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FABRICIO VASSELAI

É graduado e mestre em Ciência Política pela USP.
Currículo acadêmico e produções acadêmicas, aqui.

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‘Quem guarda os guardas?’

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Transferência de votos para Dilma vem de Lula ou do governo Lula?

28 de Agosto de 2010, às 21:39:40 Postado há 1 semana e 1 dia atrás

                

teste

Charges do Lute - http://blogdolute.blogspot.com



Hoje o Ibope divulgou nova pesquisa presidencial que me interessa pelos seus detalhes, não tanto pelo seu resultado geral - pois ao mostrar Dilma com 24 pontos percentuais à frente de Serra apenas reforça os cenários já traçados e discutidos. E me interessa especialmente pela análise de alguns desses detalhes feita por José Roberto de Toledo, no portal Estadão. A abordagem desse texto me permite concentrar atenção em uma questão que venho tocando de leve aqui no blog: a transferência de prestígio para Dilma vem de Lula ou vem do governo Lula? São coisas diferentes e, na verdade, essa diferença é muito importante, central mesmo, para entender as eleições de 2010 e algumas questões de fundo da política do país. Vamos lá?

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Serra, o uso da imagem de Lula e a armadilha do efeito recall

22 de Agosto de 2010, às 17:15:08 Postado há 2 semanas atrás

                

Charges do Alpino

Charges do Alpino - http://colunistas.yahoo.net/colunistas/28/index.html




Nas últimas propagandas eleitorais na TV e no rádio, José Serra vem adotando a tática de se aproximar também da figura de Lula, enquanto tenta ainda sugerir que Dilma está se apropriando dos feitos do presidente como se fossem dela. A idéia ousada é, ao mesmo tempo, confundir os cerca de 10% de brasileiros que ainda não sabem que Dilma é a candidata de Lula, tentar neutralizar o caráter de continuidade de Dilma e se colocar como opção que continuaria Lula com mais competência do que a própria escolhida de Lula. Algo como: o Grande Líder é um grande líder, mas não sabe escolher substitutos.

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Rapidinhas: novidades; Jornal Nacional; Datafolha

14 de Agosto de 2010, às 16:30:33 Postado há 3 semanas e 1 dia atrás

    

(post agendado, estou em trânsito! Por isso também a demora em responder comentários)


Uma novidade no blog: convidei um grande amigo, o Paulo Simas, para escrever um texto para publicar aqui, explicando uma questão legal que eu não conhecia direito: diferenças entre casamento, união civil e união estável. Paulo é um cara de primeira e, além disso, competente e inteligente como poucas pessoas que já conheci. O post com o texto dele chega amanhã. Espero que seja apenas a primeira contribuição dele. E também, espero que isso aos poucos abra espaço para publicar aqui um ou outro texto de vocês, leitores, no futuro.

Aguardem, que amanhã vamos começar com a primeira contribuição de alguém mais para o blog. Ao Paulo, meu sincero agradecimento pelo esforço de pesquisa, pelo tempo e dedicação. Uma honra!

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Ainda sobre as entrevistas ao Jornal Nacional, encontrei um texto muito interessante do Mauricio Stycer, em seu blog, analisando quanto as entrevistas serviram mais para avaliar o JN do que os candidatos. As opiniões dele, vocês podem concordar ou não com elas, mas são interessantes para ler e pensar. Vale a pena, aqui ó.

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Formas e conteúdos das entrevistas dos candidatos no Jornal Nacional

12 de Agosto de 2010, às 17:50:39 Postado há 3 semanas e 3 dias atrás

                    

Nesta semana, o Jornal Nacional entrevistou os 3 candidatos à presidência que têm mais de 1% 3%* dos votos nas pesquisas, um por dia: Dilma na segunda-feira, Marina na terça e Serra ontem. A ordem foi decidida por sorteio e cada entrevista teve 12 minutos, com mais 30 segundos para as considerações finais dos candidatos. As perguntas eram decididas pela redação do próprio jornal, que é chefiada pelo apresentador William Bonner. As entrevistas foram feitas por ele e por Fátima Bernardes. Estou curioso para saber: o que vocês, leitores, acharam do desempenho dos candidatos e dos entrevistadores? Hoje vou dar minhas impressões. Para quem não viu as entrevistas, os vídeos delas seguem logo abaixo do texto.

