bem escrito e com dados bem precisos, que explica que é uma manipulação e um preconceito da mídia atribuir a vitória de Dilma aos votos do nordeste e explica por a + b que a eleição de Dilma é legítima porque ela ganharia mesmo sem os votos do nordeste, além do que foi bem votada em quase todos os estados do Brasil, etc, etc. Assim, entendi do texto que a vitória dela poderia ser considerada legítima porque não foram só os nordestinos que votaram nela e que a mídia desqualifica sua vitória quando atribui a maior parte dos seus votos ao nordeste ou ao norte/nordeste. Aí me pergunto, será que os votos dos nordestinos desqualificaria a vitória de Dilma. Assim tomo a liberdade de lhe enviar algumas considerações minhas.

    Bem, prezado Fabrício, até mesmo a hipótese de uma “defesa” do suposto fato da vitória de Dilma ter se dado pelos votos do nordeste ou norte-nordeste é asquerosa, tanto quanto a acusação. PONTO.
    Embora a vitória eleitoral de Dilma não tenha se dado exclusivamente pelo voto dos nordestinos, já que, se somado os votos de todas as outras regiões do Brasil, excluindo-se os votos do nordeste, ainda assim Dilma venceria as eleições (pelo texto enviado, até mesmo retirando-se os votos do norte e do nordeste, ainda assim, Dilma teria vencido), digamos que assim não fosse e que, de fato, os votos do nordeste ou norte-nordeste fossem os responsáveis pela sua vitória? Por acaso o voto de um cidadão/cidadã nordestino(a) vale menos ou é de menor valor do que um voto de um cidadão/cidadã do sul ou sudeste? Pelas intensas acusações e respectivas defesas sobre o tema, parece ser essa a opinião de muitos brasileiros!!!
    Prezado, diante disso só posso ter vontade de vomitar!!! Porque isso, além de preconceituoso e fascista, é simplesmente ASQUEROSO!!
    As acusações e defesas sobre o fato dos votos direcionados a Dilma terem sido feitos pelo estômago ou pelo bolso também me intrigam e muito. De fato, em toda parte do mundo, onde existe democracia e voto popular, boa parte das pessoas vota pensando no próprio bolso ou no próprio estômago (tanto faz, é a mesma coisa. E mais, não interessa se o estômago é ávido de caviar e faisão ou de feijão com arroz, estômago é estômago). Por acaso agora é PECADO alguém votar guiado pelo fato de suas condições materiais concretas melhoraram, seja por meio de uma eventual bolsa família, cujo valor é cerca de 150 reais, se não me engano, seja por que o salário mínimo aumentou ou porque ocorreu uma razoável mobilidade social e o eventual eleitor se viu e viu amigos, parentes ou vizinhos migrarem da miséria ou das classes ‘D’ e ‘E’ para as classes ‘A,‘B’ e ‘C’. Qual o problema nisso mesmo? Afinal, votos ideológicos no mundo são poucos. Ah! Mas votar contra determinado candidato(a), porque não se está satisfeito com o câmbio, que prejudica as exportações, diminui o lucro do agro-negócio e, eventualmente, diminui “o caviar nosso e a champagne nossa de cada dia” é lícito, mas votar a favor de um candidato(a) porque boa parte da população desempregada conseguiu um emprego ou os recursos federais e as políticas brasileiras deixaram de ser, prioritariamente, direcionadas aos estados mais ricos, particularmente ao eixo Rio São Paulo ou sudeste-sul não é lícito?
    São séculos de políticas e de políticos no Brasil que privilegiaram descaradamente não apenas os mais ricos como também as regiões mais ricas. Desse modo, os ricos e, principalmente, as regiões mais ricas dominam há anos boa parte da economia, da política e dos meios de comunicação. Assim, quando se percebe que regiões mais desfavorecidas poderiam ser responsáveis pela vitória ou derrota de um presidente da república, só resta a esses indivíduos e grupos a desqualificação dos votos das pessoas das regiões historicamente desfavorecidas. Por outro lado, em defesa do candidato(a), outros demonstam que não, seus votos não vieram apenas desses “pobres”, desses cidadãos de segunda classe. Não, vieram de todo o pais.
    Sei que nem todos os cidadãos/cidadãs do Rio e São Paulo ou do sul/sudeste compartilham dessas idéias, entretanto, temos que denunciar o que está acontecendo de forma acintosa nesse momento de pós-eleição. Isso é um fato preocupante e aponta para um velado desrespeito aos diretos humanos e ao crescimento de sentimentos fascistas e neonazistas em nosso país. Aliás, em um país no qual um programa de televisão de um canal fechado, um apresentador, a título de brincadeira, se fantasia de dentes cariados representando os eleitores de Dilma, e isso é considerado fato normal ou humor é extremamente preocupante. Essa situação apresentada em um programa jornalístico não se trata de humor, é uma opinião preconceituosa disfarçada de humor, que só serve para encobri um ideário neonazista . Aliás, se existem em 2010 pessoas desdentadas no nosso país, isso é fruto exatamente de uma história de privilégios da elite e dos estados do sul-sudeste ao longo de séculos.
    Por isso, convido a todos a recusar posições tanto de acusação do nordeste pela vitória de Dilma, desqualificando o voto dos nordestinos, como também as supostas defesas, que fazem a mesma coisa, talvez de forma ingênua e de forma bem intencionada, mas a idéia é a mesma. Por que temos que nos defender de uma acusação que se pauta e se fundamenta na desqualificação de pessoas de determinada região? O nordeste não tem que se defender de nada, porque o voto do nordeste é tão válido quanto o voto de qualquer outra região.
    Por isso, considero que textos como esses, por mais bem intencionados que sejam e mesmo que não tenham sido escritos com essa intenção consciente, só reforçam as opiniões preconceituosas!!! Reforço mais uma vez o que quero dizer, se a vitória da presidente Dilma Rousseff tivesse se dado pela diferença de votos do nordeste ou norte/nordeste, isso, EM NADA, REPITO, EM NADA, desqualificaria a sua vitória.
    Eu sou Ana Paula Silva Cavalcante, baiana, médica, psiquiatra, mestre em saúde coletiva, atualmente servidora pública federal da ANS.

