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FABRICIO VASSELAI

É graduado e mestre em Ciência Política pela USP.
Currículo acadêmico e produções acadêmicas, aqui.

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‘Institutos de Pesquisa’

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Rapidinhas: Vox Populi faz pesquisa para PSDB também; mais gente entrevistada não torna pesquisa mais confiável

30 de Julho de 2010, às 17:44:39 Postado há 1 mês e 1 semana atrás

    

Antes que saiam os resultados do Ibope para as eleições presidenciais (previstos para hoje), vale acrescentar duas rapidinhas sobre as pesquisas Datafolha e Sensus que andei vendo hoje.


Primeiro, para os que gostam das teorias conspiratórias contra os institutos, é bom ver o Lauro Jardim, no seu blog na Veja, dando breve nota sobre o fato de que o Vox Populi (acusado de ser dilmista) faz pesquisa para os tucanos também: “Apesar de o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, desqualificar o Vox Populi, vários de seus carreligionários não o seguem. Na terça-feira, o diretório do PSDB no Tocantins registrou na Justiça Eleitoral um pesquisa estadual encomendada ao instituto. Há meses, o diretório mineiro também faz o mesmo”.

____________

Segundo, dentro das diferenças metodológicas entre esses institutos, que andei explicando esses dias, certamente não se inclui como relevante o ponto toscamente levantado pelo Reinaldo Azevedo também no seu blog na Veja. Não quero nem entrar na bobagem que ele levanta de o Vox Populi ter menos credibilidade que o Datafolha por fazer pesquisa também para partidos. Primeiro, porque isso é comum no mundo todo. Segundo, porque o Vox Populi, como acabo de mencionar acima, também faz pesquisa para o PSDB. Terceiro, porque o Datafolha faz pesquisa para grupos ligados e simpatizantes de PSDB também. Isso é bobagem, jogo, torcida. Então, deixado o frufru, vamos ao que interessa! :)


O que me interessa realmente é corrigir uma tolice que não é só mencionada por Azevedo não, mas por muita gente que devia informar você, leitor, e não perpetuar mitos. Trata-se da idéia de que quanto mais gente entrevistada, mais confiável uma pesquisa seria. Qualquer comentarista sério sjá se informou e sabe que, a partir de determinado patamar, o número de entrevistados não importa. Isso mesmo: ao contrário do que imaginamos, não faz diferença uma pesquisa entrevistar 20 mil ou 2 mil pessoas. Seu grau de acerto e de erro é igual! Vários estudos já foram feitos no mundo todo demonstrando isso a mais de meio século e pretendo explicar isso melhor, em breve, aqui no blog. O que importa é se os entrevistados são divididos obedecendo o mesmo percentual de tipos sociais do país: homens e mulheres, negros e brancos, pobres e ricos, pouco e muito educados, que vivem em cada estado, etc. Acreditem: ainda que difícil de visualizar ou entender que o número maior de entrevistados não afeta nada, isso é de conhecimento banal a qualquer pessoa envolvida com pesquisa ou estatística. E tem explicação matemática simples. Então, é grave comentarista não saber disso. Daí, há muitas diferenças metodológicas entre Vox Populi e Datafolha, que fazem um e outro melhor ou pior dependendo do que se considera, como venho apontando. Mas citar o número de entrevistados, sinceramente, é dose viu.


Continue passando por aqui que você logo encontrará a explicação para esse fato inusitado: de que mais gente entrevistada não muda nada. Será um prazer explicar. ;)

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Entendendo algumas diferenças metodológicas que fazem Vox Populi e Datafolha tão diferentes

26 de Julho de 2010, às 19:26:22 Postado há 1 mês e 1 semana atrás

        

O torcedor, o eleitor e o brasileiro (charge do Amarildo em http://amarildocharge.wordpress.com)


Nesse fim de semana foram divulgadas duas novas pesquisas de opinião eleitoral com resultados bastante diferentes entre si: sexta a do Vox Populi com Dilma 8 pontos à frente e sábado a do Datafolha com ela e Serra empatados. Ainda que os resultados de todos os institutos apontem em geral a mesma tendência de crescimento de Dilma e estagnação de Serra, como demonstrado pelo excelente Günter Zibell no blog do Nassif, essa diferença entre os últimos Datafolha e Vox Populi vem sendo alvo de muitos debates pela internet. Como se diz que seus resultados, a princípio, devem-se a suas diferentes metodologias, que tal ajudar vocês a entender os principais pontos de diferença metodológica entre esses institutos?