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Debate eleitoral e o mito do eleitor sem interesse: debate é só forma, não conteúdo

9 de Agosto de 2010, às 14:56:49 Postado há 3 semanas e 6 dias atrás

        

Ainda sobre o debate entre os candidatos à presidência na Band, na quinta passada, creio que seja interessante tocar na discussão sobre o quanto a audiência do debate foi baixa (5,5 pontos no Ibope) quando comparada com a audiência da semifinal da Copa Libertadores de futebol (34 pontos), que a Globo transmitia ao mesmo tempo. Seria essa mais uma evidência de como o brasileiro seria especialmente alienado ou desinteressado por política em prol do futebol, como muitas pessoas pensam e como até comentaristas de política sugeriram?


Não necessariamente. Se o eleitor é ou não assim é questão que não pretendo discutir hoje, embora venha sempre falando aqui que todos os indícios indicam o contrário: em termos de política, somos um povo similar aos demais, vejam só! Mas hoje, quero apenas sugerir que esse confronto entre debate eleitoral e futebol, em particular, nada mostra sobre o desinteresse dos eleitores-telespectadores pelos assuntos eleitorais. Vejam o que estou querendo dizer.

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Rapidinhas: Vox Populi faz pesquisa para PSDB também; mais gente entrevistada não torna pesquisa mais confiável

30 de Julho de 2010, às 17:44:39 Postado há 1 mês e 1 semana atrás

    

Antes que saiam os resultados do Ibope para as eleições presidenciais (previstos para hoje), vale acrescentar duas rapidinhas sobre as pesquisas Datafolha e Sensus que andei vendo hoje.


Primeiro, para os que gostam das teorias conspiratórias contra os institutos, é bom ver o Lauro Jardim, no seu blog na Veja, dando breve nota sobre o fato de que o Vox Populi (acusado de ser dilmista) faz pesquisa para os tucanos também: “Apesar de o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, desqualificar o Vox Populi, vários de seus carreligionários não o seguem. Na terça-feira, o diretório do PSDB no Tocantins registrou na Justiça Eleitoral um pesquisa estadual encomendada ao instituto. Há meses, o diretório mineiro também faz o mesmo”.

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Segundo, dentro das diferenças metodológicas entre esses institutos, que andei explicando esses dias, certamente não se inclui como relevante o ponto toscamente levantado pelo Reinaldo Azevedo também no seu blog na Veja. Não quero nem entrar na bobagem que ele levanta de o Vox Populi ter menos credibilidade que o Datafolha por fazer pesquisa também para partidos. Primeiro, porque isso é comum no mundo todo. Segundo, porque o Vox Populi, como acabo de mencionar acima, também faz pesquisa para o PSDB. Terceiro, porque o Datafolha faz pesquisa para grupos ligados e simpatizantes de PSDB também. Isso é bobagem, jogo, torcida. Então, deixado o frufru, vamos ao que interessa! :)


O que me interessa realmente é corrigir uma tolice que não é só mencionada por Azevedo não, mas por muita gente que devia informar você, leitor, e não perpetuar mitos. Trata-se da idéia de que quanto mais gente entrevistada, mais confiável uma pesquisa seria. Qualquer comentarista sério sjá se informou e sabe que, a partir de determinado patamar, o número de entrevistados não importa. Isso mesmo: ao contrário do que imaginamos, não faz diferença uma pesquisa entrevistar 20 mil ou 2 mil pessoas. Seu grau de acerto e de erro é igual! Vários estudos já foram feitos no mundo todo demonstrando isso a mais de meio século e pretendo explicar isso melhor, em breve, aqui no blog. O que importa é se os entrevistados são divididos obedecendo o mesmo percentual de tipos sociais do país: homens e mulheres, negros e brancos, pobres e ricos, pouco e muito educados, que vivem em cada estado, etc. Acreditem: ainda que difícil de visualizar ou entender que o número maior de entrevistados não afeta nada, isso é de conhecimento banal a qualquer pessoa envolvida com pesquisa ou estatística. E tem explicação matemática simples. Então, é grave comentarista não saber disso. Daí, há muitas diferenças metodológicas entre Vox Populi e Datafolha, que fazem um e outro melhor ou pior dependendo do que se considera, como venho apontando. Mas citar o número de entrevistados, sinceramente, é dose viu.