  19. neo.destino |

    sejamos neofascistas mesmo ,como a corja paulistana ,vamos acabar com a folga dessa cambada que chegou aqui depois dos “brasileiros do primeiro contato”(inventei um termo )essa gente é fruto da nossa origem colonizada pela matina branca que veio da europa ,matando ,roubando e exterminando sobre o pretesto de civilizar e cristianizar os demônios ,que na verdade eram eles mesmos ,é o serra é a versäo moderna deste eixo do mal … depois trouxeram mais merda ainda para clarear a nacäo…essa gente chegou aqui faminta ,vinda de países destruidos por guerras causadas por governos gananciosos e inecrupulosos e tiveram oportunidades melhores,só por serem brancos e hoje se sentem melhores por ganhar uma corrida onde seus competidores “os tais dos pobres miscigenados nordestinos “vinham emagracidos ,torturados e acorrentado aos pés…campeäo dos campeöes (seria o mesmo que por uma cota de paulista acorrentados e famintos nas univessidades ,os que näo fizessem um bom teste ganhariam chibatada na cara branca e safada deles!,essa gente tem que voltar para os países de origem de seus seus pais e avós e dar chance a quem é daqui sim eu sou daqui …sejam brasileiros ou voltem para limpar o banheiro de seus ancestrais na espanha .japäo,itália alemanha e etc se sentindo em casa e longe de nós brasileiros legítimos …isso vai acabar em guerra civil …eles tem orgulho em ser fascista até hoje , vejam o link de vinhos do mussoline(http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/3f/Mussolini_wine.jpg)…italianada de merda !mas nossa naçäo é pacífica e vai dar outro tipo de resposta para essa gente DAQUI EM DIANTE SÓ FICA AQUI QUEM SE AFINAR A NOVA DANCA…só reza para esses monstros…mas a vida vai se incubir deles em alguma esquina escura desse nosso país desigual…como diz zeca pagodinho pode fazer fila que vai morrer gente…fiquem presos em vossos condomínios de luxo ,trancados à sete chaves com medo do resukltado de vosso egoísmo e no final sejam mortos por vossos próprios filhos ,criados na ganancia e na competicäo desleal!!!mayara mate logo a sua mäe e o seu pai e fique com a herança intelectual demoniaca deles ou veja eles serem mortos pela continuidade da desigualdade que vc´s e seus seguidores pregam em voz alta !a vida lhes vai mostrar daqui em diante …vcs iräo morrer paulistas bastardos fascistas …tem que por essa gente na cadeia agora ,e o serra e seus marketeiros de merda tem que ser responsabilizados por propagarem o ódio e fomentarem a desordem e a vilência verbal …senäo fizerem isso prometo que se depender de mim näo ficará pedra sobre pedra ,se vcs temem o PCC ,väo ver como vai ser com NEO.DESTINISMO!esse país já está precisando de uma limpeza à muito tempo !me aguardem !

