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Transferência de votos para Dilma vem de Lula ou do governo Lula?

28 de Agosto de 2010, às 21:39:40 Postado há 1 semana atrás

                

teste

Charges do Lute - http://blogdolute.blogspot.com



Hoje o Ibope divulgou nova pesquisa presidencial que me interessa pelos seus detalhes, não tanto pelo seu resultado geral - pois ao mostrar Dilma com 24 pontos percentuais à frente de Serra apenas reforça os cenários já traçados e discutidos. E me interessa especialmente pela análise de alguns desses detalhes feita por José Roberto de Toledo, no portal Estadão. A abordagem desse texto me permite concentrar atenção em uma questão que venho tocando de leve aqui no blog: a transferência de prestígio para Dilma vem de Lula ou vem do governo Lula? São coisas diferentes e, na verdade, essa diferença é muito importante, central mesmo, para entender as eleições de 2010 e algumas questões de fundo da política do país. Vamos lá?

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Rapidinhas: comunicados; detalhes do último Datafolha

27 de Agosto de 2010, às 12:14:30 Postado há 1 semana e 1 dia atrás

            

Olá pessoal!
Antes de tudo, um pedido de desculpas pelo sumiço. Já faz 5 dias sem posts e até sem respostas para os comentários (e vocês sabem que minha política é de responder todos, um por um). Mas vem sendo uma semana puxada. Estou em São Paulo, onde participei daquele seminário que havia comentado aqui no blog. E fora preparar as apresentações, conversas com pesquisadores e políticos depois dos eventos e tudo mais…. bem, não sobrou tempo nem pra responder email. :)
Hoje, começo a ficar mais livre e, então, vou preparar um post pra mais tarde ou no máximo pra amanhã. E também, responderei aos comentários que ficaram sem resposta nesses dias. Combinado?


Ah sim, falando em eventos, e atendendo aos que pediram para eu informar datas dos eventos em que estarei, já confirmei mais duas: 9 de setembro em Porto Alegre, creio que na PUC, bate papo em que pretendo comentar aquela questão de que direitos individuais não se decidem em plebiscito, que escrevi no post mais acessado do blog até hoje (todo dia entram nele!). Daí no dia 28 de outubro, já sei que estarei em Caxambu-MG no encontro da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Ciências Sociais. Lá, retomo discussões sobre o papel das emendas dos parlamentares ao orçamento. Minhas passagens por BH (setembro), Brasília e Rio (cancelada por enquanto) ainda precisam esperar mais um pouco. Pô, tá faltando uma oportunidade de ir pro Norte e pro Nordeste né! Humpf! :)

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Sobre a pesquisa Datafolha divulgada ontem e que mostra Dilma Rousseff com 20 pontos percentuais de intenção de voto a mais do que José Serra (49% contra 29%), não há muita novidade para comentar que já não tenhamos falado aqui sobre as últimas pesquisas. Mas há alguns detalhes interessantes que sugiro ficarem de olho.


Primeiro, há nessa pesquisa um novo tipo de dado, noticiado agora pouco pelo Uol: “Um em cada cinco eleitores de Serra prefere programa de Dilma na TV”. Ou seja, temos agora um indicativo empírico, factual, uma prova, do que todos já comentavam sobre a má qualidade da propaganda eleitoral de Serra. Mas mais importante do que isso é pensar esse resultado sobre outro ângulo: se por um lado indica que os eleitores de Serra que assistem ao horário eleitoral estão conseguindo separar as coisas e fazer um julgamento crítico, também pode indicar que ao menos parte dessas pessoas representa eleitores menos fechados com Serra. Pois sabidamente os eleitores fechados com seu candidato tendem a pre-avaliar seu candidato e a campanha de seu candidato como melhor em tudo: debates, propaganda, desempenho, propostas, etc. Seria interessante cruzar essa pergunta com uma outra corriqueira nas pesquisas: aquela que pergunta qual a chance do eleitor de ainda mudar o seu voto. Mas sabem como é, parece que às vezes pedir da imprensa o óbvio é pedir demais…


Segundo: um dado mais desanimador para Serra do que o resultado geral do Datafolha que estampas as manchetes que nós lemos por aí, foi bem captado pela Renata Lo Prete na Folha, em frase reproduzida no blog do Noblat: “Dilma tem hoje intenção de voto espontânea (35%) maior do que a obtida por Serra na pergunta estimulada (29%)”. Aqui sim há um indício de problema grave na campanha do tucano.