Para começar, podemos usar o post de José Roberto de Toledo, do Estadão, que traz um quadro com algumas características que diferenciam as metodologias de Datafolha e Vox Populi. Nele, destacam-se basicamente: 1) método de coleta (entrevista em domicílio, pelo Vox, versus entrevista em pontos de fluxo de pessoas, pelo Datafolha), 2) a pergunta-esquenta feita pelo Vox Populi: antes de perguntar em quem o entrevistado votaria, indagam o grau de conhecimento do entrevistado sobre os candidatos; 3) mais importante de tudo, o Vox Populi informa aos entrevistados a que partido pertence cada candidato, enquanto Datafolha não. E há também outros dois pontos relevantes não citados por Toledo: 4) o Datafolha não escolhe entrevistados guardando proporção com o grau de escolaridade da população brasileira e 5) Nassif levantou uma dúvida técnica diretamente aos diretores desses institutos que ainda espera a resposta do Datafolha: metodologicamente, parece que Datafolha descartaria entrevistados que não possuem telefone (celular ou fixo). Agora, para ser objetivo ao máximo, vamos direto a uma breve explicação de cada um dos pontos, ok?

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Nova pesquisa Ibope: 5 questões que você não encontrará por aí

24 de Junho de 2010, às 10:50:47 Postado há 2 meses e 1 semana atrás

                        

Ontem de noite, foi publicada uma nova pesquisa de opinião eleitoral do Ibope, cujo resultado surpreendeu a campanha Serra: o tucano apareceu atrás de Dilma, tal como diziam Sensus e Vox Populi, mas ainda mais atrás. E isso, mesmo depois de Serra ter grande exposição de mídia nos horários partidários na TV e rádio do PSDB, do DEM e do PPS. Como a avaliação era de que Dilma havia tido rápido crescimento, um mês atrás, por causa do horário político do PT, esperava-se que essa exposição ainda maior fizesse Serra subir ou ao menos congelasse o patamar das intenções de voto para que a campanha para valer fosse inaugurada mantendo ao menos empate com Dilma.


Mas nada disso aconteceu. No primeiro cenário, apenas com os nomes de Dilma, Serra e Marina, os resultados do Ibope de ontem foram respectivamente 40%, 35% e 8% das intenções de voto. E no cenário em que aparecem também os nomes dos outros dez candidatos pouco conhecidos, Dilma fica com 38%, Serra com 32% e Marina com 9%. Já tratei do crescimento de Dilma aqui no blog e, na verdade, muito se falou e falará disso na imprensa e na internet. Portanto, reservo para hoje lembrar você, leitor, de 5 pontos que certamente a maioria das análises irá esquecer de tratar. Vamos lá?

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Cuidado: maioria das análises sobre último Datafolha são de um absurdo constrangedor

22 de Maio de 2010, às 23:12:55 Postado há 3 meses e 2 semanas atrás

        

A pesquisa Datafolha divulgada hoje também mostra Dilma e Serra empatados, com 37% das intenções de voto. Assim como Sensus e Vox Populi haviam indicado nessa semana, apenas com Dilma ligeiramente na frente. Ou seja, depois da enorme série de desencontros e desentendimentos, esses três institutos se entenderam. E o Ibope não deve ficar atrás na sua pesquisa a ser divulgada nos próximos dez dias. Como em pesquisa o que importa é ver a tendência ao longo do tempo, o que as manchetes e análises estao tentando explicar é como Dilma cresceu 7 pontos e Serra perdeu 5 de um Datafolha para o outro.


Em todo o histórico dos institutos, Dima só cresceu ou ficou parada e Serra só caiu ou ficou parado. Com exceção do Datafolha anterior ao de ontem, única pesquisa até hoje em que Serra chegou a subir. Na época, como se tratou de uma pesquisa extraordinária feita às vésperas da convenção que oficializaria a candidatura Serra, gerou desconfianças. Mas não estou aqui para acusar institutos, que podem manipular e errar eventualmente, mas mesmo assim acertar outras tantas vezes. Como tudo e todos na vida. O que quero chamar a atenção é como esse tipo de resultado desviante pode enganar muita gente.

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Resultado da pesquisa Vox Populi ajuda a entender diferenças de metodologia entre institutos

15 de Maio de 2010, às 22:07:53 Postado há 3 meses e 3 semanas atrás

        

Saiu agora, no sábado à noite, o resultado da nova pesquisa Vox Populi de intenção de voto para presidente da República. Pela primeira vez, Dilma aparece à frente de José Serra, com 38% contra 35%, embora empatados tecnicamente (porque a margem de erro do resultado é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos).