  20. Roderick |

    Parabéns, Ana Paula Silva Cavalcante, texto perfeito.

  21. Rondinelli |

    Parabéns pelo blog Fabrício!
    É a primeira vez que o visito, e gostei bastante de vários posts seu, ainda estou lendo (quase) todos para absorver mais do seu posicionamento acerca de importantes temas da política. Posso fazer uma sugestão? Estava a pesquisar na rede sobre o PNDH-3. O que mais encontro são posicionamentos conservadores e unilaterais acerca das propostas colocadas em pauta por este programa, talvez por serem mídias que representem setores religiosos (mesmo que ocultamente)ou até mesmo sintam seus próprios interesses fragilizados. Até mesmo no Youtube só encontro vídeos de religiosos criticando a todo custo tal projeto, chega a me dar náuseas. Portanto, gostaria de poder conferir - com muito prazer - alguma artigo seu que possa nos contemplar com a sua análise sobre tal projeto.
    Agradeço pela atenção!
    Abraços!

  22. Robson |

    Texto muito bom e esclarecedor ao extremo. Parabéns.

  23. Fabricio Vasselai |

    Olá Cezar, seja bem vindo ao blog! Interessante ter trazido um link com informações, é sempre bem vindo. Mas de todo modo, sinto eu lhe informar, mas os meus dados estão corretos sim. São dados do Tribunal Superior Eleitoral. Se quiser, confira em: http://www.tse.gov.br/internet/eleicoes/estatistica2010/est_resultados.html

    Grande abraço e volte sempre!

    _____________________________

    Olá Ana Paula, seja muito bem vinda ao blog! É um grande prazer tê-la por aqui. Fez muito bem de tomar a liberdade de trazer suas posições, sua discordância, seu ponto de vista. Foi muito enriquecedor. Aliás, a tal ponto, que em seguida publicarei um post específico em resposta a sua questão. Creio que o assunto mereça, porque embora evidente que não haveria mal algum se Dilma tivesse dependido do N, NE ou N+NE, às vezes o óbvio pode não estar tão óbvio assim.

    Veja, o que eu gostaria apenas de lhe deixar claro aqui é que eu jamais dei a entender isso, ou sugeri que a eleição de Dilma seria menos legítima se tivesse dependido de alguma região específica. Do meu texto, não pode ter tirado isso, mas sei de onde tirou e de onde está partindo. E concordo contigo: é preciso ter cuidado com o preconceito às avessas. Mas se me permite e a mesma correta franqueza com a qual comentou meu post, respondo que embora tenha razão na preocupação, creio que sua indignação é que está sendo um tanto inocente apesar de bem intencionada. No geral, as defesas que estão sendo fartamente feitas pela internet de que a eleição de Dilma não dependeu do N e NE não viam a idéia de que só assim será legítima. Visam o combate de uma tentativa de criar a imagem de que o país está dividido, de que a legitimidade de Dilma é frágil, de que seu governo terá bases regionalmente rachadas. Enfim, visam criar divisão ao denunciar uma falsa divisão.

    O mesmo no que se refere a votar com o estômago: não há problema algum nesse tipo de voto, que aliás é mesmo a praxe em qualquer lugar do mundo. O problema está em como e porque se fazem os discursos, na tentativa de tarimbar marcas polítio-eleitorai falsas, na testa de candidatos e partidos. Verdadeiros rótulos que visam a divisão do país. Mas paro por aqui porque, como disse, em seguida publicarei um post dirigindo-me diretamente a seu comentário para que possamos debater isso melhor lá. De todo modo, agradeço muitíssimo suas palavras e a chance do debate. Respeito isso muitíssimo e fico é feliz com sua atenção e preocupação. Seja realmente bem vinda e volte sempre! Grande abraço!

