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Rapidinha: Índio não é tolo; L.Hippólito muda de idéia; analista acha que representa eleitores

27 de Julho de 2010, às 23:40:03 Postado há 1 mês e 1 semana atrás

    

Passagem rápida em casa requer uma rapidinha aqui no blog. :)


É que eu li antes de ontem na Folha um artiguinho do Elio Gaspari em que ele também acha que os rompantes de Índio da Costa, vice na chapa de Serra, são propositais. Não têm nada de deslize. Esse era meu argumento alguns posts atrás e nesse texto, antes de ontem, Gaspari disse o seguinte (que acho boa interpretação):
“José Serra começou sua campanha dizendo que ‘não aceito o raciocínio do nós contra eles’, e em apenas dois meses viu-se lançado pelo seu colega de chapa numa discussão em torno das ligações do PT com as Farc e o narcotráfico. Caso típico de rabo que abanou o cachorro.

O destempero de Indio da Costa tem método. Se Tupã ajudar Serra a vencer a eleição, o DEM volta ao poder. Se prejudicar, ajudando Dilma Rousseff, o PSDB sairá da campanha com a identidade estilhaçada. Já o DEM, que entrou na disputa com o cocar do seu mensalão, sairá brandindo o tacape do conservadorismo feroz que renasceu em diversos países, sobretudo nos Estados Unidos”.
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Ainda nessa linha de assunto, percebam como sutilmente os analistas vão deixando de endossar a versão de que Índio da Costa fez bobagem. Hoje no fim da tarde a Lúcia Hippólito deu o seguinte comentário (em áudio) para a rádio CBN: “Ataques do PSDB fazem parte do jogo eleitoral“. Isso após ter dito no dia 19 (também apenas em áudio): “Vice de Serra pegou pesado ao ligar PT ao narcotráfico” e principalmente, no dia 20, “Nossos problemas são enormes para termos uma campanha com clima de futrica“. Ouçam os três comentários. E aí, como é que fica? Sempre defendi que isso tudo faz parte da campanha. Mas precisou a campanha tucana achar isso oficialmente para alguns analistas passarem a achar também. Lamentável.
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Aliás, sobre outro assunto, reparem também o seguinte comentário (áudio, outra vez) feito por Hippólito: “Ausência de Serra e Dilma em debate pegou mal“. Independentemente de vocês, leitores, concordarem ou não com ela, ouçam o que ela diz para verificar um clássico exemplar de análise em que o analista confunde o que ele pensa com o que os eleitores pensam. É Lúcia quem acha que pegou mal Dilma e Serra abandonarem o debate online. Ninguém sabe se os eleitores ou mesmo os internautas acharam. Ou se a “opinião pública”, como ela diz (que é, diga-se, um termo curinga muito usado que sempre significa “quem pensa como eu”). Aliás, mesmo achar que o grande público ficou sabendo, é muito otimismo né não? Caso típico: o analista acha que os eleitores pensam algo que no máximo, quem pensa são os analistas.

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Comentários recebidos

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  2. Juliana Cunha |

    Talvez o vice dessa vez possa realmente influenciar os votos então…
    Fico me perguntando qual o projeto do Serra/PSDB…não há um definido!Exatamente para não entrar em choque com o governo Lula tão bem avaliado pelo cidadão.
    Talvez o Índio da Costa tenha retomado uma boa discussão:o prestígio ou não do PT ( quantos caíram desde quando Lula entrou?). E a meu ver pode ser uma tática muito bem utilizada pelo PSDB.
    O Lula hoje não é PT faz tempo!Ele é praticamente um “partido próprio”! Já Dilma é a candidata da coligação PT/PMDB entre outros… grudá-la ao PT e tentar diminuir o peso Lula em sua campanha pode ser uma bela tática para a oposição.