Esse indicio somado ao terceiro ponto, que é o fato de que Serra aparece abaixo dos 30%, mostra que não havia um piso claro e pré-definido para o apoio a Serra, para a simpatia pelo PSDB ou para o anti-petismo. Assim como não havia um teto para o apoio a uma candidatura petista. Como expliquei aqui no blog tempos atrás, a idéia de que o PT teria historicamente, tanto no mínimo quanto no máximo 30 ou 33% dos votos nacionais, é apenas mais um mito, mais uma lenda urbana da política nacional.

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Patamar histórico do PT em cerca de 30% é mais um dos mitos da política nacional

4 de Agosto de 2010, às 18:32:11 Postado há 1 mês atrás

            

Como prometido algumas vezes aqui no blog, hoje falarei de um mito muito interessante da política nacional que é praticamente consensual. Trata-se da idéia recorrente de que o PT tende a possuir sempre, no nível nacional, de 30% a 33% dos votos do país. Essa suposição é feita por analistas de todos os tipos e qualidades, ligados a todos os lados políticos. Por jornalistas de todas as colorações políticas. E por políticos de todos os partidos, inclusive da oposição, como fez esses dias o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, ao afirmar que Dilma apenas atingira o patamar histórico do PT, o que era previsível.


Ou seja, essa suposição é usada ao mesmo tempo pelos pró-PT quando argumentam que seus candidatos serão competitivos pelo menos atingindo a marca histórica, e também pelos anti-PT quando argumentam que os candidatos petistas não fizeram mais do que atingir a marca histórica. É claro que se trata do famoso dilema entre enxergar, num copo preenchido à metade, ou que está meio cheio ou que está meio vazio – neste caso, claro, de acordo com as conveniências. Mas mais importante do que isso é perceber que de todo modo, em ambas as leituras sobre os 30 a 33% de votos do PT, não há base sólida para sustentar a suposição. Vamos ver? ;)

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Rapidinha: Índio não é tolo; L.Hippólito muda de idéia; analista acha que representa eleitores

27 de Julho de 2010, às 23:40:03 Postado há 1 mês e 1 semana atrás

    

Passagem rápida em casa requer uma rapidinha aqui no blog. :)


É que eu li antes de ontem na Folha um artiguinho do Elio Gaspari em que ele também acha que os rompantes de Índio da Costa, vice na chapa de Serra, são propositais. Não têm nada de deslize. Esse era meu argumento alguns posts atrás e nesse texto, antes de ontem, Gaspari disse o seguinte (que acho boa interpretação):
“José Serra começou sua campanha dizendo que ‘não aceito o raciocínio do nós contra eles’, e em apenas dois meses viu-se lançado pelo seu colega de chapa numa discussão em torno das ligações do PT com as Farc e o narcotráfico. Caso típico de rabo que abanou o cachorro.