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    Caro leitor “neo.destino”, seja bem vindo ao blog. Você sim, mas não o tom do seu comentário. Aprovei-o e mantive no ar pelo motivo que sempre faço com comentários desse tipo: servir de exemplo ao que não acho de bom. Bem, esse é um dos lados bons de eu responder a todos: ao invés de simplesmente vetar comentários posso argumentar contra eles :)

    E bem, entendo suas posições, sua crítica e suas ironias por trás do que escreveu. Dá para captá-las sim. Mas apenas por trás: porque na superficie é ofensivo, xenófobo e tão preconceituoso quanto o que pretende criticar. Com toda a sinceridade, mal educado e pouco argumentativo, destila ódio e agerssividade no lugar de dar margem a uma conversa. Dá pano a preconceitos de outro lado e referenda no fim das contas o regionalismo no que tem de pior. Portanto, para todos que lêem e você inclusive, caro leitor, que esse seu comentário sirva de exemplo do que não é bem vindo aqui. Nunca veto comentários e sempre respondo a todos. Mas não pretendo dar espaço a essa agerssividade e desrespeito com quem quer que seja (nem a nordestinos, nem aos seus “italianos de merda”).

    VocÊ é muito muito bem vindo aqui, caro leitor. Mas com outro tom. Por que não conversamos no lugar de gritar? Acalme-se e troquemos idéias, não destilemos mais ódio ainda nos assuntos já abastecidos por esse sentimento. Grande abraço!

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    Olá Roderick, seja muito bem vindo ao blgo! :)Que coisa boa ver os leitores interagindo até com os comentário dos outros leitores, seja para concordar ou não comigo. Pra você, serve a resposta que dei à Ana Paula acima e o post que farei em seguida. Acho que vale a pena continuarmos a discussão. Grande abraço e volte sempre!

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    Olá Rondinelli, seja muito bem vindo aqui! Espero que seja a primeira vez de muitas. Fico muito satisfeito quando os leitores fazem críticas sugestoes ou pedidos. Sinto grande confiança em meu trabalho e só posso retribuir dizendo: pois sim, pode contar comigo. Estou sempre à disposição para saber o que está interessando a vocês.

    Vamos fazer assim sobre o PNDH-3, tem toda razão, seria muito interessante tratar disso! Não prometo fazê-lo agora, nos próximos 10 dias, porque além das análises mais imediatas sobre as eleições, tenho já algumas coisas na fila. Mas me comprometo a voltar ao tem que o senhor pede. E para isso, eu é que lhe peço ajuda: minha memória é ruim, hehehe. Se puder voltar a me lembrar isso depois da outra semana, me ajudaria muito. De todo modo, obrigado pela atenção e por estar lendo até mesmo posts antigos! Será um grande prazer tê-lo aqui. Grande abraço.

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    Olá Robson, seja bem vindo! Obrigado pelos elogios :) Espero continuar dando conta de ajudar nos debates. Eu é que agradeço a atenção e a confiança. Espero contar contigo por aqui, para continuarmos em outras conversas. Grande abraço, e volte sempre!

  24. Politicando » » Nordeste ou Norte x Sul na vitória de Dilma e os porquês de refutar essa divisão – parte 2 |

    [...] o Brasil não está dividido! Quem me indicou o link foi um leitor anônimo nos comentários do post anterior, texto onde demonstro com mais detalhes a refutação das idéias 1) de que a vitória de Dilma [...]

  25. guimarães s. v. |

    olá! Fabrício! repito comentário que aí não chegou. “é isso! Juliana Clécia. não apenas o preconceito mas o privilégio, a discriminação e a desigualdade”.

  26. Links do pós-eleição de nossa primeira presidenta, Dilma Rousseff – Lá e de Volta, um blog de viagens pelo mundo «Lá e de Volta |

    [...] O mais impressionante é que Dilma teria vencido as eleições mesmo sem o Nordeste. O excelente mapa do Estadão de votos por município deixa bem claro que não houve divisão entre Sul/Sudeste e Norte/Nordeste nos votos. Mas se “ver” não é o suficiente pra você, o Idelber desmistifica com clareza o assunto. Outra boa análise é feita no blog Politicando. [...]