Continue passando por aqui que você logo encontrará a explicação para esse fato inusitado: de que mais gente entrevistada não muda nada. Será um prazer explicar. ;)

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Ciro voltando atrás: a inocência quixotesca de analistas não é nada inocente

29 de Julho de 2010, às 17:48:02 Postado há 1 mês e 1 semana atrás

                

Depois de breve tempo de reclusão, Ciro Gomes voltou aos noticiários por se encontrar com Dilma Rousseff e, depois de voltar atrás na sua neutralidade na campanha, declarou apoio à campanha do PT. Dizem que Ciro será convidado a participar formalmente da campanha, a pedir votos para Dilma e até a aparecer no programa de TV e rádio da candidata. Em geral, o tom dessas notícias e, especialmente dos comentários como os de Josias de Souza em seu blog no Uol, são de que Ciro não mantém a palavra, pois quando foi preterido por seu próprio partido, o PSB, em prol do apoio a Dilma, ele havia dito que estaria fora da campanha. Ciro seria um homem do “vai e vém”, que dança conforme a música, joga de acordo com as circunstâncias, volátil.


Em que pese as opiniões que cada um de vocês, leitores, tenham a respeito de Ciro Gomes, creio que é preciso cuidado com esse tipo de análise. Não porque esses adjetivos e caracterizações de Ciro sejam falsos. Pelo contrário, é tudo verdade. Mas pelo simples fato de que são a definição de fazer política profissional quando se tem peso eleitoral concreto (eu disse quando se tem densidade eleitoral, então exemplos de políticos com 0% dos votos não desmentem a lógica). O que quero dizer é: políticos são por definição voláteis, moldáveis, dançam conforme a música. Mudam de opinião rapidamente de acordo com as conveniências para suas carreiras. Definir Ciro como sendo assim, como se fosse característica dele e não do sistema político, é ser parcial. É o tipo de meia verdade enganadora, utilizada para direcionar a opinião pública.

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Entendendo algumas diferenças metodológicas que fazem Vox Populi e Datafolha tão diferentes

26 de Julho de 2010, às 19:26:22 Postado há 1 mês e 1 semana atrás

        

O torcedor, o eleitor e o brasileiro (charge do Amarildo em http://amarildocharge.wordpress.com)


Nesse fim de semana foram divulgadas duas novas pesquisas de opinião eleitoral com resultados bastante diferentes entre si: sexta a do Vox Populi com Dilma 8 pontos à frente e sábado a do Datafolha com ela e Serra empatados. Ainda que os resultados de todos os institutos apontem em geral a mesma tendência de crescimento de Dilma e estagnação de Serra, como demonstrado pelo excelente Günter Zibell no blog do Nassif, essa diferença entre os últimos Datafolha e Vox Populi vem sendo alvo de muitos debates pela internet. Como se diz que seus resultados, a princípio, devem-se a suas diferentes metodologias, que tal ajudar vocês a entender os principais pontos de diferença metodológica entre esses institutos?


Para começar, podemos usar o post de José Roberto de Toledo, do Estadão, que traz um quadro com algumas características que diferenciam as metodologias de Datafolha e Vox Populi. Nele, destacam-se basicamente: 1) método de coleta (entrevista em domicílio, pelo Vox, versus entrevista em pontos de fluxo de pessoas, pelo Datafolha), 2) a pergunta-esquenta feita pelo Vox Populi: antes de perguntar em quem o entrevistado votaria, indagam o grau de conhecimento do entrevistado sobre os candidatos; 3) mais importante de tudo, o Vox Populi informa aos entrevistados a que partido pertence cada candidato, enquanto Datafolha não. E há também outros dois pontos relevantes não citados por Toledo: 4) o Datafolha não escolhe entrevistados guardando proporção com o grau de escolaridade da população brasileira e 5) Nassif levantou uma dúvida técnica diretamente aos diretores desses institutos que ainda espera a resposta do Datafolha: metodologicamente, parece que Datafolha descartaria entrevistados que não possuem telefone (celular ou fixo). Agora, para ser objetivo ao máximo, vamos direto a uma breve explicação de cada um dos pontos, ok?

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Faltar a debates é tática clássica. Não é de hoje, não é da Dilma, não é do Serra

23 de Julho de 2010, às 19:21:21 Postado há 1 mês e 2 semanas atrás

                

Dias atrás, a candidata Dilma Rousseff desistiu de participar daquele que seria o primeiro debate online entre candidatos a presidente na história eleitoral do país, promovido por Yahoo, IG, Terra e MSN. Alegou problemas de agenda, tal como José Serra que ontem fez o mesmo e também afirmou que não irá ao debate, que então foi cancelado. Que não se venha com a explicação amiga de que Serra só desistiu do debate porque Dilma o fizera: afinal, nem sua própria campanha deu essa desculpa para ficar bem na fita. Assumiu desistência com o mesmo argumento de Dilma, “problemas de agenda”. Então, ambos abdicando de debate, surge a questão: por que raios candidatos desistem de debates? Medo, covardia, algo a esconder, como a análise política costumeira gosta de simplificar?