O destempero de Indio da Costa tem método. Se Tupã ajudar Serra a vencer a eleição, o DEM volta ao poder. Se prejudicar, ajudando Dilma Rousseff, o PSDB sairá da campanha com a identidade estilhaçada. Já o DEM, que entrou na disputa com o cocar do seu mensalão, sairá brandindo o tacape do conservadorismo feroz que renasceu em diversos países, sobretudo nos Estados Unidos”.
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Ainda nessa linha de assunto, percebam como sutilmente os analistas vão deixando de endossar a versão de que Índio da Costa fez bobagem. Hoje no fim da tarde a Lúcia Hippólito deu o seguinte comentário (em áudio) para a rádio CBN: “Ataques do PSDB fazem parte do jogo eleitoral“. Isso após ter dito no dia 19 (também apenas em áudio): “Vice de Serra pegou pesado ao ligar PT ao narcotráfico” e principalmente, no dia 20, “Nossos problemas são enormes para termos uma campanha com clima de futrica“. Ouçam os três comentários. E aí, como é que fica? Sempre defendi que isso tudo faz parte da campanha. Mas precisou a campanha tucana achar isso oficialmente para alguns analistas passarem a achar também. Lamentável.
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Aliás, sobre outro assunto, reparem também o seguinte comentário (áudio, outra vez) feito por Hippólito: “Ausência de Serra e Dilma em debate pegou mal“. Independentemente de vocês, leitores, concordarem ou não com ela, ouçam o que ela diz para verificar um clássico exemplar de análise em que o analista confunde o que ele pensa com o que os eleitores pensam. É Lúcia quem acha que pegou mal Dilma e Serra abandonarem o debate online. Ninguém sabe se os eleitores ou mesmo os internautas acharam. Ou se a “opinião pública”, como ela diz (que é, diga-se, um termo curinga muito usado que sempre significa “quem pensa como eu”). Aliás, mesmo achar que o grande público ficou sabendo, é muito otimismo né não? Caso típico: o analista acha que os eleitores pensam algo que no máximo, quem pensa são os analistas.

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Índio da Costa falou demais, mas sua jogada vem sendo interpretada de menos

19 de Julho de 2010, às 16:55:53 Postado há 1 mês e 2 semanas atrás

                

A notícia política que inicia a semana na boca e nas linhas dos comentaristas e blogueiros são as declarações do vice de José Serra, Índio da Costa (DEM-RJ), para o site tucano Mobiliza PSDB. Depois de começar sua entrevista ao site pedindo por perguntas picantes aos internautas tucanos, Índio da Costa acaba por declarar que “todo mundo sabe que o PT é ligado às Farc, ligado ao narcotráfico, ligado ao que há de pior. Não tenho dúvida nenhuma disso”. Além de outras sugestões menos barulhentas sobre Dilma como as de que “Quem nos garante que no dia seguinte à eleição ela não vai fazer o que no Brasil é comum entre criatura e criador? Dá um chute no Lula e vai governar sozinha, com as garras do PT por trás dela (…) Em janeiro, se a Dilma é eleita, o Lula volta para casa. Mas o PT fica com todos aqueles mensaleiros. O Lula tem poder sobre eles, mas eles têm muito poder sobre a Dilma”.


A reação nos bastidores políticos, nos jornais, entre comentaristas e na internet, foi quase unânime em criticar as declarações como um deslize, erro de tática e baixaria. Difícil ver tamanha unanimidade na crítica de uma figura política tal como a que Índio da Costa vem sendo alvo antes e principalmente agora depois dessas declarações. Contudo, tal como Nelson Rodrigues, não confio na unanimidade. :) E portanto, nesse episódio desconfio muito das conclusões apressadas de que: 1) as declarações teatrais e inventivas de Índio da Costa tenham surtido algum efeito negativo sobre a campanha Serra; 2) tenham sido aleatórias, meros rompantes de alguém inexperiente, um erro de tom. Quer ver só?