  27. Andre |

    Se você chama a metade de cima de MG de “sudeste”… Bem, azar o seu!

  28. Arakin Monteiro |

    Parabéns pelo texto Fabrício!…colocou os pingos nos “is”! Peço licença para a elogiar o brilhante comentário de Ana Paula Silva Cavalcante…ela sintetizou muito bem, na minha opinião, como deveríamos estabelecer os pressupostos do debate…parabéns!

  29. guimarães s. v. |

    com sua licença! Fabrício, tomo a liberdade de indicar à conterrânea Ana Paula, a leitura do post “Propriedade e desigualdade”, no blog http://www.amorejusticablogdoguima.blogspot.com“,
    publicação de agosto, que trata da origem de privilégios, preconceitos, discriminações e desigualdades. é de fato inaceitável a existência das desigualdades gritantes deste país, que são geradas por privilégios escandalosos, discriminações vergonhosas e preconceitos ignóbeis como os apontados pela Ana Paula. é urgente que se tome consciência de que a maior discriminação e o maior preconceito são o do rico contra o pobre, que estão na raiz dos demais. assim, a pessoa mais discriminada com o preconceito mais nojento é a mulher pobre e negra. ela é triplamente discriminada: por ser pobre, em primeiro lugar; por ser mulher, em segundo; e por ser negra, por fim. é o mais asqueroso preconceito para usar as bem empregadas palavras da Ana Paula. e esta discriminação, este preconceito, primário dá origem a todos os demais, inclusive o preconceito regional.

  30. Camilla |

    Também peço licença para elogiar o ótimo comentário da Ana Paula.
    Aguardo ansiosa a resposta dela, a este e ao próximo post.

    Até ;)

  31. Fabricio Vasselai |

    Olá Guimarães, agora sim conesguimos publicar seu outro comentário! Brigado pela insistência :) Grande abraço!

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    Olá André! Seja bem vindo ao blog… mas sinto que argumentos não bastam pra você. Veja: eliminando N, NE e MG, Dilma também ganha. E aliás veja: Dilma ganhou de muito no RJ: e aí, Rio, o terceiro colégio eleitoral do Brasil, também não é Sudeste?

    Fora que o ponto é que não se pode notar predomínio de Serra no Sul ou de Dilma no norte como se apregoa: há cruzamentos entre pontos azuis e vermelhos. Com exceção do NE, mas que como é fácil reparar pelos números, mesmo sem essa região nada mudaria. Ah sim, e com exceção de São Paulo também: ali o azul predomina. Será que seria preciso eliminar, além do N, NE e norte de MG, também o Rio e todo o Brasil além de SP para finalmente caracterizar o tao sonhado Norte x Sul? ;)

    Grande abraço e volte sempre!

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    Olá Arakin, seja muito bem vindo ao blog! é um prazer tê-lo aqui e interagindo com outros leitores. Também gostei do comentário da Ana Paula e meu post seguinte é uma resposta declarada a ela. Espero que você passe aqui para dar uma olhada, valerá a pena ;) Grande abraço!

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    Hey guimarães, liberdade bem tomada! Boa indicação de leitura, pois é legal o ponto de vista. Esse sim eu acho que é o debate correto para fazermos sobre preconceito: até que ponto está vinculado a questão social? Pode não estar? Gostei dessa provocação e gostaria muito de ver outras manifestações sobre isso. De minha parte, acredito que nem todo preconceito tenha raízes na divisão pobre x rico (caso das mulheres, dos homossexuais e mesmo de muitos negros ricos discriminados), mas sem dúvida a maioria deles é fartamente alimentada por isso. E mais: emoldurada pela diferença socio-economica.

    Mas acho que é assunto para voltarmos com mais calma. Poxa, gostaria muito de saber o que a Ana Paula anda pensando de tudo que dissemos em resposta a ela :) Grande abraço e volte sempre, meu caro!

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    haha, oi Camilla, que alegria receber você aqui outra vez! Licença mais do que aceita: o comentário da Ana Paula virou até post novo, hehehe. Eu é que estou ansioso agora para ver o que você achou do que escrevi inspirado no que disse a Ana Paula :) Grande abraço!