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Índio da Costa falou demais, mas sua jogada vem sendo interpretada de menos

19 de Julho de 2010, às 16:55:53 Postado há 1 mês e 2 semanas atrás

                

A notícia política que inicia a semana na boca e nas linhas dos comentaristas e blogueiros são as declarações do vice de José Serra, Índio da Costa (DEM-RJ), para o site tucano Mobiliza PSDB. Depois de começar sua entrevista ao site pedindo por perguntas picantes aos internautas tucanos, Índio da Costa acaba por declarar que “todo mundo sabe que o PT é ligado às Farc, ligado ao narcotráfico, ligado ao que há de pior. Não tenho dúvida nenhuma disso”. Além de outras sugestões menos barulhentas sobre Dilma como as de que “Quem nos garante que no dia seguinte à eleição ela não vai fazer o que no Brasil é comum entre criatura e criador? Dá um chute no Lula e vai governar sozinha, com as garras do PT por trás dela (…) Em janeiro, se a Dilma é eleita, o Lula volta para casa. Mas o PT fica com todos aqueles mensaleiros. O Lula tem poder sobre eles, mas eles têm muito poder sobre a Dilma”.


A reação nos bastidores políticos, nos jornais, entre comentaristas e na internet, foi quase unânime em criticar as declarações como um deslize, erro de tática e baixaria. Difícil ver tamanha unanimidade na crítica de uma figura política tal como a que Índio da Costa vem sendo alvo antes e principalmente agora depois dessas declarações. Contudo, tal como Nelson Rodrigues, não confio na unanimidade. :) E portanto, nesse episódio desconfio muito das conclusões apressadas de que: 1) as declarações teatrais e inventivas de Índio da Costa tenham surtido algum efeito negativo sobre a campanha Serra; 2) tenham sido aleatórias, meros rompantes de alguém inexperiente, um erro de tom. Quer ver só?

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Nova pesquisa Ibope: 5 questões que você não encontrará por aí

24 de Junho de 2010, às 10:50:47 Postado há 2 meses e 1 semana atrás

                        

Ontem de noite, foi publicada uma nova pesquisa de opinião eleitoral do Ibope, cujo resultado surpreendeu a campanha Serra: o tucano apareceu atrás de Dilma, tal como diziam Sensus e Vox Populi, mas ainda mais atrás. E isso, mesmo depois de Serra ter grande exposição de mídia nos horários partidários na TV e rádio do PSDB, do DEM e do PPS. Como a avaliação era de que Dilma havia tido rápido crescimento, um mês atrás, por causa do horário político do PT, esperava-se que essa exposição ainda maior fizesse Serra subir ou ao menos congelasse o patamar das intenções de voto para que a campanha para valer fosse inaugurada mantendo ao menos empate com Dilma.


Mas nada disso aconteceu. No primeiro cenário, apenas com os nomes de Dilma, Serra e Marina, os resultados do Ibope de ontem foram respectivamente 40%, 35% e 8% das intenções de voto. E no cenário em que aparecem também os nomes dos outros dez candidatos pouco conhecidos, Dilma fica com 38%, Serra com 32% e Marina com 9%. Já tratei do crescimento de Dilma aqui no blog e, na verdade, muito se falou e falará disso na imprensa e na internet. Portanto, reservo para hoje lembrar você, leitor, de 5 pontos que certamente a maioria das análises irá esquecer de tratar. Vamos lá?

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Entendendo o reajuste de Lula à previdência e o jogo de ganhos mútuos

16 de Junho de 2010, às 13:28:43 Postado há 2 meses e 3 semanas atrás

        

O presidente Lula decidiu ontem aceitar o reajuste de 7,7% para os aposentados, alteração feita pelo Congresso enviada pelo presidente e que havia sido motivo de críticas por parte do próprio governo. As críticas derivavam do argumento de que o governo já havia enviado ao Congresso proposta de reajuste bem acima do previsto inicialmente (6,14% contra 3,5%), ou seja, bastante acima da inflação e até do crescimento do PIB. E também, de que quanto maior o aumento, mais ampliaria o chamado rombo da Previdência.