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A intervenção no PT do Maranhão, do ponto de vista das táticas do PT nacional

19 de Junho de 2010, às 11:34:04 Postado há 2 meses e 2 semanas atrás

                

Na última semana, ganhou espaço no noticiário a decisão do PT nacional de intervir na seção maranhense do partido. Ela revogou o apoio que os petistas do estado haviam decidido em prol de Flávio Dino (PCdoB) como candidato ao governo do estado, para forçar o apoio à candidatura de Roseana Sarney (PMDB). O drama levou dois petistas ilustres do Maranhão a fazerem greve de fome contra a intervenção federal – greve encerrada ontem após acordo feito em negociação entre o PT nacional e o PT maranhense. Bem, criticar a atuação do PT nacional nesse caso não é difícil nem de fazer, nem de achar quem faça na internet - e então para isso não precisaria do meu blog, certo? :) Então, hoje vou tentar algo diferente do fácil e apresentar especificamente as táticas e informações por trás da decisão do PT nacional para ajudar você, leitor, a pensar a questão.


A primeira coisa a se fazer é começar deixando os julgamentos na geladeira. Vamos primeiro tentar pensar como os dirigentes nacionais do partido. Para isso, começo tentando desfazer o maniqueísmo do bem contra o mal, recordando que a decisão sobre quem seria apoiado no Maranhão vem sendo uma disputa acirrada desde o início. A própria decisão da seção maranhense de não apoiar Roseana Sarney e sim ao candidato comunista, foi muito apertada: passou por apenas 2 votos (o que indica que número quase igual de petistas da seção do Maranhão votou por Roseana, tal como a direção nacional). Em segundo lugar, como já expliquei aqui, um partido intervir nas decisões sub-nacionais de seus diretórios é algo normal em qualquer país do mundo e, na verdade, muito bem visto como sinônimo de consolidação partidária nas principais democracias. Creio que o ponto de compreensão, e daí sim de críticas, tem que se deslocar dessa avaliação moral da decisão do PT nacional para a análise das táticas envolvidas nesse processo. Que tal?

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Novas lideranças estão fora de São Paulo, mas PT e PSDB não aceitam despaulistinizar a política

8 de Junho de 2010, às 11:55:05 Postado há 2 meses e 4 semanas atrás



Estão corretas as análises que vêm enxergando no episódio do suposto dossiê da campanha de Dilma contra José Serra uma briga interna pelo controle da campanha de Dilma. Mas não se trata de briga qualquer, de uma guerra cega e caótica pelo poder, onde cada um quer o seu quinhão, como gostam de fazer crer os analistas apressados. É uma briga ordenada, de longo prazo, estruturada: uma disputa entre o PT paulista e o PT dos outros estados pelo comando do partido - é bom que se diga com clareza, como fizeram Lúcia Hippólito, Melchiadas Filho na Folha e o petista responsabilizado pelo episódio, Luiz Lanzetta.


Pois esse fenômeno não ocorre só no PT: o PSDB também passa por reformulação semelhante, expressa na liderança de Aécio Neves em Minas Gerais aliado a Tasso Jereissatti (PSDB-CE). E a própria política do país caminha nesse sentido, já que as principais novas lideranças estão fora de São Paulo: Sérgio Cabral (PMDB-RJ),Aécio Neves (PSDB-MG), Fernando Pimentel (PT-MG), Jaques Wagner (PT-BA), Eduardo Campos (PSB-PE), fora o já antigo Ciro Gomes (PSB-CE), só para citar alguns. Trata-se portanto de um movimento maior, mais interessante e estrutural, de movimentação da política para fora do estado de São Paulo. Vamos gastar alguns minutos sobre esse tema?

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Lula-Dilma e Aécio-Anastasia: quando acontece a tal transferência de popularidade?

19 de Maio de 2010, às 13:41:55 Postado há 3 meses e 2 semanas atrás

                

Uma ótima idéia inspirada em conversa coma leitora Juliana Cunha é comparar a transferência de votos de Lula para Dilma e de Aécio para seu candidato à sucessão em Minas. As semelhanças de cenário são notáveis, mas os resultados até aqui são muito diferentes. Dilma vai bem, mas o candidato de Aécio vai mal. E essa comparação pode ajudar você, leitor, a entender até onde vai a transformação de popularidade de um político em votos para seu sucessor. Que tal?