  32. Nada sobre Cesar » A americanização dos pseudo-analistas |

    [...] partir de dois posts do Fabrício Vasselai e um post do Alexandre Porto, temos alguns mapas bem interessantes do [...]

  33. Ana Paulça Silva Cavalcante |

    Caro Fabrício,
    Obrigada pelo seu cuidado e sua forma franca de falar. Além disso, lhe parabenizo pelo fato de ter publicado o meu comentário. Embora possa parecer óbvio que isso seja feito em um blog, fiquei um poucochinho positivamente surpresa, afinal temos vivido momentos de intensas acusações e muita pouca disposição à discussão de alto nível via internet, principalmente nesse segundo turno eleitoral. Desculpe se fui muito contundente, mas as coisas que tenho visto, de forma muito frequente, sendo veiculadas na internet, vai provocando uma indignação crescente até que se explode exatamente com aqueles que supostamente esperamos concordância, é o famoso “fogo amigo”, rsrs. Embora tenha entendido os seus argumentos, mantenho certa discordância. Concordo que o principal objetivo dos argumentos sobre o resultado das eleições é a desestabilização do futuro governo. Entretanto, esses argumentos, de fato, não estão baseados apenas na divisão do país, como se ambas as partes dessa divisão tivessem a mesma importância e credibilidade. Há outro pressuposto por trás disso, me parece que “o buraco é mais embaixo”. A minha leitura é de que o argumento é que a divisão existiu (esse é um ponto) e a parte que supostamente teria elegido Dilma é de menor valor, de menos importância e conferiria a Dilma menor credibilidade. Então, quando há uma tentativa de demonstrar que não houve essa divisão, pode parecer que se esteja corroborando com esse preconceito. Assim, temos que tomar muito cuidado, porque quando se diz, não, ela foi votada no Brasil todo e não apenas no nordeste sem maior esclarecimento, pode parecer que se concorda com o pressuposto tácito (os votos do nordeste não conferem a mesma credibilidade) que está amparando o argumento da acusação inicial (de divisão do país). Tanto é assim, que proliferam na internet acusações diretas aos nordestinos, culpabilizando o nordeste pela vitoria de Dilma de forma extremamente grosseira e acintosa. Você deve ter visto esses comentários e insultos diversos, inclusive incitando a morte dos nordestinos. Você deve estar sabendo também que a OAB de Pernambuco está entrando com uma ação contra esse tipo de crime. Desse modo, peço desculpas a você pela forma, no mínimo assertiva (como está na moda), mas que, de fato, pode ter sido um tanto agressiva. A indignação que apareceu na forma contundente de me expressar não estava direcionada a você pessoalmente, mas, digamos assim, o seu texto disparou, foi a gota d’água. Acho que por seu link ter vindo por meio de uma pessoa que sei que tem posições interessantes, acabei ficando mais indignada quando percebi que poderia haver ali um reforço dessa campanha absurda anti-nordestino que se prolifera no Brasil. Acrescento ainda, que minha indignação não á exclusivamente (é também, mas não apenas) pelo fato de ser baiana e nordestina, é uma indignação mais geral. Depois da indignação veio a tristeza, quando vi aquelas postagens no Twitter, veio certa desilusão com o Brasil, com a humanidade, sei lá. Por isso, me retrai um pouco. Sabe aquela sensação de que não vale a pena sequer se indignar, se expressar. Mas esse sentimento está passando…
    Lembro ainda que a forma das eleições para presidente no Brasil, e você deve saber bem, é diferente da dos EUA, aqui o voto é direto. É uma das poucas coisas que temos total equidade, um eleitor equivale a um voto. Não dá para fazer como se faz lá nos EUA de dividir o mapa por estados e dizer tal candidato venceu 100% nesse estado. A contagem aqui é voto a voto. Às vezes em um estado a diferença entre os dois candidatos é até pequena. Então ocorre que nesse local ambos os candidatos estão bem representados, como ocorreu, se não me engano no ES (Serra ganhando com uma diferença pequena) e em Alagoas (Dilma ganhando com uma diferença não muito grande). Então aqui na dá para fazer análises como se faz estado a estado como lá (EUA), mas eu não sou cientista político, só estou dando uma “pitacos”. Um abraço,
    Ana Paula

