‘Metodologia’
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| 30 de Julho de 2010, às 17:44:39 | Postado há 1 mês atrás |
Antes que saiam os resultados do Ibope para as eleições presidenciais (previstos para hoje), vale acrescentar duas rapidinhas sobre as pesquisas Datafolha e Sensus que andei vendo hoje.
Primeiro, para os que gostam das teorias conspiratórias contra os institutos, é bom ver o Lauro Jardim, no seu blog na Veja, dando breve nota sobre o fato de que o Vox Populi (acusado de ser dilmista) faz pesquisa para os tucanos também: “Apesar de o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, desqualificar o Vox Populi, vários de seus carreligionários não o seguem. Na terça-feira, o diretório do PSDB no Tocantins registrou na Justiça Eleitoral um pesquisa estadual encomendada ao instituto. Há meses, o diretório mineiro também faz o mesmo”.
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Segundo, dentro das diferenças metodológicas entre esses institutos, que andei explicando esses dias, certamente não se inclui como relevante o ponto toscamente levantado pelo Reinaldo Azevedo também no seu blog na Veja. Não quero nem entrar na bobagem que ele levanta de o Vox Populi ter menos credibilidade que o Datafolha por fazer pesquisa também para partidos. Primeiro, porque isso é comum no mundo todo. Segundo, porque o Vox Populi, como acabo de mencionar acima, também faz pesquisa para o PSDB. Terceiro, porque o Datafolha faz pesquisa para grupos ligados e simpatizantes de PSDB também. Isso é bobagem, jogo, torcida. Então, deixado o frufru, vamos ao que interessa! ![]()
O que me interessa realmente é corrigir uma tolice que não é só mencionada por Azevedo não, mas por muita gente que devia informar você, leitor, e não perpetuar mitos. Trata-se da idéia de que quanto mais gente entrevistada, mais confiável uma pesquisa seria. Qualquer comentarista sério sjá se informou e sabe que, a partir de determinado patamar, o número de entrevistados não importa. Isso mesmo: ao contrário do que imaginamos, não faz diferença uma pesquisa entrevistar 20 mil ou 2 mil pessoas. Seu grau de acerto e de erro é igual! Vários estudos já foram feitos no mundo todo demonstrando isso a mais de meio século e pretendo explicar isso melhor, em breve, aqui no blog. O que importa é se os entrevistados são divididos obedecendo o mesmo percentual de tipos sociais do país: homens e mulheres, negros e brancos, pobres e ricos, pouco e muito educados, que vivem em cada estado, etc. Acreditem: ainda que difícil de visualizar ou entender que o número maior de entrevistados não afeta nada, isso é de conhecimento banal a qualquer pessoa envolvida com pesquisa ou estatística. E tem explicação matemática simples. Então, é grave comentarista não saber disso. Daí, há muitas diferenças metodológicas entre Vox Populi e Datafolha, que fazem um e outro melhor ou pior dependendo do que se considera, como venho apontando. Mas citar o número de entrevistados, sinceramente, é dose viu.
Continue passando por aqui que você logo encontrará a explicação para esse fato inusitado: de que mais gente entrevistada não muda nada. Será um prazer explicar. ![]()
Tags: amostra, Institutos de Pesquisa, Lauro Jardim, Metodologia, Pesquisa eleitoral, PSDB, Quem guarda os guardas?, Rapidinhas, Reinal Azevedo, Vox Populi
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| 26 de Julho de 2010, às 19:26:22 | Postado há 1 mês e 1 semana atrás |
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Nesse fim de semana foram divulgadas duas novas pesquisas de opinião eleitoral com resultados bastante diferentes entre si: sexta a do Vox Populi com Dilma 8 pontos à frente e sábado a do Datafolha com ela e Serra empatados. Ainda que os resultados de todos os institutos apontem em geral a mesma tendência de crescimento de Dilma e estagnação de Serra, como demonstrado pelo excelente Günter Zibell no blog do Nassif, essa diferença entre os últimos Datafolha e Vox Populi vem sendo alvo de muitos debates pela internet. Como se diz que seus resultados, a princípio, devem-se a suas diferentes metodologias, que tal ajudar vocês a entender os principais pontos de diferença metodológica entre esses institutos?