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Polêmica dos 10 minutos do PT na TV: todos erram, porque a lei está errada

14 de Maio de 2010, às 13:47:18 Postado há 3 meses e 3 semanas atrás

                        

Ontem o PT exibiu na TV os 10 minutos semestrais de programa partidário a que tem direito. Havia uma polêmica na imprensa, sobre se o partido conseguiria exibir realmente esse programa, porque também ontem, o Tribunal Superior Eleitoral julgava denúncia feita pelo PSDB de que o PT teria usado os 10 minutos do semestre passado para trabalhar a imagem de Dilma antes da hora, quando a lei permite apenas que os partidos trabalhem as imagens dos partidos. E em caso de punição, o PT perderia direito aos seus 10 minutos seguintes.


De fato, ainda ontem o TSE decidiu pela punição do PT, mas não em tempo hábil para impedir a propaganda que foi ao ar ontem de noite. E o partido perderá os 10 minutos do primeiro semestre de 2011. Ou seja: o TSE puniu, se punir. Ou não puniu, punindo. Você é quem escolhe a interpretação. Mas que tal pensarmos melhor nas questões que foram levantadas sobre o assunto na imprensa?

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Convite de Serra ao PT para futuro governo é só jogada de marketing. Mas de craque

7 de Maio de 2010, às 11:19:53 Postado há 4 meses atrás

            

Ontem, em evento que reuniu Dilma, Marina e Serra em um mesmo palco, no que vem sendo chamado de primeiro pré-debate, o candidato tucano disse: “pode parecer uma heresia o que eu vou falar: se eleito, vou querer PT e PV no governo em função de objetivos comuns, com base em programas. O Brasil vai precisar estar junto nos próximos anos. Hoje e ontem a oposição sempre teve um comportamento que empurra o governo para um lado que não devia”.


Fora o ato-falho de assumir que a oposição tem, mesmo agora que seu partido é oposição, um comportamento que empurraria o governo para o lado errado (o que é estranhíssimo e poderia facilmente ser considerado uma gafe grandiosa de Serra), seu rascunho de convite ao PT é jogada de mestre. Pura jogada de marketing sim, é óbvio. Mas e daí? É das mais bem elaboradas. Vejamos.

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PT joga, em Minas, o jogo do seu futuro político e do futuro da rixa com o PSDB

4 de Maio de 2010, às 11:31:58 Postado há 4 meses atrás

            

Já comentei aqui no blog que é uma bobagem achar o PT antidemocrático por impor as vontades e os planos da direção nacional às suas seções estaduais. Isso é normal em muitíssimas democracias do mundo e analistas, cientistas políticos e mesmo imprensa de outros países em geral acham isso boa medida de partido organizado. A questão que eu levantava era se as imposições que o PT está fazendo por pragmatismo são intervenções úteis, bem focadas, ou são míopes.


Hoje vou falar um pouco mais dessa intervenção que está prestes a acontecer em Minas Gerais. Nesse fim de semana, houve eleições prévias no PT mineiro para escolher o candidato do partido ao governo do estado. Mas é de conhecimento público que o ganhador das prévias tinha enorme probabilidade de acabar sendo é candidato ao Senado, já que o PT nacional já fechou questão: quer que o PT de Minas indique o candidato a vice-governador na chapa do PDMB do estado, que terá o candidato Hélio Costa.


Mas o que o PT nacional pretende com isso? Quais os lucros e os custos dessa intervenção na seção mineira do partido?

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Não importa de quem Ciro tira votos, mas de quem tirará

20 de Abril de 2010, às 12:26:27 Postado há 4 meses e 2 semanas atrás

                

O grande enigma que se comenta sobre a candidatura Ciro (PSB-SP) é: não se sabe para onde irão suas intençoes de voto atuais, caso ele desista da disputa. Seria essa a grande pergunta que estaria determinando as pressoes sobre sua candidatura.