  34. Fabricio Vasselai |

    Olá Ana Paula! Que bom que voltou para continuarmos a conversa! :) Eu fico imensamente feliz que tenha se surprendido positivamente com este blog porque concordo com sua avaliação sobre a blogosfera nesse período eleitoral… E um de meus compromissos mais importantes desde que comecei este blog vem sendo exatamente construí-lo como um espaço realmente aberto à diversidade e, acima de tudo, um espaço amistoso, para debates e não embates. Você, suas críticas, suas análises, são muitíssimo bem vindas aqui, de verdade.

    Pelo seu comentário deixado depois deste no post seguinte, sei que você o redigiu antes de ver o novo post. Mas agora que leu, já deve saber que na verdade as discordâncias que você diz manter não são discordâncias! E foi exatamente por isso que eu puxei seu comentário para um post específico no blog: porque você tem razão quando afirma que é necessário deixar claro e fazer a ressalva de que mal algum haveria caso Dilma dependesse do N e do NE. E foi exatamente por não ter deixado isso claro no primeiro texto, dando como óbvio algo que nestes momentos de catarse não são óbvios, é que fiz o segundo texto, inspirado no seu comentário. :)

    Ou seja. uma segunda coisa que não deve estar acostumada a ver na net, modéstia à parte hehehe: um autor assumindo publicamente que precisa corrigir um texto. Pois bem, seu comentário foi responsável por isso e muito me agrada! Dito de outro modo: acho muito necessário demonstrar que Dilma não dependeu do N e NE para mostrar que sim, o Brasil está unido em suas preferências a despeito do que querem fazer parecer. Mas acho também necessário, e não o fiz de início, que se sublinhe fortemente que mesmo tendo Dilma dependendo de N e NE isso não teria mal algum no sentido que querem imputar por aí, de desvalorização do voto norte-nordestino.

    Portanto, não acho que discordamos não! E mais: sou muito grato por você ter chamado a atenção para esse ponto. Espero que continue sempre por aqui no blog e digo mais, sempre trazendo essas contribuições. Um grande abraço e volte sempre mesmo hein?

    PS: para uma não cientista política, vc está muito bem informada dos detalhes sobre as eleições americanas e os erros ao se fazer mapas desse tipo. ;) foi exatamente daí que tirei a base deste post para demonstrar que não houve divisão para além do modo equivocado de interpretação da mídia, hehehe!

  35. Andressa |

    Atribuir a vitória de Dilma à bolsa família ou aos ‘ nordestinos analfabetos’ é um absurdo, uma vez que não houve de fato uma divisão do país. Acredito que a vitória de Dilma se deva muito mais a suas propostas e a ideologia seguida por ela. Quando reparamos nos candidatos percebemos que dentre os 4 concorrentes 3 eram de partidos esquerdistas, sendo apenas Serra vinculado a uma partido direitista. Era, portanto improvável que uma mesma pessoa que votasse em Marina ou em Plínio votasse em Serra no segundo turno. O que percebo destes que afirmam que Dilma ‘ganhou votos pela bolsa 171’ é apenas um inconformismo alimentado por um preconceito resultante do traçado histórico de um país onde as oligarquias dominantes sempre tomavam as rédeas quando se tratava de administrar-lo.

  36. Luana |

    Obrigada pelos esclarecimentos. Blog já nos favoritos.

    O povo nordestino é bravo e lutador. Algum de vcs por acaso sabem o terror de uma estação seca, em que nada q se plante vinga, animais morrem de fome e sede, rios secam, e falta de água até pra beber?? Com certeza nao sabem! A grande maioria vieram de regiões ricas, onde a chuva cai em abundancia, e logicamente todos sabem que a água é vida é progresso. Imagine o nordeste com todo aquele abundante litoral, tivesse a chuva que tem o sul. Agora imagine o Sul com a falta de chuva do nordeste…
    A intenção do Bolsa familia foi dar a mão a esses bravos brasileiros, que mesmo com toda a dignidade que possuem, tiveram que se sujeitar a essa “esmola”, para nao deixar passar fome os seus filhos.
    Há brasileiros com muito, e outros com nada…
    Viva Lula e seu programa social de distribuição de renda!