  3. Fabricio Vasselai |

    Hey Juliana, sempre bom tê-la por aqui outra vez! :)

    Você captou um ponto de incongruência importante no que eu falei, hehehe. E isso me dá a chance de corrigir: não concordo que Índio tenha alguma influência sobre votos, como Gaspari especula ser uma das possibilidades. Até porque, como disse no post que escrevi antes e citei neste, acho que o discurso mais radical anti-PT do Índio fala para quem já pensa como ele. Ou seja: meu argumento no outro texto era o de que ele não queria angariar votos, mas sim se legitimar com parte dos apoiadores de Serra. Pois era mal visto por gregos e troianos. Agora, depois de instaurar uma maior agressividade anti-petista, talvez já passe a agradar a pelo menos os troianos. ;) Criança nova tentando ser aceita no playground, hoho. Portanto, tudo calculado. Nada de deslize.

    Dito isso, eu falava algo de acordo com Gaspari no resto: Índio está retomando a linha coerente do DEM. Nada demais: o petismo e o anti-petismo. Ou seja, fazendo o que Serra não quer ou não pode fazer, já que evita o confronto direto.

    Agora, acho que vc levanta discussão das boas: estou de total acordo que uma boa estratégia para Serra estaria aí. Retomar uma imagem ruim do PT e vincular Dilma ao PT não a Lula. E parece que é esse o caminho neste momento, não é mesmo? Acho que escreverei sobre isso nos próximos dias. Porque tem muito o que discutir: eu por exemplo, acho essa estratégia boa. Mas não concordo que Lula não seja o PT e tenha se descolado dele. Lula é maior que o PT, claro. O que é normal em presidencialismos. Mas o PT é muito maior do que se pensa: no auge do mensalão, foi o partido mais votado em 2006. Tem multidões de brasileiros que afirmam se identificar com o partido. E assim vai.

    Ou seja, é boa estratégia para Serra, mas o diabo é que é limitada pelo fato de que assim como o petismo é menor que Lula, o anti-petismo não é maior que o petismo. Petismo e anti-petismo não ganham eleição sozinhos e, portanto, a grande sacada que tiro dessa nossa conversa aqui é: ganhará quem conseguir ir além do petismo e do anti-petismo. Aí estará o desempate.
    :)

    Você me faz pensar mais do que eu faço vocês! Me dei bem! hahaha, grande abraço e continue aqui!

  4. m.silva |

    Notas rapidas muito boas tambem. Mas isso quer dizer entao que indio da costa deu todas as declaraçoes sem o ok de Serra? Ou voce acha foi um grande combinado com o candidato e, ai sim, uma tatica maior de direcionar a campanha?

  5. Fabricio Vasselai |

    Eba, m.silva, seu segundo comentário aqui não demorou nada, hein? Muito bom! :)

    Que bom que gostou das notas rápidas. O objetivo é esse mesmo: fazer pequenas observações que não merecem um texto maior. E coloco tudo junto num post para, diferente da idéia de blog, não entupir a página com posts muito curtos. Pelo menos por enquanto, hehe.

    Então, veja: não sei dizer se Índio fez os ataques em combinação prévia com Serra. Mas acho bem possível. Afinal, Serra deu aval rapidamente, endossando o tom do discurso. E não só: depois de Serra, o partido deixou de criticar e endossou. Começou até a repetir. Serra depois já falou do MST, Índio de ligaçao PT-Comando Vermelho. A Veja entrou no bonde e retomou os assuntos. Colunistas que antes falavam em erro de tom agora falam em normalidade, em coisa de campanha, em tática.

    Ao mesmo tempo, os responsáveis pela campanha de Serra já soltaram que esses assuntos não devem entrar nas propagandas de rádio e TV. Acho que da parte de Índio, quis ganhar os apoiadores serristas mais agressivamente anti-petistas. Se Serra quer perseguir esse novo caminho, veremos. Mas a princípio creio que só reforça a simpatia de quem já não votaria mesmo em Dilma de modo algum.

    Se continuarem esses temas, prometo voltar a isso, para tornar meus pontos mais claros. E você, volte para conferir! :)

  6. Juliana Cunha |

    Sabe aquela propaganda “se vc se choca com isso vc não sabe, mas no fundo vc tem um pouco de PT” ? Então…mim o partido perdeu toda essa ternura e, por isso, acredito que toda essa nova roupagem é uma tática mesmo da oposição.