Para começar, podemos usar o post de José Roberto de Toledo, do Estadão, que traz um quadro com algumas características que diferenciam as metodologias de Datafolha e Vox Populi. Nele, destacam-se basicamente: 1) método de coleta (entrevista em domicílio, pelo Vox, versus entrevista em pontos de fluxo de pessoas, pelo Datafolha), 2) a pergunta-esquenta feita pelo Vox Populi: antes de perguntar em quem o entrevistado votaria, indagam o grau de conhecimento do entrevistado sobre os candidatos; 3) mais importante de tudo, o Vox Populi informa aos entrevistados a que partido pertence cada candidato, enquanto Datafolha não. E há também outros dois pontos relevantes não citados por Toledo: 4) o Datafolha não escolhe entrevistados guardando proporção com o grau de escolaridade da população brasileira e 5) Nassif levantou uma dúvida técnica diretamente aos diretores desses institutos que ainda espera a resposta do Datafolha: metodologicamente, parece que Datafolha descartaria entrevistados que não possuem telefone (celular ou fixo). Agora, para ser objetivo ao máximo, vamos direto a uma breve explicação de cada um dos pontos, ok?
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Tags: Datafolha, diferenças, Eleições, Eleições 2010, Estadão, Institutos de Pesquisa, José Roberto de Toledo, Luis Nassif, manipulação, Metodologia, Pesquisa eleitoral, Quem guarda os guardas?, Vox Populi
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| 15 de Maio de 2010, às 22:07:53 | Postado há 3 meses e 3 semanas atrás |
Saiu agora, no sábado à noite, o resultado da nova pesquisa Vox Populi de intenção de voto para presidente da República. Pela primeira vez, Dilma aparece à frente de José Serra, com 38% contra 35%, embora empatados tecnicamente (porque a margem de erro do resultado é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos).
Esse resultado irá se repetir nas próximas pesquisas Sensus, Ibope ou Datafolha? Não é possível adivinhar isso, mas é possível entender, desde já, porque esse resultado seria inesperado para quem julgar apenas pesquisas anteriores de Datafolha e Ibope. Já falei antes das principais diferenças metodológicas dos institutos, que se referem às suas amostras e transparência, aqui e aqui. A pesquisa de hoje permite entendermos melhor a diferença metodológica das entrevistas.
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Tags: Carta Capital, Datafolha, Eleições, Eleições 2010, Ibope, Institutos de Pesquisa, Luis Nassif, Metodologia, Quem guarda os guardas?, Sensus, Vox Populi
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| 21 de Abril de 2010, às 9:12:10 | Postado há 4 meses e 2 semanas atrás |
Como você, leitor, pode perceber pelos meus posts anteriores, não sou “contra” os institutos de pesquisa de opinião existentes. Não acho que, sistematicamente, a toda hora, o Sensus manipule a favor de Dilma ou o Datafolha a favor de Serra. Ainda que aconteçam, sim, deslizes metodológicos e também deslizes éticos, é claro. Em todos os institutos, como em qualquer área e como em tudo na vida.
O necessário nao é contar com índole ou pureza idealizada por parte dos institutos. E sim contar com normas e instituiçoes que permitam o mínimo de brechas possíveis para quaisquer tipo de deslizes. Nesse sentido, o que o poder público pode fazer para manter esse jogo e essa competição sadia e não deixá-la virar uma briga de bar onde alguém sai ferido – invariavelmente, no caso, a democracia?
A tarefa número um é:
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Tags: Eleições, Institutos de Pesquisa, Metodologia
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| 19 de Abril de 2010, às 11:03:42 | Postado há 4 meses e 2 semanas atrás |
Na guerra precoce e pouco transparente entre institutos de pesquisa, falta preocupação técnica e sobra politização de tudo.
Se por mostrar empate entre Dilma e Serra o instituto Sensus foi posto sob suspeita pela concorrente Folha de São Paulo (dona do Datafolha) e pela campanha de Serra, agora é o resultado do Datafolha, desfavorável a Dilma, que dá margem a suspeitas de manipulação pela blogosfera simpática à candidata. Por questão de justiça, ressalve-se que o PT ou a campanha da ex-ministra não atacaram o instituto.
Ok: o Datafolha fez pesquisa extraordinária, fora do planejamento, da data prevista e divulgada antes do normal. Há pouco tempo já havia soltado resultados que destoavam muito dos outros 3 institutos: Serra subindo. E não conseguia explicar o porquê disso sem haver nenhum fato novo em curso. Pior: a Folha passou a atacar o Sensus e também o Vox Populi. E na mesma época, o Jornal Nacional avisou que passaria a divulgar pesquisas apenas do seu IBOPE e… do Datafolha. E agora, para fechar tudo, a nova pesquisa desse instituto é acusada de ter modificado maliciosamente o peso do Sudeste (e quiçá de São Paulo) dentro da amostragem – para beneficiar Serra.
Tudo bem, admito que é muito pano pra manga. Mas que tal ir mais devagar do ponto de vista técnico e entender o que aconteceu e como uma pesquisa pode ser manipulada? Vamos lá.
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Tags: Datafolha, Eleições, Eleições 2010, Metodologia
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