  37. Fabricio Vasselai |

    Olá Andressa, seja muito bem vinda ao blog! Acho que você tocou em um ponto crucial, do qual viemos tratando aqui no blog mas que ainda será motivo de muitos debates.

    Refiro-me à idéia, muito correta ao meu ver, de que os eleitores votaram em um projeto. É isso mesmo: sobram indícios de que boa parte dos eleitores tinha simpatia pelo projeto Lula. você relembra bem: 3 dos 4 principais candidatos saíram das entranhas desse projeto. E mesmo Serra, sempre foi tido como o grande candidato do PSDB que mais distante estaria da linha tucana-neoliberal de FHC. Não quero julgar se isso é ou não verdade, mas apenas dizer que até o candidato da oposição foi aquele que supostamente poderia se vender como distante do fernandismo.

    O preconceito é um dos caminhos mais seguros para que os descontentes com a vitória de Dilma continuem não ganhando eleiç4oes: ao fazerem pouco caso dos eleitores, deixam de interpretar demandas e por consequencia de planejar seus caminhos. Nesse sentido, acho que até o tucano mais roxo deveria estar preocupado com como parte de seus simpatizantes está lidando com a derrota. Não é bom presságio para eles.

    Acho esse debate muito itneressante e espero contar com você por aqui para continuarmos! Grande abraço, e volte sempre!

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    Oi Luana, seja bem vinda ao blog! É sempre grande alegria receber novos leitores e comentadores por aqui! Fico muito feliz que tenha favoritado o blog :) e por isso, eu é que te agradeço pela confiança e atenção.

    Seu comentário traz duas questões importantes de fundo: primeiro, é exatamente verdade que o Bolsa Família foi pensado nesse sentido mesmo, de dar segurança social de emergência. E segundo, creio que extrapolou essa previsão e tornou-se um caminho de dinamização da economia das regiões mais pobres.

    Pode-se fazer críticas ou elogios mil ao Bolsa Família, mas certamente não se discute que seus resultados foram muito positivos inclusive na geração de emprego: afinal, o programa significa mais dinheiro circulando em locais de maior necessidade. Mas claro, ainda voltaremos a isso outras vezes, além das duas ou três em que toquei no assunto no blog. Continue por aqui mesmo pq desconfio que será um garnde prazer contar com você nesse discussão. Grande abraço!

  38. Luana |

    Olá Fabrício, agradeço a resposta ao meu comentário.
    O comentário abaixo não é meu, e por isso está entre aspas. Mas achei interessante e quis postar aqui.
    O comentário abaixo foi postado, devido toda a polêmica gerada em torno do estúpido post da estudande de direito, que insitou o Brasil a “afogar os nordestinos”, e “nordestino não é gente”.
    Estupidamente triste tudo isto!
    Um abraço.

    “A tendência a migração é uma característica de qualquer ser humano que está em condições adversas. Ninguém permanece num lugar que seja desfavorável. Se por um acaso acontecesse algum desastre de ordem natural ou de qualquer outra coisa no sul do país (metaforicamente falando), com certeza essas pessoas migrariam para o norte. Coloque-se no lugar do outro e tente imaginar como você agiria. O mesmo preconceito com relação aos nordestinos no Brasil é sofrido pelos próprios brasileiros (de qualquer Estado) quando estes se encontram em outro país.
    Quanto ao preconceito de algumas pessoas, também não se pode culpá-los, pois a falta de informação também os atinge.”

  39. Soy Loco Por Ti, América » Meus dois vinténs sobre as eleições |

    [...] Enquadramento previsível, aliás, que se confirmou ao se se separar o país em dois, dispondo esse país fictício em que vive e ainda sobrevive essas empresas de comunicação em duas cores e insultado duas longas [...]

  40. Marceli |

    Parabéns pelo trabalho realizado no blog!

    Uma linda semana,

    Marceli
    http://dicadelivro.com.br/

  41. mitchell |

    proponents@douce.millions” rel=”nofollow”>.…

    thanks….

  42. Alexander |

    monasticism@neanderthal.lodley” rel=”nofollow”>.…

    thank you!…

  43. Cody |

    orzae@disposition.chlorides” rel=”nofollow”>.…

    thanks!!…



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