Mas se o Congresso alterou o reajuste para cima e Lula não vetou, teria o presidente, então, feito demagogia como acusam diversos comentaristas como Lucia Hippólito, Kennedy Alencar e a GloboNews em peso? Teria Lula permitido um aumento no rombo da previdência para não fazer feio aos aposentados em ano eleitoral, por ficar refém dos parlamentares (capitaneados pela oposição)?

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Indignação seletiva aceita o “Eixo do mal” de Bush

5 de Junho de 2010, às 10:00:24 Postado há 3 meses atrás

        

(post agendado - estarei em trânsito)


Deve ser impossível achar no mundo alguém que defenda Robert Mugabe, o violento ditador do Zimbábue. Nesse sentido, é claro que deu certo asco assistir a CBF levando a seleção brasileira para apertar a mão de um governante desse nível ao realizar um amistoso pré-Copa naquele país. Do mesmo modo, é verdade óbvia que o Brasil se relaciona bem com países abaixo da crítica: o Irã e sua falta de liberdade civil e religiosa, a Venezuela do Chávez nada democrático, entre outros.


Mas o que me causa espanto, é justamente a falta de espanto, a falta de indignação, quando o Brasil se relaciona com outros tantos países reprováveis mas que apenas não fazem parte da lista de desafetos americanos. Ora, se a seleção brasileira jogar contra o Zimbábue é um absurdo, então temos de ser coerentes: resta nos indignarmos também quando a seleção for jogar contra China ou Arábia Saudita (país que não só é ditadura repressora, como pertence a uma família). Ou poderíamos também ter tido a mesma indignação com a própria realização das Olimpíadas de Pequim. E aliás, e se o Brasil fosse fazer um amistoso contra Israel nesta segunda e não contra mais um país africano desconhecido? Logo depois do massacre dos ativistas humanitários dessa última semana?

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Entendendo o que é superávit primário e o mito do corte de gastos para atingi-lo

3 de Junho de 2010, às 15:42:22 Postado há 3 meses atrás

        

Reportagem de hoje no jornal Estadão permite começar a entrar um pouco na questão dos gastos públicos, que eu já havia abordado muito inicialmente em post antigo. Segundo a chamada da reportagem, “números mostram que superávit primário obtido nos últimos anos foi garantido pelo aumento da arrecadação e não pelo corte das despesas”.


Há muitos mitos nessa discussão. O primeiro, é achar que todo aumento de arrecadação acontece por aumento de impostos. O segundo, é pressupor que a economia feita para pagar dívida pública (que é para o que serve, na prática, o superávit primário) deva ser feita por corte de despesas e não por aumento de arrecadação. Que tal entender isso melhor?

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Jânio de Freitas, Datafolha e o mito do eleitor ignorante sustentado por dados grotescos

1 de Junho de 2010, às 13:40:52 Postado há 3 meses atrás

        

A coluna de Jânio de Freitas na Folha de hoje é uma pérola do senso comum. Baseada em uma pergunta da última pesquisa Datafolha, que é uma pérola da má qualidade acadêmica. A pesquisa mostraria, segundo os dados do instituto e segundo Jânio de Freitas, a enorme incapacidade dos eleitores de reconhecerem se Dilma ou Serra estariam à esquerda ou à direita.


Diz ele: “o nível de desconhecimento do eleitorado em relação ao seu escolhido para a Presidência, constatado pelo Datafolha, é chocante, por si mesmo, e perturbador, por nem ao menos indicar se provém de desinformação sobre o candidato ou de um grau extremado de ignorância política, em alta proporção dos eleitores”. O articulista se assusta com os resultados da pesquisa, porque por exemplo “não há sentido algum em que 31% do eleitorado de Dilma Rousseff, mais de um terço, a situem entre o centro-direita e a extrema-direita”. E tampouco seria razoável que Serra seja classificado desse modo por 44% de seus eleitores, ou Marina Silva por 19% dos seus. Jânio faz um texto inflamado, chocado, estarrecido mesmo. Mas mais chocado com análise tão rude e com uma pergunta de pesquisa tão infeliz, fico eu.

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A sombra de Aécio Neves ronda José Serra (e Aécio faz sombra a ele)

24 de Maio de 2010, às 13:19:19 Postado há 3 meses e 2 semanas atrás

                

A grande notícia que está correndo as manchetes nesta segunda, já estava na boca dos analistas desde a divulgação de que Dilma teria empatado com Serra segundo a pesquisa Datafolha, ou até ligeiramente o ultrapassado, segundo Sensus ou Vox Populi. Trata-se da volta ao noticiário da grande novela: tucanos fazendo pressão para Aécio ser vice de Serra.