Esse resultado irá se repetir nas próximas pesquisas Sensus, Ibope ou Datafolha? Não é possível adivinhar isso, mas é possível entender, desde já, porque esse resultado seria inesperado para quem julgar apenas pesquisas anteriores de Datafolha e Ibope. Já falei antes das principais diferenças metodológicas dos institutos, que se referem às suas amostras e transparência, aqui e aqui. A pesquisa de hoje permite entendermos melhor a diferença metodológica das entrevistas.

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Que tal um instituto de pesquisas de opinião inter-universitário?

26 de Abril de 2010, às 10:03:24 Postado há 4 meses e 1 semana atrás



Todos os períodos eleitorais, institutos de pesquisa são acusados de erros ou manipulações graves. É claro, deslizes técnicos e éticos podem acontecer, como de resto em qualquer setor da economia (e da vida). Mas isso não me faz achar que instituto a menos é bom. Por isso é um absurdo o PSDB investir judicialmente contra o instituto Sensus, ou o Jornal Nacional declarar que não vai mais divulgar resultados do Sensus ou do Vox Populi.


Pelo contrário, creio que é a competição acirrada o bom caminho para os institutos do país. Competição aprimora metodologias e aumenta a fiscalização. Mas a competição seria melhor ainda se os dois principais institutos, Datafolha e Ibope, não competissem na condição vantajosa de estarem ligados a grandes empresas de comunicação – o que não acontece com Sensus e Vox Populi. Situação que transforma tudo, também, em uma questão de concentração der mercado.


Um bom ingrediente para aumentar essa disputa com um novo ator que também já nasceria dono de credibilidade automática, para competir com os grandes grupo pré-instalados, seria um instituto de pesquisa formado por um consórcio entre universidades de renome do país. Calma neoliberais com a faca na boca, não seria uma estatal não. Mas sim um consórcio privado formado por departamentos de Ciência Política e Estatística de várias universidades respeitáveis. Formariam um núcleo que poderia funcionar nos moldes da rede BBC de Londres: recebe dinheiro público, mas com um conselho administrativo privado, com a presença de associações profissionais das áreas envolvidas. Montado com consultoria de grandes institutos internacionais de pesquisa e de associaçoes de Ciência Política, Estatística e Sociologia. E fiscalizado. Inclusive por partidos. Uma bela chance, também, de fazer as universidades públicas e privadas dialogarem e colocarem conhecimento a serviço da sociedade.


Se dotado de bom orçamento público, esse instituto teria a vantagem de poder fazer pesquisas de intenção de voto mensais, todos os anos. Como acontece nos EUA e Reino Unido, por exemplo. Não só quando algum cliente privado tem a idéia de contratar. Séries históricas periódicas são muito mais confiáveis e permitem muito mais análises.


Mas o instituto poderia, também, vender pesquisas extra-ordinárias ao mercado. Para partidos, empresas, governos. Fazer pesquisas de avaliação de mandatos, entre outras. E o lucro seria repartido, como em royalties, para as universidades envolvidas.


Aliás, se os governo não gostar da sugestão, taí uma idéia para o futuro da Associação Brasileira de Ciência Política, a ABCP. Bela fonte de recursos em um país em que associações não têm grandes doadores. E uma retribuição social da Ciência Política que seria inestimável ao país.

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Primeira coisa a fazer sobre institutos de pesquisa é mudar regras para divulgação de resultados

21 de Abril de 2010, às 9:12:10 Postado há 4 meses e 2 semanas atrás



Como você, leitor, pode perceber pelos meus posts anteriores, não sou “contra” os institutos de pesquisa de opinião existentes. Não acho que, sistematicamente, a toda hora, o Sensus manipule a favor de Dilma ou o Datafolha a favor de Serra. Ainda que aconteçam, sim, deslizes metodológicos e também deslizes éticos, é claro. Em todos os institutos, como em qualquer área e como em tudo na vida.


O necessário nao é contar com índole ou pureza idealizada por parte dos institutos. E sim contar com normas e instituiçoes que permitam o mínimo de brechas possíveis para quaisquer tipo de deslizes. Nesse sentido, o que o poder público pode fazer para manter esse jogo e essa competição sadia e não deixá-la virar uma briga de bar onde alguém sai ferido – invariavelmente, no caso, a democracia?


A tarefa número um é:

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