Nao é verdade. Essa questão está distorcida.


Ora, nunca dá para saber o que alguém fará, antes que algo seja feito. Então você, leitor, imagine só adivinhar o que farão os 15 milhões de eleitores que hoje estariam tendentes a votar em Ciro? SE o Ciro desistir, SE o vulcão islandês afetar o governo Lula, se, se, se.
:)


Pesquisas nao medem o futuro, mas o presente. E mesmo para entender o presente: é preciso observar as taxas de conhecimento e de rejeiçao de Dilma e de Serra. É óbvio que Serra sempre foi muito mais conhecido que Dilma. E de fato, enquanto ela tinha taxas muito baixas de conhecimento, os votos de Serra é que cresciam bastante no cenário sem Ciro. Agora que Dilma tem taxa de conhecimento já razoável, Serra cresce pouco mais que ela quando Ciro não é considerado. E há de se convir: Dilma ainda se tornará muito mais conhecida do que é hoje. Só para ter uma idéia, muitos eleitores ainda não sabem sequer que ela é a candidata do Lula!


Entao a questão de “para quem vão os votos de Ciro” é pura especulação. Não dá para saber. Simples assim, sem mais delongas. E é por isso que os aliados de Dilma nunca sequer se preocuparam com isso!

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PT não intervém nas suas seções estaduais por excesso de pragmatismo, mas por pragmatismo míope

16 de Abril de 2010, às 8:11:04 Postado há 4 meses e 3 semanas atrás

        

A comentadora Lúcia Hippólito tratou ontem, em seu blog, de um tema interessante.

Critica veementemente o PT por estar interferindo nas decisões das diretorias estaduais do partido. Ela faz um panorama dessa situação em diversos estados. Acha profundamente anti-democrático e diz inclusive que “se optar por se manter eternamente submetido aos caprichos da direção [nacional, que é] paulista, o PT corre sério risco de diminuir”.

Não quero assinar embaixo desses juízos de valor – esses que vêm sempre mascarados de fatos, de verdades objetivas. Afinal, a história e a Ciência Política mostram que está longe de ser verdade que é menos democrático um partido cuja direção nacional é centralizadora e dita normas e regras às suas seções estaduais. Pelo contrário: há tempos boa parte dos pesquisadores e dos analistas vêm considerando, em diversos países, que partidos descentralizados é que seriam sinônimo de legendas fracas, desorganizadas. A idéia de que descentralização é sempre igual a mais democracia é um conceito simplista que desconsidera que esse é um debate ainda em aberto. Portanto, não é tãao fácil assim tirar essas conclusoes apressadamente.

Mas enfim, não dá também para discordar de Hippólito na segunda afirmação que faz: realmente, o que me impressiona na atitude impositiva do PT nacional não é seu teor supostamente autoritário, mas o prejuízo concreto que essa política pode resultar. O pragmatismo do PT (e eu sempre apoio pragmatismos) tornou-se muito refém do curto prazo. Em nome da eleição nacional de agora, minam as bases de estruturação da legenda nos estados.

Há casos espantosos, como Minas Gerais, em que tiram a chance de candidatura do ex-prefeito de BH, Fernando Pimentel, o mais bem avaliado da história do estado. E ainda mais chocante: por mera questão de picuinhas, escolhem Mercadante candidato ao governo de São Paulo sem maiores discussões mesmo Suplicy tendo índices de intenção de voto bem maiores nas pesquisas eleitorais e condições sabidamente superiores de atrair o voto não petista tradicional.

As imposições que o PT vem fazendo às suas seções estaduais não padecem, portanto, do problema de pragmatismo excessivo, que sufoca a democracia interna. Ou de um ethos antidemocrático. Vem sofrendo de pragmatismo míope. Que enxerga só de perto e esquece que partido forte não se constrói apenas ganhando a presidência. Até porque, arriscar todas as fichas em um jogo só (o nacional) não é ousadia, é burrice.

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