Mas se Aécio vem sendo notícia recorrente na pré-campanha há meses, poucas têm sido as análises sobre seu papel na candidatura do PSDB. Afinal, das três, uma: ou bem a sobre-força de Aécio em Minas poderia ser salvadora pelo fato de que mineiros são segundo colégio eleitoral do país, ou bem Aécio teria impacto ao longo do Brasil, ou bem Aécio ajudaria com a imagem de candidatura que não abandona o governo Lula e sim o continua melhorando. Para que tucanos e a imprensa façam tanto alarde com a questão Aécio, alguma dessas alternativas tem de ser verdadeira. Que tal pensarmos um pouquinho sobre isso?

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Cuidado: maioria das análises sobre último Datafolha são de um absurdo constrangedor

22 de Maio de 2010, às 23:12:55 Postado há 3 meses e 2 semanas atrás

        

A pesquisa Datafolha divulgada hoje também mostra Dilma e Serra empatados, com 37% das intenções de voto. Assim como Sensus e Vox Populi haviam indicado nessa semana, apenas com Dilma ligeiramente na frente. Ou seja, depois da enorme série de desencontros e desentendimentos, esses três institutos se entenderam. E o Ibope não deve ficar atrás na sua pesquisa a ser divulgada nos próximos dez dias. Como em pesquisa o que importa é ver a tendência ao longo do tempo, o que as manchetes e análises estao tentando explicar é como Dilma cresceu 7 pontos e Serra perdeu 5 de um Datafolha para o outro.


Em todo o histórico dos institutos, Dima só cresceu ou ficou parada e Serra só caiu ou ficou parado. Com exceção do Datafolha anterior ao de ontem, única pesquisa até hoje em que Serra chegou a subir. Na época, como se tratou de uma pesquisa extraordinária feita às vésperas da convenção que oficializaria a candidatura Serra, gerou desconfianças. Mas não estou aqui para acusar institutos, que podem manipular e errar eventualmente, mas mesmo assim acertar outras tantas vezes. Como tudo e todos na vida. O que quero chamar a atenção é como esse tipo de resultado desviante pode enganar muita gente.

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Resultado da pesquisa Vox Populi ajuda a entender diferenças de metodologia entre institutos

15 de Maio de 2010, às 22:07:53 Postado há 3 meses e 3 semanas atrás

        

Saiu agora, no sábado à noite, o resultado da nova pesquisa Vox Populi de intenção de voto para presidente da República. Pela primeira vez, Dilma aparece à frente de José Serra, com 38% contra 35%, embora empatados tecnicamente (porque a margem de erro do resultado é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos).


Esse resultado irá se repetir nas próximas pesquisas Sensus, Ibope ou Datafolha? Não é possível adivinhar isso, mas é possível entender, desde já, porque esse resultado seria inesperado para quem julgar apenas pesquisas anteriores de Datafolha e Ibope. Já falei antes das principais diferenças metodológicas dos institutos, que se referem às suas amostras e transparência, aqui e aqui. A pesquisa de hoje permite entendermos melhor a diferença metodológica das entrevistas.

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Confusões sobre Bolsa Família começam com a idéia de Bolsa Escola

3 de Maio de 2010, às 10:30:10 Postado há 4 meses atrás

    

Na edição de ontem do Estadão, saiu uma matéria baseada em um estudo da Usp que, segundo a manchete da reportagem, “questiona o Bolsa-Família”. Desconheço o estudo, que é vinculado à escola de agricultura da universidade. Mas as conclusões salientadas pela reportagem permitem, de todo modo, esclarecer rapidamente uma confusão importante sobre o assunto.


A conclusão geral do estudo, segundo o jornal, seria a de que “os programas federais de transferência de renda, embora tenham levado mais crianças para a escola, têm pouca influência na permanência e no rendimento [desempenho escolar] dos alunos”. Ora, então quem está sendo questionado não é o Bolsa-Família, mas o antigo e agora inexistente Bolsa-Escola. Porque o objetivo de um programa de transferência de renda na verdade é, pasme você,…… transferir renda!


Neste momento não importa discutir os ganhos e os custos do Bolsa-Família (pode esperar que isso será tema de muitos posts por aqui: porque os candidatos a presidente tocarão no assunto e porque já fiz pesquisa acadêmica sobre o tema :) ). E aprovemos ou não o programa, o que importa é entendê-lo um pouquinho melhor.

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