    Sobre as eleições de 2006…gostaria de entender melhor pq o partido foi tão bem:bolsa família coligação com PMDB? Não sei…
    Eu não sei se um anti-petismo só reforça a simpatia de quem já não votaria mesmo em Dilma de jeito nenhum…Um bom exemplo: meu pai votaria fácil no Lula, como votou na última eleição. Mas meu pai nunca foi PT e ele não sabe se vota na Dilma…a Dilma do PT, sabe?
    Concordo que o anti-petismo não é maior do que o petismo, mas pra oposição é melhor do que se apegar nos anti-lulismo e lulismo :)

  7. Fabricio Vasselai |

    Hey Juliana, ahh, debate muito bom esse!

    Teria muitas coisas pra falar sobre os pontos em que você tocou, mas tentarei adensar ao máximo, hehehe. :)

    Primeiro, sobre o “se você se choca com isso” do PT, que não cativa mais, dará ainda muita discussão por aqui. A questão é profunda e tem a ver não apenas com mudanças pelas quais passou o partido, mas pelas quais passou o sistema político e pelas quais nós mesmos passamos. O fim da idéia de que a moralização da política era um fim em si mesmo, a redescoberta (inédita desde a briga UDN x PSD + PTB) de que moralidade ou imoralidade é a melhoria ou a piora dos meios de fazer as coisas, nada garantem sobre os fins (ou seja, qualidade das políticas e programas). Tem a ver com a quebra das ilusões tolas vendidas pelo PT de que problemas da política eram exclusivos de seus adversários e não algo da política em si. Tem a ver com a facilidade que é ter discurso bacana antes de ser governo. É muita coisa boa pra debater e, espero, vamos entrar nisso aqui no blog sim sim. :) (é que estou escrevendo artigo sobre o tema, hehe)

    Em segundo, você se indaga pq o PT foi tão bem em 2006 no meio da crise do mensalão. E a explicação junta muitos fatores, a meu ver. Mas certamente não a coligação com o PMDB: em 2006 o partido não correu as eleições com o PT não. Agora, Bolsa Família, aumentos de salário mínimo, de aposentadorias, crescimento econômico, queda da pobreza, acesso a ensino superior e outros dados bons do governo ajudaram. Foram determinantes eu acho. O raciocínio é simples: o eleitor avaliou resultados e não a crise moral e ética. Não porque não se importe com isso, todos se importam. Mas porque fizeram o desempate lógico: ora, se o governo do PT é igual aos que criticava nesse quesito, isso os empata. Mas se os resultados para mniinha vida estão melhores, isso desempata. Acho natural, portanto, o PT ir bem nas urnas se o cenário era de bons resultados econômicos e sociais com maus resultados no campo do noticiário das crises e denúncias. Porque isso empata e, em eleição, o voto se define pelo que diferencia e não pelo que iguala, certo? ;)

    E sobre seu terceiro ponto, acho que estou de acordo com o que você quer dizer. Quem não gostava do PT mas gosta do governo Lula vai ficar dividido sim. Mas o ponto é que o radicalismo ultra anti-petista só surtirá efeito em quem já é radical nisso também. Não acredito que um número considerável de eleitores com essa dúvida vá se definir por medo de relação PT-Farc, PT-Comando Vermelho. Esse é o ponto: estou de acordo contigo que o caminho da antipatia com o PT é melhor que o anti-lulismo, muuuuito melhor. E que trará frutos sim! O que não podem é confundir com o anti-petismo radical a la Veja, pois sinceramente, só o pessoal muito extremo vai torcer o nariz para ligação Dilma-PT por causa de fantasmas como Farc, né? Em resumo, o caminho é interessante, mas tem que mudar o modo de conduzir o carro.

    Ufa, sorry pela redação, daria um post. E acho que dará no futuro, assim que eu ordenar melhor as idéias. Esforço no qual, aliás, peço sua ajuda! Grande abraço e continue por aqui!



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